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Guia São João

Unesp será “marco divisor” na vida da cidade e de toda a região

Publicado em 24 março 2012

Por REINALDO BENEDETTI

Dados apontam que onde há educação de qualidade e investimento maciço neste setor o desenvolvimento é algo natural. Por isso, a notícia da chega da Unesp em São João da Boa Vista trouxe também a esperança de que a instalação desta importante universidade pública possa ser um ‘divisor de águas’ para toda a região.

São João da Boa Vista e os municípios vizinhos já aparecem com destaque entre todas as regiões do estado. A economia aqui é sólida, a criminalidade é baixa, a qualidade de vida das melhores, entre tantos outros pontos positivos.

 Com a Unesp, esta região pode se firmar, ainda mais, como um pólo regional também na área de educação.

 O sanjoanense Cesar Francisco Ciacco, formado na Unicamp em 1972 em Engenharia de Alimentos, PhD em Química e Tecnologia de Cereais pela North Dakota State Univerty em 1977 e professor titular da Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp (aposentado desde 2002) falou ao O MUNICIPIO sobre a excelência de uma universidade pública e o seu poder de transformação social.

 César ainda foi coordenador dos cursos de pós-graduação da área tecnológica da Unicamp, Diretor da Faculdade de Engenharia de Alimentos, Diretor Executivo da Fundação para o Desenvolvimento da Unicamp, Pró-Reitor de Extensão e Assuntos Comunitários e presidente do Conselho da Editora da Unicamp.

 O MUNICIPIO – Na cerimônia que oficializou a construção do Campus da Unesp em São João, o atual Reitor, professor Julio Cezar Durigan, disse que em Jaboticabal, onde ele leciona há muitos anos, a história da cidade se divide em duas partes: antes e depois da instalação da universidade. Você acha que pode acontecer o mesmo com São João?

Ciacco - Sem dúvida, a presença de Centro de Excelência , como é o caso da Unesp, na produção e disseminação do conhecimento, será um dos principais fatores para o desenvolvimento da nossa região. Exemplos a este respeito não faltam, como a região de Campinas com a Unicamp, São José dos Campos com o ITA; São Carlos -Araraquara com USP, Unesp e a Universidade Federal de São Carlos; Botucatu , na área médica com a Unesp, e o mais emblemático de todos o Silicon Valley junto a Universidade de Stanford na Califórnia.

 O MUNICIPIO – Os cursos escolhidos para o campus de São João, inicialmente, foram Engenharia Eletrotécnica e Engenharia de Materiais. O que você achou da escolha? Engenharia é realmente a profissão do futuro?

Ciacco - A falta de engenheiros no Brasil já é um dos principais entraves na nossa caminhada para o desenvolvimento, como mostram os recentes dados do governo. E um enorme esforço deverá ser empreendido neste sentido. Ao definir os cursos de engenharia para o campus de São João a Unesp está atendendo a essa demanda. Engenharias de materiais e eletrotécnica abrangem áreas onde a geração de conhecimento é cada vez mais intensa e, necessariamente, precisam de profissionais que consigam transformar esses conhecimentos em tecnologias. São, sem dúvida, profissões do futuro.

 O MUNICIPIO – Existe o mito de que a vinda da Unesp poderia atrapalhar os dois centros universitários da cidade (UniFAE e UniFEOB). Qual sua opinião sobre isso? Dá para haver um trabalho em conjunto entre todos eles?

Ciacco - Atrapalhar como? Ao contrário. A chegada da Unesp irá beneficiar de forma inequívoca os dois centros universitários, não só por estabelecer referência em termos de ensino como por criar um ambiente virtuoso voltado à pesquisa e ensino, onde todos se beneficiam. Interação entre produtores de conhecimento é o fator que leva a sociedade à incrível velocidade de desenvolvimento. Não haveria razão para que isto não ocorresse entre os diferentes atores que estarão presentes em nossa cidade. Esse é o típico arranjo que denominamos ganha-ganha. Resumindo, seria um contra senso afirmar que a vinda da Unesp virá para beneficiar a região e imaginar que os dois Centros Universitários, que são partes essenciais deste desenvolvimento, seriam prejudicados. Essa questão me fez lembrar o que ocorre na Rua Santa Efigênia, todas lojas vendem os mesmos produtos e é lá que todos vamos comprar. E esse é o ponto crucial para todas lojas lucrarem.

 O MUNICIPIO – Em visita a São João no último final de semana, o Ministro da Saúde Alexandre Padilha afirmou que o governo federal está empenhado em levar cursos de medicina para todas as regiões do país onde os mesmos não existem. Padilha reconhece que nesta região de São João há um vazio e que existe a vontade do Ministério em dotar a cidade com mais este fundamental curso universitário. Qual sua opinião sobre isso e o que muda na cidade caso a vinda da Medicina seja concretizada?

Ciacco - Na saúde temos dois excelentes hospitais e um número considerável de clínicas e laboratórios que cobrem diferentes especialidades médicas. Por outro lado, a ausência de cursos de medicina na região é uma realidade, como ressalta o Ministro da Saúde. Neste sentido, a criação de um curso de medicina na cidade deve ser encarada não só como extremamente providencial, como oportuna haja vista a infraestrutura existente. Em termos sociais os benefícios da existência de uma faculdade de medicina na cidade são incalculáveis, pois não se trata de apenas formar novos profissionais em área tão carente, mas também de proporcionar, através de hospital escola, acesso da população à saúde de forma integral.

 O MUNICIPIO – Você acredita que a mobilização da sociedade, de diversas maneiras, pode contribuir para a instalação do curso de Medicina em São João?

Ciacco - O exemplo mais objetivo da necessidade da mobilização da sociedade é a vinda desta unidade da Unesp. Foi na década passada que diferentes setores da sociedade começaram a se organizar com o objetivo de trazer para nossa cidade uma unidade da Unesp e foi o jornal O MUNICIPIO que durante todo este tempo manteve acesa essa mobilização. Por outro lado, deve-se ressaltar que essa mobilização não é fruto de aspirações pessoais, mas consequencia normal do desenvolvimento alcançado pela nossa cidade nas áreas da educação e da saúde. Particularmente espero que O MUNICIPIO continue a acenar a bandeira da mobilização.

 O MUNICIPIO – Por fim, o aluno que a partir do ano que vem tiver a oportunidade de estudar na Unesp de São João pode esperar o que em relação a Corpo Docente e Projeto Educacional da universidade?

Ciacco - Pode esperar um corpo docente altamente especializado, todos com pelo menos o título de doutor e na grande maioria em regime de trabalho de dedicação integral e exclusiva, ou seja, o professor está presente na Universidade o tempo todo, e não apenas para dar aulas. Além disso, a Universidade tem um projeto educacional que ultrapassa os limites das informações dadas em classe, e do curso específico. O aluno terá oportunidade de participar de projetos de iniciação científica, tanto os já existentes na própria universidade quanto aos oferecidos pelas diferentes agencias de pesquisa, em particular FAPESP e CNPq. Enfim, serão quatro ou cinco anos de imersão em um mundo voltado para a busca do conhecimento e do entendimento de como este pode ser transformado em bem para a sociedade o que, sem dúvida, o qualificará para atuar com excelência nesse mundo em constante transformação.