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Unesp preserva patrimônio histórico da ferrovia em Bauru

Publicado em 06 dezembro 2011

Bauru - Coordenado pelo arquiteto e engenheiro Nilson Ghirardello, professor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, campus de Bauru, o projeto Estrada de Ferro Noroeste do Brasil/Bauru, km 0 já teve financiamento aprovado e será executado já no início de 2012. A ação fará o levantamento e o estudo do conjunto arquitetônico da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (EFNOB) na cidade de Bauru.

O trabalho garantiu seu custeio ao ser um dos oito vencedores de uma chamada pública aberta em abril de 2011 e divulgada em outubro, na qual disputaram diferentes projetos de variadas instituições, segundo informações divulgadas pela Unesp. Os recursos do edital serão liberados do convênio de cooperação científica entre a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e a Secretaria da Cultura, por meio da Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico e do (Condephaat) Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo.

A NOB, também conhecida popularmente como o Trem do Pantanal, era uma companhia brasileira que operava uma ferrovia de 1.622 quilômetros de extensão construída na primeira metade do Século 20. A estrada ainda serve para o escoamento da produção de minérios no Brasil. O traçado parte de Bauru, onde era possível fazer baldeação com a Estrada de Ferro Sorocabana e com a Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Saindo do município, a linha atravessa os Estados de São Paulo e Mato Grosso de Sul até a divisa com a Bolívia, onde faz integração com a rede ferroviária boliviana, que vai de Quijarro até Santa Cruz de La Sierra.

Ghirardello explica que os edifícios e a documentação (relatórios, projetos, desenhos, plantas, entre outros) pertencentes à antiga NOB em Bauru estão em mau estado de conservação. A proposta é inventariar, identificar, localizar e analisar o patrimônio em Bauru. A equipe pesquisará a história das construções relacionadas à ferrovia, como a Estação Central, os escritórios, o conjunto das oficinas e o conjunto da Vila dos Funcionários. Como trabalho complementar, será feito o levantamento histórico dos equipamentos para recreação e cultura criados pela ferrovia na cidade, além, de procurar entender como ocorreu a organização do trabalho nos escritórios da EFNOB.

As informações serão processadas e digitalizadas no Centro de Memória e Informação Virtual do Patrimônio Industrial Ferroviário da EFNOB, que será criado pelo projeto. "Dessa maneira, contribuiremos, nos próximos dois anos, com os estudos sobre patrimônio cultural de São Paulo, divulgando nossos resultados em eventos científicos, periódicos e livros, além de formar recursos humanos na área", diz.

Além de Ghirardello, pesquisador responsável, trabalham no projeto dois pesquisadores principais: Eduardo Romero de Oliveira, do campus da Unesp de Rosana, que coordena o Projeto Fapesp "Memória Ferroviária: (São Paulo 1868-1971)"; e Rosio Fernandez Baca Salcedo, também da Faac.

Participam da equipe, ainda, Julián Sobrino Simal, da Universidade de Sevilha, Espanha, na condição de pesquisador estrangeiro convidado, e três pesquisadores associados, todos da Faac: Cláudio Silveira Amaral, que estudará A Organização do Trabalho nos Escritórios da NOB - Estrada de Ferro Noroeste do Brasil; Samir Hernandes Tenório Gomes, responsável pelo desenvolvimento do Centro de Memória e Informação Virtual do Patrimônio Industrial e Ferroviário da EFNOB; e Paulo Roberto Masseran, com a proposta EFNOB - Recreação e Cultura. Há também dois alunos da Faac bolsistas de Iniciação Científica da Fapesp: Lucas Vinícius Lopes Albano (Projeto: "A NOB e a ponte sobre o rio Paraná"); e Matheus de Paula D"Almeida ("A NOB e a ponte sobre o rio Paraguai").