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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Unesp inicia obra para tratar esgoto

Publicado em 23 dezembro 2008

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru tratará seu esgoto em um sistema inovador, dentro de um parque para visitação da comunidade. Para isso, os resíduos serão despoluídos em um processo que não exala o odor insuportável das lagoas e propicia o reaproveitamento da água. O contrato de construção foi assinado, ontem, para início das obras em janeiro próximo.

O projeto, denominado Parque de Educação Ambiental dos Alagados Construídos, é inédito no continente americano e só possui similar na Europa. O tratamento evitará que aproximadamente 120 metros cúbicos de esgoto in natura sejam despejados, diariamente, no córrego Vargem Limpa. O parque terá uma área para pesquisas e propiciará, educação ambiental, praticas esportivas (caminhada e corrida) e passeios.

O projeto multidisciplinar envolve as três faculdades do câmpus, sob coordenação dos professores Eduardo Luis de Oliveira, da Faculdade de Engenharia de Bauru (FEB), Jandira Liria Biscalquini Talamoni, da Faculdade de Ciências (FC), e Marta Enokibara, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac).

A idéia de tratar o esgoto em um parque atrai o interesse de pequenas cidades da região de Bauru, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e de outros campus da universidade. Oliveira explica que o sistema desenvolvido é ideal para municípios com 15 mil a 20 mil habitantes.

O tratamento de esgoto da Unesp tem capacidade superior aos dejetos produzidos por 5 mil alunos de graduação e pós-graduação, 1 mil funcionários e 500 professores. O sistema tratará também o esgoto da base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM-I) de Bauru.

O presidente do Grupo Administrativo do Campus (GAC), Henrique Luiz Monteiro, destaca que a proposta é a contribuição efetiva da universidade pública para a população. Ele acrescenta que está previsto um corredor de fauna que interligará a área da floresta urbana, próxima da Unesp, passando ao lado do parque e adentrando na área de proteção ambiental (APA) do campus, constituída por 120 hectares, que fica do outro lado da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú).

Reuso da água

O tratamento de efluentes desenvolvido na Unesp de Bauru apresenta vários ganhos ambientais por ser natural, sem recorrer a produtos químicos. O esgoto recolhido em um tanque passa por uma mistura de areia, terra e pedregulhos de várias dimensões, em um processo de sedimentação. A parte líqüida prossegue numa viagem pelos alagados, onde bactérias aeróbicas (que usam oxigênio) e anaeróbicas (que não usam) agem resultando em uma água rica, principalmente, em nitrogênio, fósforo e potássio. Em seguida, irá para duas lagoas e, posteriormente, é bombeada para um reservatório para reuso.

Oliveira explica que essa água não serve para o consumo, porém será completamente reutilizada nos jardins espalhados pela universidade, no gramado do campo de futebol e na lavagem de pisos. Ele cita que, numa fase posterior, há a proposta de utilizar água despoluída na descarga dos vasos sanitários.

Oliveira destaca que, desde 2004, o sistema de despoluição por meio de alagados foi implantado no Jardim Botânico e serviu para desenvolver a tecnologia do reuso d’água. Ele comenta que o sistema já é pesquisado há 50 anos. No câmpus da Unesp, os estudos começaram no início desta década, com a formação do Grupo de Pesquisa e Estudos em Alagados Construídos, integrado pelos professores das três faculdades.

Parcerias

O sistema de tratamento de esgoto custará, ao todo, R$ 700 mil, sendo R$ 350 mil provenientes de um convênio com o Banco Real e R$ 150 mil da Reitoria da Unesp. Outros R$ 200 mil estão sendo pleiteados junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Ainda serão necessários mais cerca de R$ 200 mil para a implantação de laboratórios, que devem ser disponibilizados pela Reitoria da Unesp.

Assinaram o contrato de construção, ontem, o presidente do Grupo Administrativo do Campus (GAC), Henrique Luiz Monteiro, José Munhoz, diretor-administrativo da Administração Geral do Campus, Deodato Enz, gerente do Banco Real, e Waldomiro Moreira Filho, diretor da Walp Construções e Comércio Ltda, empresa vencedora da licitação pública para a obra. Deodato comentou que a instituição financeira fala muito em crescimento com sustentabilidade e por isso foi atraída para investir na proposta da Unesp.

O início da construção do Parque de Educação Ambiental dos Alagados Construídos, previsto para janeiro do próximo ano, representa a concretização de uma proposta antiga. Há cerca de um ano e meio, Monteiro conheceu a idéia ao assumir a presidência do GAC. Em seguida, começou a negociar com a Pró-Reitoria Administrativa da universidade e com a direção do Banco Real para conseguir viabilizar os recursos.