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Jornal da Unesp online

Unesp lança maior rede de supercomputadores do país

Publicado em 25 setembro 2009

Começa a funcionar nesta sexta-feira (25/09), em São Paulo, a maior rede brasileira de supercomputadores do país. O GridUnesp é considerado um marco brasileiro no uso da computação de alto desempenho e de redes ópticas de longas distâncias para pesquisa científica.

A rede integra 2.944 unidades de processamento. Destas, 2.048 estão no núcleo principal, no câmpus da Barra Funda da Unesp, em São Paulo, com capacidade de desempenho teórico de cerca de 23,2 teraflops (trilhões de cálculos por segundo).

Será de 33,3 teraflops a capacidade teórica total do sistema formado pelo núcleo principal e pelos sete pólos de acesso, cada um com 128 processadores, nos câmpus da Unesp em Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro, São José do Rio Preto e também na capital paulista, junto ao central.

O novo complexo permitirá o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento e armazenamento de dados em diversos campos da investigação científica, como sequenciamento genético, previsão do tempo, modelagem molecular e celular, reconstrução de imagens médicas, desenvolvimento de novos materiais, segurança de redes de dados, química quântica e física de altas energias. Nesta última área, o grupo liderado por Sérgio Ferraz Novaes, coordenador do GridUnesp, já desenvolve trabalhos em parceria com centros internacionais de pesquisa científica de ponta como o LHC, inaugurado no ano passado na Suíça.

Investimentos

O projeto recebeu um investimento de R$ 8 milhões, dos quais R$ 4,4 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e R$ 3,6 milhões da própria Universidade. Dos recursos da agência federal, R$ 3 milhões foram usados na aquisição dos oito conjuntos de processadores e R$ 1,35 milhão para a ampliação da rede de fibras ópticas Kyatera, que interliga, em caráter experimental, vários centros de pesquisa do estado de São Paulo.

Os R$ 3,6 milhões da Reitoria foram aplicados em obras na Barra Funda, na aquisição de equipamentos de apoio, como os de refrigeração e de energia elétrica.

A computação em grid (grade, em português) é um conceito relativamente novo, no qual o poder de processamento de muitos clusters (aglomerados de computadores interconectados) se une para obter um desempenho muito superior ao que se conseguiria caso os clusters fossem mantidos isolados.

"A implantação do GridUnesp é o passo decisivo para posicionar a universidade no patamar do compartilhamento de dados científicos em alto nível de desempenho computacional", afirma Herman Jacobus Cornelis Voorwald, reitor da Unesp. "É o resultado do reconhecimento da consolidação e da elevada capacidade de diversos grupos de pesquisa".

Os computadores do GridUnesp utilizam processadores Intel Xeon de quatro núcleos e foram adquiridos da Sun Microsystems do Brasil. A seleção da empresa foi realizada com rigorosa observação das exigências da Lei de Licitações e Contratos e foi precedida por uma ampla consulta a companhias especializadas em processamento computacional de alto desempenho.

A definição das especificações e a análise das propostas técnicas e comerciais foram acompanhadas por uma comissão multi-institucional formada por especialistas na área.

Novaes, que também é professor do Instituto de Física Teórica (IFT), no câmpus da Barra Funda, destaca que essa aquisição foi muito vantajosa para a Unesp não só no aspecto tecnológico, mas também no econômico, pois o custo final foi inferior ao previsto e permitiu realizar outras despesas com equipamentos de apoio e redes de alta velocidade.

Conexões externas

A rede KyaTera, concebida pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), se equipara ao que existe de mais avançado no mundo em desempenho de redes com tecnologia de transmissão óptica. Sua ampliação foi realizada com a aquisição de equipamentos desenvolvidos pela Padtec, empresa que atua no desenvolvimento de alta tecnologia na área de redes ópticas.

Na capital, a rede KyaTera foi redimensionada de forma a incluir o novo câmpus da Unesp na Barra Funda no anel metropolitano que liga diversas universidades e institutos de pesquisa, entre elas a USP, a PUC, a Universidade Mackenzie, o InCor, a Unifesp, a UFABC, além do Hospital Sírio Libanês e da Fapesp.

No interior foram criados novos enlaces de fibra, prolongando a malha óptica até Ilha Solteira, no noroeste do Estado de São Paulo. As unidades da Unesp em Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, São José do Rio Preto e Rio Claro estão sendo conectadas a Araraquara com velocidade de 1 Gbps (gigabits por segundo), sendo o tráfego agregado transmitido até o data center e ao enlace internacional a 10 Gbps.

Outro benefício proporcionado pelo projeto GridUnesp é a instalação de um novo gateway no câmpus da Barra Funda que permitirá o tráfego de Internet através da rede MetroSampa, patrocinada pela RNP e que também conta com o financiamento da Finep. O projeto inclui também um investimento para aumento da largura de banda em parte do anel MetroSampa, que subirá dos atuais 1 Gbps para 10 Gbps, beneficiando todas as unidades da Unesp na capital (Reitoria, IA e IFT), que poderão contar com um canal de acesso à Internet em 10 Gbps.

O GridUnesp também se conecta ao Open Science Grid, dos Estados Unidos, por meio do enlace WHREN-LILA, uma conexão óptica de alta velocidade entre São Paulo e Miami, que teve sua largura de banda recentemente aumentada para 10 Gbps. A conexão de alta velocidade com os EUA permitirá importantes iniciativas com grupos de pesquisa no exterior.

Assessoria de Comunicação e Imprensa