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Informe MS

Unesp instala central de computadores com mais de 2 mil processadores

Publicado em 09 junho 2008

Hoje, 9 de junho marcará uma importante data para o avanço do conhecimento e da pesquisa científica na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Será o início da implantação, dentro do Programa de Integração da Capacidade Computacional da Unesp (GridUnesp), de uma das maiores infra-estruturas computacionais de alto desempenho na América Latina.

O sistema central desse conjunto de clusters (aglomerados de computadores) interconectados será instalado em São Paulo, capital. Com 2.048 processadores, terá capacidade de desempenho teórico de cerca de 23,2 teraflops (trilhões de cálculos por segundo) – a capacidade real será conhecida após a instalação.

Junto com outros equipamentos, a serem instalados no interior paulista (Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro e São José do Rio Preto), no total serão 368 servidores, com capacidade de processamento teórico de 33,3 teraflops.

“Estimamos que apenas o cluster central na capital paulista esteja perto da centésima posição no ranking mundial dos 500 maiores supercomputadores do mundo”, disse Sérgio Ferraz Novaes, coordenador geral do GridUnesp, à Agência Fapesp.

A intenção é permitir a grupos de pesquisa da universidade o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento, de análise e de armazenamento de grandes quantidades de dados, que reduzirão o tempo de cálculo em linhas de pesquisas como seqüenciamento genético, meteorologia, química quântica e física de altas energias.

O GridUnesp é o terceiro grande sistema computacional a ser implantado no Brasil desde o início do ano, após o supercomputador do Centro Nacional de Processamento de Alto Desempenho (Cenapad) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Netuno, computador de alto desempenho para uso acadêmico instalado no Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“O Brasil tem hoje uma demanda enorme e crescente de pesquisas que implicam a evolução do conceito de grid [grade] em todo o mundo. Os problemas científicos necessitam cada vez mais da produção de maior quantidade de dados, que devem ser filtrados e armazenados em um espaço de tempo menor e factível”, disse Novaes.

Para ele, esses problemas na maior parte das vezes fogem do controle dos pesquisadores e são impostos no decorrer dos estudos. “Em editorial em março, a revista Nature conclamou países de todo o mundo a investir com urgência em supercomputadores voltados a previsões meteorológicas, ao apontar que essa é uma demanda inadiável e que pode representar a sobrevivência do planeta”, salientou.

“Hoje, a capacidade de predição ambiental, por exemplo, está totalmente limitada pela capacidade de processamento de dados”, disse o professor do Instituto de Física Teórica da Unesp. Segundo ele, o conceito de computação em grade decolou nos últimos anos, quando a velocidade de transmissão de dados começou a crescer muito mais rapidamente do que a capacidade de processamento de dados.

“Com esse conceito as redes ópticas de alta velocidade de diversos países começaram a processar dados de forma global, como se existisse um grande computador espalhado pela Terra e cujos processos são distribuídos conforme a disponibilidade das máquinas. Se eu sei que um trabalho rodará mais rapidamente no Japão, por exemplo, deixo de executar esse serviço aqui no Brasil e o envio àquele país”, explicou.

Grade internacional

Segundo Novaes, nesse contexto de uso conjunto da capacidade tecnológica mundial, o GridUnesp fechou uma parceria com o Open Science Grid (OSG), que engloba a estrutura computacional em grade em mais de 50 centros interconectados nos Estados Unidos.

“O OSG é interligado e compartilha recursos computacionais com estruturas de grid de outros países na Europa, Ásia e América Latina”, disse.

O GridUnesp será conectado à Internet2 norte-americana – rede de alta velocidade que está sendo desenvolvida e utilizada por mais de 200 universidades – por meio da rede MetroSampa, que interliga instituições de educação, cultura e pesquisa na região metropolitana de São Paulo.

Inicialmente poderão utilizar a capacidade instalada no GridUnesp apenas professores e alunos da universidade. “Mas, além do fato de fazermos parte de uma rede mundial, o que implica o compartilhamento de nossa estrutura física, outras universidades e institutos de pesquisa do Brasil também deverão se beneficiar. A idéia é que o GridUnesp seja a semente de uma estrutura maior por todo o Estado de São Paulo”, salientou Novaes.

A conexão do GridUnesp entre os clusters no interior de São Paulo será feita pela rede KyaTera, desenvolvida no Programa Tecnologia da Informação no Desenvolvimento da Internet Avançada (Tidia) da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo). A implantação dos clusters da Unesp custou R$ 3,1 milhões e contou com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

O GridUnesp foi desenvolvido por meio de convênio entre a Finep, a Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp) e a Unesp. Todas as máquinas do cluster estão sendo fornecidas pela empresa Sun Microsystems do Brasil.

Agência Fapesp