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Universia Brasil

Unesp inaugura rede de computação de alto desempenho

Publicado em 28 setembro 2009

Por Larissa Leiros Baroni

A Unesp (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho) inaugurou na última sexta-feira, 25 de setembro, a maior rede de computação de alto desempenho para pesquisa científica da América Latina. O GridUnesp integra 2.944 unidades de processamento com capacidade de desempenho teórico de cerca de 23,2 teraflops, o que permite 33,3 trilhões de cálculos por segundo. Ao todo, foram investidos R$ 8 milhões no projeto.

Os programas do núcleo principal do GridUnesp, no campus da Barra Funda, bem como dos sete pólos de acesso espalhados nos campi de Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro, São José do Rio Preto e São Paulo foram interligados por Herman Jacobus Cornelis Voorward, reitor da instituição, durante a cerimônia de inauguração. "O projeto posicionará a universidade no patamar do compartilhamento de dados científicos em alto nível de desempenho computacional. Além disso, nos coloca como referência no País", afirmou Voorward, que atribui o pioneirismo ao trabalho de diversos grupos de pesquisa da Unesp. "Resultado alcançado ao longo de cinco anos", disse ele.

A iniciativa, segundo o reitor, se diferencia das demais experiências brasileiras ou latino-americanas ligadas à área de alto desempenho pelo seu potencial de armazenamento e principalmente pela capacidade de distribuição. "Por estar estrategicamente espalhado em diversas cidades paulistas, o sistema é capaz de alcançar todo o Estado de São Paulo", explicou Voorward.

Com o poder de processamento de muitos clusters (conjunto de computadores), a computação em grid (grade, em português) se une para obter um desempenho muito superior ao que se conseguiria caso os clusters fossem mantidos isolados. É o que explica o pesquisador e engenheiro de sistemas Gabriel Araújo Von Winckler. "A capacidade de armazenamento do GridUnesp equivale a uma pilha de DVD no tamanho de um prédio de 18 andares. Já sua rede é cinco mil vezes mais rápida do que um computador de 2 MB", comparou ele.

O potencial do sistema é intensificado a partir da parceria instituída com o OSG (Open Science Grid), dos Estados Unidos. De acordo com Von Winckler, a cooperação possibilitará uma conexão ótica de alta velocidade entre São Paulo e Miami, com uma banda larga de 10 Gbps. "Caso a capacidade de armazenamento e processamento do GridUnesp seja esgotada, os projetos brasileiros serão rodados no sistema estadunidense", explicou. Na opinião dele, a conexão também viabilizará a parceria com grupos de pesquisa no exterior.

O novo complexo poderá ser usufruído pelos mais variados campos da investigação científica. No entanto, a princípio, o uso será restrito aos pesquisadores da Unesp. "A infra-estrutura foi implementada para atender às demandas da universidade, mas ao mesmo tempo, é uma propriedade aberta. Só precisamos discutir como podemos ampliar o acesso às demais instituições paulistas", disse o coordenador do GridUnesp, Sérgio Ferraz Novaes. Apesar de 14 grupos de pesquisas da universidade paulista já terem demonstrado interesse em utilizar o sistema, o GridUnesp ainda não opera nenhum trabalho. "Um edital interno de seleção será lançado nos próximos dias", revelou Novaes.

Parcerias

Para transformar o GridUnesp em uma realidade, a Unesp investiu R$ 3,6 milhões e contou com a parceria da FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), e da Fapesp (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo). Enquanto a verba da universidade viabilizou a construção do campus Barra Funda e a aquisição de equipamentos de apóio, como os de refrigeração e de energia elétrica, os R$ 4,4 milhões do governo federal foram destinados à compra de oito conjuntos de processadores e à ampliação da rede de fibras ópticas KyaTera.

A parceria com a agência paulista viabilizou a utilização da rede KyaTera, que interliga, em caráter experimental, vários centros de pesquisa do estado de São Paulo. Na capital, a rede foi redimensionada de forma a incluir o novo campus da Unesp na Barra Funda no anel metropolitano que liga diversas universidades e institutos de pesquisa: USP (Universidade de São Paulo), PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Mackenzie, InCor (Instituto do Coração), Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), UFABC (Universidade Federal do ABC), Hospital Sírio Libanês e a Fapesp. "Expansão que viabilizará a criação de diversas outras parcerias", declarou Novaes.