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Unesp/ Jaboticabal pesquisa diferenciação genética do veado mateiro

Publicado em 30 janeiro 2006

O Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos, Nupecce, da Faculdade de Ciências Agrárias e veterinárias da Unesp, campus de Jaboticabal, sob coordenação do docente José Maurício Barbanti Duarte, vem desenvolvendo a pesquisa Diferenciação genética, morfológica, comportamental e ecológica de três citótipos de Mazama americana: uma abordagem completa na busca da existência de fatores de isolamento reprodutivo como base para caracterização de novas espécies do gênero Mazama.
Iniciado em 2004 e com previsão de término para 2010, o projeto surgiu da falta de estudos do gênero e espécie Mazama Americana (o veado mateiro). A proposta é a descoberta de subespécies ou a descoberta de novas espécies pertencentes a este gênero, levando em conta o citótipo, ou seja a constituição cromossômica distinta de cada espécie. O projeto consiste em estudar os animais em vários aspectos, para isso há frentes de estudos em diferentes linhas: Reprodução, Genética e Ecologia Básica, explica Barbanti.
Através das gerações de conhecimento das espécies e da detecção dos problemas enfrentados por ela, o Nupecce procura gerar respostas e propor soluções para esses problemas, fornecendo ferramentas para a sua conservação, seja ela de forma direta ou indireta, através de ações sobre as populações, ou de forma indireta, através da influência no estabelecimento de políticas públicas.
Na genética são utilizadas técnicas a tempos consolidadas, como a citogenética e técnicas atuais como a análise de DNA fecal e o desenvolvimento de marcadores moleculares, através do uso de bibliotecas genômicas enriquecidas.
Para obtenção das amostras de fezes de ambientes naturais, o grupo utiliza cães farejadores, especialmente treinados para este fim, os quais encontram e indicam a localização das fezes nos campos para que estas sejam coletadas e encaminhadas para o laboratório.
Além da confirmação da ocorrência de uma espécie em um determinado local, a Genética vem sendo utilizada para a caracterização da variação genética existente nas populações naturais e cativas.
Na reprodução são desenvolvidas desde pesquisas básicas, como a determinação do ciclo reprodutivo, até pesquisas onde é preciso grande domínio tecnológico, como a Reprodução Assistida, através da sincronização de cio, superovulação, colheita e estocagem de sêmen e monitoramento hormonal através de dosagens de hormônios fecais.
Nos estudos ecológicos, diversas ferramentas, como o uso de rádios transmissores, câmeras fotográficas e sobrevôos são empregados para a determinação da área de vida dos animais, preferência de habitat, deslocamento e dispersão, composição de grupos, hábitos e estimativas populacionais.
Além dessas três áreas principais, ainda há pesquisas relacionadas a doenças infecciosas e parasitárias, patologia clínica, patologia, anestesiologia, nutrição e etologia. Por volta de trinta pesquisadores, entre professores pesquisadores, pós-graduandos e alunos de iniciação científica, trabalham no projeto.
As vantagens do projeto estão em buscar mudar o paradigma da taxonomia mundial, que é basicamente morfológico. É um projeto inovador no campo de identificação de espécies, diz Barbanti. Ele inter e multidisciplinar, pois envolve profissionais de diversas áreas, Medicina Veterinária, Zootecnia e Biologia, o que permite conhecimentos mais abrangentes.
O projeto é desenvolvido em parceria com Institutos de Pesquisas e universidades internacionais dos EUA, Uruguai e Argentina, além da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). O objetivo é propiciar ferramentas para desenvolvimento de políticas públicas para programas de conservação.
Os pesquisadores apontam que há dificuldades de parcerias com empresas devido ao preconceito com a espécie, já que o animal é associado ao homossexualismo e empresas não querem ter o nome associado ao tema. Por este motivo, um projeto de pesquisa de uma espécie tão importante para os biomas brasileiros é prejudicado, comenta Ives Rodolfo Fernandes, aluno do curso de Zootecnia da Unesp, em Dracena.
Informações: Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos ? NUPECCE www.fcav.unesp.br/departamentos/zootecnia/nupecce/
Fonte: Unesp
Fonte: Unesp