Notícia

Jornal da Unesp online

Unesp participa de recorde mundial de supercomputação

Publicado em 03 dezembro 2009

Dois recordes de transmissão de dados em escala global foram quebrados em 19 de novembro por uma equipe internacional de vinte cientistas da computação, físicos e engenheiros de rede, inclusive da Unesp, durante a conferência SuperComputing 2009 (SC09). Realizada de 14 a 20 de novembro, em Portland, Oregon, Costa Oeste dos EUA, a SC09 foi a 21ª edição do evento anual que reúne instituições de pesquisa e a indústria da supercomputação.

Participou da equipe o Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp liderado por Rogério Iope, físico e doutorando em engenharia da computação pela USP. O NCC é o responsável pela implementação e manutenção do GridUnesp, uma rede de alta velocidade que integra supercomputadores espalhados por seis câmpus da Universidade.

O grupo chamado de HEP (sigla de Física de Altas Energias, em inglês) foi liderado pelo físico Harvey Newman e seus colegas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), contando com membros de mais seis instituições dos EUA, além de duas europeias, uma do Paquistão, uma da Coreia do Sul e duas do Brasil: Universidade Estadual do Rio de Janeiro e a Unesp.

A demonstração colocou à prova a eficiência de uma tecnologia de rede capaz de transmitir por segundo uma quantidade de dados milhares de vezes maior do que a internet doméstica é capaz no mesmo intervalo de tempo. Essas transmissões maciças de dados em alta velocidade permitem que supercomputadores espalhados pelo mundo sejam usados em conjunto por projetos de pesquisa envolvendo milhares de cientistas. O primeiro e maior desses projetos é a colaboração internacional que analisará a física das partículas elementares do LHC, operado pelo Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (CERN), na Suíça.

Tradicionalmente, a conferência propõe desafios de alta performance tecnológica, que devem ser executados ao vivo, monitorados por um comitê de jurados. A SC09 propôs três, entre eles o desafio de largura de banda (bandwidth challenge) que foi aceito e superado pelo grupo HEP. O desafio da demonstração foi transferir simultaneamente a maior quantidade de dados possível entre unidades de armazenamento distribuídas ao redor do mundo e as unidades instaladas na SC09, explica Iope. Só essa equipe consegue reunir tantos locais e ligações e dispor de tantas ferramentas otimizadas ao longo dos últimos sete anos de participação nos desafios de largura de banda.

A equipe montou no estande do Caltech na SC09 um centro de computação ligado por quinze conexões de fibra ótica de 10 Gbps a supercomputadores nas cidades de Los Angeles, Ann Arbor, San Diego, Gainesville, Miami, Chicago, Nova Iorque, nos EUA, em Genebra, na Suíça, em Daegu, na Coreia do Sul, a Tallinn, na Estônia, a Islamabad, no Paquistão, e em São Paulo e no Rio de Janeiro, no Brasil. Iope participou do desafio remotamente, operando supercomputadores do GridUnesp, no NCC, localizado no Instituto de Física Teórica, no câmpus da Barra Funda.

O HEP conseguiu sustentar por uma hora um fluxo total de dados de mais de 110 Gbps entre os supercomputadores, chegando a um pico de 119 Gbps. A conexão paulista foi uma das que mais contribuiu com o fluxo de dados. O tráfego entre os servidores instalados no NCC e os servidores em Portland permaneceu estável em torno de 6 Gbps durante toda a demonstração, um valor acima da média geral, um feito notável, comemora Iope. A demonstração foi possível graças ao uso de ligações de 10 Gbps entre as institutições participantes. A ligação entre São Paulo e Miami é financiada pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e pela Rede Acadêmica em São Paulo (ANSP), um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Logo após a demonstração, Iope propôs aos colegas do Caltech e do CERN que seria possível bater outro recorde, o de transmissão de dados entre os hemisférios Norte e Sul. O recorde foi quebrado com uma taxa de transmissão de dados de 16,4 Gbps (8,2 Gbps nos dois sentidos) entre o NCC e o estande na SC09.

Mais importante que o recorde internacional é o nacional, considera Luis Fernandez Lopez, coordenador da ANSP. É a primeira vez que se transmite mais que 8 Gbps em uma rede de pesquisa no país. De acordo com o pesquisador, demonstrações como essa são como as corridas de F1. O que hoje acompanhamos como esporte pode estar no mercado nos próximos anos.

Segundo Iope, os recordes provam que é uma questão de tempo para que a transmissão de dados entre supercomputadores alcance os mil gigabits por segundo (1 Terabit por segundo). É só uma questão de juntar mais recursos, do ponto de vista tecnológico, não há impedimento.