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Unesp realiza pesquisa de transgênico inteligente

Publicado em 05 junho 2006

A planta transgênica "inteligente" está nascendo em Botucatu. O professor Ivan Maia cultiva, desde o ano passado, no laboratório do departamento de genética do Instituto de Biociências da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mudas de tabaco onde ensaia a evolução de genes capazes de melhorar suas características. "Estamos desenvolvendo ferramentas para o melhoramento em partes específicas da planta" - diz.
Os transgênicos hoje cultivados são integrais. A modificação genética atinge toda a estrutura da planta, e o que é bom para a raiz pode não ser para o fruto ou as folhas. As ferramentas em pesquisa buscam a intervenção modular, de forma que uma não prejudique a outra. Isso poderá reduzir as restrições a esse tipo de agricultura.
Maia e sua equipe trabalham para a transgenia inteligente nas culturas de cana-de-açúcar, café e eucalipto. "Pretendemos fornecer elementos para que as espécies se adaptem melhor às regiões onde são cultivadas, com menores problemas de manejo, maior produtividade e melhor qualidade do produto" - define o pesquisador.
Método aumenta produção e segurança
O trabalho faz parte do projeto Genoma Eucalipto da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) que, desde 2001, envolve laboratórios e empresas madeireiras de vários pontos do país. A aplicação dos genes de eucalipto sobre mudas e folhas de tabaco tem por finalidade ganhar tempo. O tabaco atinge a fase reprodutiva em seis meses, isto é, 12 vezes mais rápido que o eucalipto, e o resultado é similar.
De posse da ferramenta desenvolvida por Maia, outros laboratórios e pequisadores poderão oferecer ao mercado mudas de eucalipto resistentes à seca, a pragas e de acordo com as condições do ambiente ao que se destinem. Poderão, por exemplo, criar árvores com menor ou maior teor de lignina. Com baixo teor, a madeira é mais propícia à extração de celulose, com alto, serve mais à indústria de móveis e à siderúrgica.
O Brasil possui a maior área de eucalipto comercial do mundo, classificando-se como o 7º produtor mundial de celulose e o 11º de papel. Com o melhoramento genético, as árvores vão produzir mais e de forma adequada às finalidades. A modificação seletiva à cana, terá como objetivos elevar os níveis de açúcar e controlar as ocorrências de cultivo, principalmente a florada excessiva, que contribui para a baixa da produtividade do canavial.
Para o café será possível criar mudas com raízes, caule ou folhas mais resistentes a pragas e condições climáticas, sem alteração do fruto, única parte da árvore destinada ao consumo humano. "O manejo dará mais segurança ao processo" - diz o pesquisador.

A busca da planta ideal
O Projeto Genoma Eucalipto colheu informações de todas as regiões produtoras e consumidoras da madeira, atividade encerrada no ano passado. Com o auxílio de programas de computador, foram verificados 123.889 segmentos de genes e os melhoramentos que pode introduzir nas plantas conforme a finalidade do plantio.
Esse banco de conhecimento vem se desenvolvendo em 20 laboratórios dos Estado do Rio Grande do Norte, Alagoas, Pernembuco, Rio de Janeiro e São Paulo. As equipes técnicas pertencentes às universidades e empresas do ramo de papel e madeira já isolaram quase 200 genes produtores de proteínas e 15 responsáveis por um complexo de proteínas que inibem o funcionamento de outros. Com esse material, têm condições de direcionar o crscimento da planta para condições ideais de produção e ambiente.

Produtividade é o objetivo
O melhoramento genético do eucalipto vem se processando no Brasil há décadas, através do método desenvolvido pelo botânico austrícado Gregor Mendel, um dos fundadores da genética. A produção de madeira por hectare de floresta subiu de 12 metros cúbicos por ano na década de 1960 para 50 metros cúbicos atualmente.
As alterações na espécie até agora se faziam através do cruzamento de espécies que, invariavelmente, acaba provocando choques inconvenientes. Com a modificação feita a partir dos genes será possível o direcionamento e a eliminação de características prejudiciais das espécies doadoras.
A soma de todas as pesquisas vai resultar no eucalipto correto e fornecerá elementos para a aplicação da técnica nas demais culturas que, com o manejo, terão maior produtividade saniudade garantida.