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Unesp de Ilha Solteira instala estações meteorológicas agrícolas

Publicado em 10 janeiro 2010

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Pernambuco (Facepe) darão suporte financeiro a um projeto idealizado pela Faculdade de Engenharia (FEIS), câmpus de Ilha Solteira. O projeto, que conta com parceria da Embrapa Semi-Árido (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), prevê a instalação de estações agrometeorológicas no agreste de Pernambuco e no noroeste paulista. Os recursos foram oferecidos dentro de um programa de apoio a pesquisas voltadas às mudanças climáticas globais.

Com o título "Modelagem da Produtividade da Água em Bacias Hidrográficas com Mudanças de uso da Terra", o projeto terá custo de R$ 333.913,50 na parte que será executada em São Paulo e de R$ 334.913,92 no lado pernambucano. "A Fapesp e a Facepe estavam dispostas a selecionar mais projetos e empregar até R$ 4 milhões, mas decidiram escolher apenas aqueles que não apresentavam nenhuma falha, o que torna o nosso desempenho ainda mais notável", afirma o professor Fernando Braz Tangerino Hernandez, da FEIS, autor e coordenador do estudo da Unesp.

O outro projeto contemplado é do Instituto Oceanográfico da USP intitulado "Vulnerabilidade da zona costeira dos estados de São Paulo e Pernambuco: situação atual e projeções para cenários de mudanças climáticas". A autoria é de Eduardo Siegle e Tereza Araújo.

Uso da água

O projeto proposto pela Unesp será implantado a partir de fevereiro deste ano e prevê a criação de sete estações agrometeorológicas no noroeste paulista - a universidade já mantém duas (uma em Ilha Solteira e outra em Marinópolis). O mesmo será feito na região do agreste pernambucano, sob a coordenação do pesquisador Antônio Heriberto de Castro Teixeira, da Embrapa Semi-Árido.

As estações meteorológicas ajudarão a desenvolver a agricultura irrigada dessas localidades porque oferecerão aos produtores rurais um mapa completo e em tempo real das condições climáticas da região. Com dados sobre a umidade relativa do ar e a taxa de evapotranspiração (perda de água do solo por evaporação e da planta por transpiração), o agricultor poderá aplicar seus recursos hídricos com planejamento. Isso evita prejuízos, como investimentos para ampliação da área irrigada sem água suficiente.

Para a montagem das estações serão importados equipamentos desconhecidos para muitos estudiosos brasileiros. Os professores e alunos de graduação e pós envolvidos no estudo terão que aprender a usá-los. A execução simultânea do projeto em duas localidades com ecossistemas diferentes também intensifica o aprendizado dos pesquisadores. "Eles poderão realizar intercâmbios e atuar em uma geografia totalmente diversa daquela a que estão acostumados", diz Hernandez.

"Efeito oásis"

Outro ponto de investigação será a medição do "efeito oásis" que uma região irrigada pode proporcionar a um microclima, isto é, a uma zona específica. Esse fenômeno se caracteriza pela diminuição da temperatura e pelo aumento da umidade e da evapotranspiração provocados pelo volume de água empregado e pelo crescimento da cobertura vegetal. "Vamos ter condições de estimar essa alteração, monitorando ainda melhor a disponibilidade de água", explica o professor.