Notícia

O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

Unesp de Rosana colabora em projeto de pesquisa

Publicado em 08 junho 2012

Em Rosana, seis estudantes do curso de Turismo da Universidade Estadual Paulista (Unesp) estudam a gestão de bens patrimoniais como parte  do projeto Memória Ferroviária, realizado pela universidade, em parceria com a Faculdade de Tecnologia (Fatec) e apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O estudo, de acordo com a Assessoria de Imprensa da Fatec, visa à "recuperação de um acervo centenário de documentos que contam a  história da ferrovia no oeste de São Paulo", o que inclui a Estrada de Ferro Sorocabana, que passava pela região e sustentou este nome até 1969. Até o momento, 19 mil itens, produzidos entre 1869 e 1971, já foram recuperados e o resultado deste trabalho pode ser conferido por meio do site www.memoriaferroviaria. com.br.

O coordenador do projeto e professor de História, Eduardo Romero de Oliveira, salienta a importância da pesquisa para a sociedade como um todo, e para os estudiosos em particular. A pesquisa teve início em 2009 e encontra-se na fase de coleta cartográfica, bibliográfica, digitalização e 3D.

De acordo com a gestora do Projeto Tecnologia e Cultura/Memória Ferroviária e coordenadora do mapeamento do acervo ferroviário do Complexo Fepasa Jundiaí, Lívia Maria Louzada Brandão, atualmente, dois professores e seis mestres'das Fatecs de Jundiaí e Itu (Centro Paula Souza), mais 18 alunos, também estão envolvidos no minucioso trabalho. "A biblioteca da faculdade jundiaiense tem um volume aproximado de 10 mil livros.   Só de fotos produzidas pelas empresas ferroviárias paulistas são 141 mil", destaca.

Conforme a faculdade, professores do ramo da Tecnologia da Informação (TI) estarão, nos próximos meses, orientando estudantes na elaboração de um programa que permita a construção de um banco de dados que reunirá os itens reunidos ao longo de três anos.  

Objeto de estudo

O coordenador do projeto explica que a grande quantidade de trabalho e o número limitado de professores engajados na iniciativa não permitem que uma pesquisa "mais ampla" seja realizada, portanto, os profissionais estão focados em pontos principais que sustentam o funcionamento das empresas ferroviárias, que existiram no século passado. Lembrando que a partir de 1970, a junção destas instituições formou a Ferrovia Paulista (Fepasa).  

Os objetos de estudo são: a Companhia Paulista de Estradas de Ferro, Estrada de Ferro Araraquara e Companhia Mogiana, Estrada de Ferro São Paulo – Minas, Noroeste do Brasil e Sorocabana, como citado. Em nossa região, o professor pontua a cidade de Presidente Epitácio, que foi uma ligação entre a ferrovia e navegação fluvial no Rio Paraná.   No local, o pesquisador expõe a presença de um dos pontos fluviais mais antigos do Estado, criado em 1907, e também a concepção de uma vila operária, estabelecida em 1927."É um ponto de referência, mas já está descaracterizado"; comenta.  

Pesquisa preliminar

Estes e outros pontos foram descobertos pelos estudiosos por meio de um levantamento realizado logo no início do projeto. "Desde então, o estudo se expande por interesses internos de conhecer a história das ferrovias, identificar a documentação", declara o coordenador.  Ele lembra que para descobrir a história das ferrovias que por aqui passaram, lançou mão de entrevistas e de jornais como O Imparcial, que já circula há mais de 70 anos na região. "A maior dificuldade é que alguns documentos estavam nas cidades, mas outros não. Tivemos que sair em busca deles", recorda.  

Relevância  

Para Oliveira, uma vez concluído, o estudo servirá como base para outros pesquisadores que almejam continuar estudando a história. ' "A pesquisa também' é uma forma de tornar pública e acessível uma documentação de interesse local, regional e até nacional", promove.   O coordenador finaliza que as cidades, principalmente do interior paulista, devem muito à estradas de ferro. "Muitos municípios só existem porque os trens permitiam que as pessoas chegassem até eles".