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UNESP ganha sequenciador de DNA

Publicado em 30 outubro 2011

São Paulo -  A Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinária da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, colocou, recentemente, em atividade uma central de sequenciamento de informações genéticas.

A criação do centro foi possível graças à aquisição de um equipamento chamado HiScan, cuja importação dos Estados Unidos – no valor de US$ 1,18 milhões – contou com o apoio da FAPESP na modalidade Auxílio a Projeto de Pesquisa - Programa Equipamentos Multiusuários.

A máquina atua como um scanner, analisando o material genético contido em um chip de alta densidade e que tem a mesma função de uma lâmina.

O equipamento faz o sequenciamento com velocidade superior aos métodos adotados no país até então. Ele também destaca com precisão os Single Nucleotide Polymorphism (SNPs) ou polimorfismos de base única, que são os marcadores genético-moleculares.

O chip utilizado é capaz de mostrar uma variedade alta de SNPs. Ao identificar essa grande quantidade de marcadores, a tecnologia permite que os cientistas façam uma série de aplicações, como verificar mutações genéticas e selecionar indivíduos com determinadas características para reprodução e melhoramento da espécie.

"Nós já fazíamos isso antes, mas dependíamos de laboratórios dos Estados Unidos, para onde tínhamos que enviar nossos materiais para análise", disse a bióloga Eliana Gertrudes de Macedo Lemos, professora do Departamento de Tecnologia da FCAV, ao site da universidade.

O equipamento da Unesp atenderá tanto a demandas dos pesquisadores envolvidos nos projetos da universidade como as de estudiosos de outras instituições, públicas ou privadas, inclusive de empresas e produtores.

E a aquisição, segundo a professora, beneficiará também diferentes áreas do conhecimento, entre as quais biotecnologia, melhoramento genético animal e agropecuária.

Dois projetos de grande porte da Unesp foram viabilizados com a aquisição da máquina e já estão em curso. Um deles é uma análise de material genético de mais de 6 mil gados de corte, uma busca pelo melhoramento da carne bovina que ampliará o alcance do primeiro estudo.

O outro é a genotipagem do Mico-leão-de-cara-preta (Leontopithecus caissara), iniciativa realizada em parceria com o Zoológico de São Paulo. "Esse primata está ameaçado de extinção.

Ao fazer a genotipagem, podemos evitar cruzamentos de indivíduos com parentesco", explicou Eliana. "Isso permitirá uma melhoria genética e mais chance de sobrevida dos animais que nascerem após a seleção."