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Diarioweb (São José do Rio Preto)

Unesp identifica 5 novas espécies de inseto

Publicado em 09 março 2012

Por Maria Stella Calças

Uma pesquisa da Unesp de Rio Preto identificou cinco novas espécies de insetos na região de Rio Preto e encontrou outras duas (que até então só tinham sido encontradas na América Central), além de dezenas de espécies de ácaros e três fungos desconhecidos. Além da descoberta das novas espécies, a pesquisa, que durou cinco anos e recebeu investimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) de R$ 1,5 milhão, também mapeou 1,8 mil exemplares de 14 espécies de plantas, animais, algas e micro-organismos existentes em 18 trechos de matas nativas em 16 cidades da região noroeste. "O intuito era fazer o mapeamento da diversidade na região e fornecer subsídios para propor formas de preservação dessas áreas, que estão em propriedades particulares", explica o coordenador da pesquisa, professor Orlando Necchi Júnior.

Segundo ele, a região já tinha sido indicada pelo projeto Biota, da Fapesp, como uma das prioritárias para esse tipo de levantamento. Os cerca de 100 pesquisadores (entre professores e alunos) envolvidos no trabalho, visitaram matas nativas de propriedades privadas entre as cidades de Matão e Turmalina, e tiveram uma grande surpresa ao encontrar espécies inéditas e também outras que eram consideradas inexistentes na região. "A gente imaginava que todas as matas teriam mais ou menos as mesmas espécies, e espécies que já tínhamos registro na região, mas a nossa surpresa foi que cada uma delas tem seu ecossistema muito diferente da outra, com poucas espécies em comum, e também muitas espécies novas", afirma Necchi.

Ele também acredita que a legislação deve criar algum tipo de incentivo para esses proprietários que mantiveram as reservas, mesmo sem a obrigação legal. Com essas descobertas, os pesquisadores afirmam que é possível pensar em uma ampliação dessa biodiversidade. "É possível pensar em ligar essas matas entre si com várias reservas legais, formando um corredor ecológico que poderia ampliar a diversidade das espécies em toda a região", diz o pesquisador. Responsável pela pesquisa relacionada aos insetos, o professor Fernando Barbosa Noll, também da Unesp de Rio Preto, afirma que a descoberta é muito valiosa para a região.

"Do ponto de vista biológico, a importância (da descoberta) é pequena, porque inseto é o maior grupo de seres vivos do planeta, mas do ponto de vista local é extremamente importante, porque se pensarmos o nível de degradação que nossa região já sofreu e ainda assim ter conservado espécies até desconhecidas, é uma grande descoberta", diz. As novas espécies de insetos foram encontradas em matas de Sales e ainda estão sendo catalogadas pela equipe. No dia 16 de março, será lançado um livro com os resultados dos cinco anos de pesquisas, no Sesc de Rio Preto.