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Universia Brasil

UNESP é pioneira no mapeamento do genoma do búfalo de rio

Publicado em 11 setembro 2007

O estabelecimento de um mapa genômico para todos os cromossomos do búfalo de rio é o objetivo de um projeto de pesquisa realizado no Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (Ibilce) da UNESP, campus de São José do Rio Preto, em colaboração com a UNESP de Jaboticabal e com instituições de diferentes países, tais como Estados Unidos, Alemanha, Índia, Itália e Canadá. O projeto é coordenado pela docente do Ibilce Maria Elisabete Jorge Amaral, líder do Laboratório de Genômica Comparativa do Instituto.

Atualmente, Amaral realiza pós-doutorado, financiado pelo CNPq, na Texas A&M University, nos Estados Unidos, o que se configura como a etapa 2 do projeto. Na primeira fase, foi construída uma ferramenta genômica de última geração para o mapeamento do genoma do búfalo de rio ou bubalino (Bubalus bubalis). O empreendimento, iniciado no Ibilce em 2004, foi possível graças ao financiamento da FAPESP e da fundação americana National Science Foundation.

Segundo Amaral, essa ferramenta genômica consiste de um painel celular de 90 linhagens de células somáticas de hamster contendo fragmentos de todo o genoma do búfalo de rio. "Esse tipo de ferramenta tem sido extensivamente utilizada no mapeamento das principais espécies de animais de interesse econômico desde o final da década de 90, quando a tecnologia foi originalmente empregada no mapeamento do genoma humano", explica.

A fase 1 do projeto caracterizou-se pela iniciativa pioneira na construção dessa ferramenta para o mapeamento do genoma bubalino. "Isso garante a possibilidade de obtenção de informações do genoma nunca antes possível, gerando resultados passíveis de publicação em periódicos de impacto internacional, destacando o Brasil na liderança mundial nos estudos genômicos dessa espécie", avalia a docente.

Na segunda fase, Amaral atua como coordenadora geral do projeto, no qual estão envolvidos alunos de pós-graduação sob sua orientação, além de renomados pesquisadores de instituições e universidades dos países citados. "Um dos pontos estratégicos da fase 2 foi estabelecer uma rede internacional para o mapeamento do genoma bubalino, cujos resultados poderão ser utilizados na implementação de rebanhos de búfalo e/ou na área da genômica comparativa", afirma.

De acordo com Amaral, a parte experimental da Fase 2 do projeto será realizada em conjunto com os alunos do Ibilce e com todos os colaboradores internacionais envolvidos. "Pretendemos mapear no mínimo três mil marcadores de DNA no genoma bubalino. A análise estatística e a construção dos mapas do genoma bubalino serão realizadas nos EUA. Para tanto, os laboratórios da rede internacional irão enviar os dados de mapeamento para o laboratório no qual me encontro", explica a docente, direto da Texas A&M University.

Após o recebimento dos dados, a docente irá computar, organizar e trabalhar com as informações juntamente com os pesquisadores do NIH (National Institutes of Health) e do NCBI (National Center for Biotechnology Information). Segundo Amaral, a parceria com o NIH existe desde 2005, enquanto que a parceria com o NCBI ocorreu este ano.

De acordo com Amaral, o estudo do genoma bubalino permite a localização e a manipulação de genes responsáveis por características de interesse econômico, tais como: resistência a parasitas, ganho de peso, produção de leite, fertilidade, intervalo entre partos, entre outros. "Esse conhecimento poderá ser aplicado na criação de estratégias racionais para otimizar a utilização e a conservação da disponibilidade da variabilidade genética em búfalos e no melhoramento genético desses animais, trazendo um maior retorno econômico para o setor", diz.

Dessa forma, a docente acredita que o trabalho desenvolvido será o ponto de partida para a inclusão do búfalo pela comunidade cientifica nos estudos genômicos de animais de interesse econômico. "Considerando que o início dos estudos genômicos do búfalo se deu a partir de iniciativa brasileira, mais precisamente no Ibilce, esperamos continuar avançando as fronteiras e despertar ainda mais o interesse dos alunos em continuar desenvolvendo projetos na nova linha de pesquisa estabelecida", declara.

O NCBI (National Center for Biotechnology Information) é um dos maiores bancos de dados públicos do mundo. Por isso, todos os dados obtidos com o mapeamento do genoma total bubalino serão disponibilizados na forma de links com bancos específicos do NCBI (MapViewer e UniSTS), além de links com diferentes fontes de informações sobre búfalos.

Amaral, juntamente com as pesquisadoras Dra. Donna Maglott e Dra. Melissa Landrum, do NCBI, já tem trabalhado na atualização da web page, cujo endereço é http://www.ncbi.nlm.nih.gov/projects/genome/guide/buffalo/. "O site permite o acesso a informações sobre búfalos para qualquer interessado da comunidade cientifica ou da população em geral", afirma.

Fonte: Unesp