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Folha da Região (Araçatuba, SP) online

Unesp de Ilha cria supercondutor

Publicado em 22 janeiro 2006

Por Fernanda Mariano
Ilha Solteira - Na correria do dia-a-dia, a Física pode parecer uma área muito distante da rotina social. A impressão é que ela está reservada aos estudiosos e às salas de aula. No entanto, as inovações e tecnologias desenvolvidas podem trazer melhorias para todos.
Um circuito impresso que conduz energia a 193 graus Celsius abaixo de zero é a mais nova invenção do Departamento de Física e Química, da Faculdade de Engenharia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Ilha Solteira. Dito assim, a criação pode não ter um peso significativo para a maioria das pessoas, mas quando se pensa que essa tecnologia aplicada na indústria pode baratear sistemas e serviços, a coisa muda de figura.
O experimento, que tem o apoio financeiro da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) possibilita o transporte de energia por longas distâncias sem desperdício. Para se ter uma idéia da importância da conquista, os modernos equipamentos da área médica só são possíveis com a utilização de supercondutores.
"Ele pode simplificar e baratear a produção da indústria elétrica e eletrônica", diz o coordenador do projeto, o físico Cláudio Luiz Carvalho. A criação é feita com um material cerâmico à base de bismuto, estrôncio, cálcio, cobre e oxigênio.
Supercondutores como o desenvolvido pela Unesp já são utilizados em modernos equipamentos da área médica. Para ser caracterizado como um supercondutor, o material não deve apresentar resistência na transmissão da corrente elétrica.
Os condutores à base de cobre comumente encontrados no mercado apresentam resistência elétrica e operam à temperatura ambiente, permitindo a perda em seu próprio aquecimento. A resistência de um material depende da temperatura: quanto menor a temperatura, menor a resistência.
"Para a indústria elétrica e eletrônica a utilização de supercondutores obtidos a partir dos processos desenvolvidos é vantajoso porque eles permitem a simplificação de vários outros procedimentos mais onerosos", comenta Carvalho.
No Brasil, os estudos para o desenvolvimento de novos materiais, chamados de óxidos supercondutores, começam a avançar para a aplicação industrial. O desafio do grupo liderado por Carvalho, que conta com a participação do mestrando Raphael Otávio Peruzzi, tem sido obtê-los em forma de filmes, usando técnicas mais baratas e que apresentem uma boa relação custo benefício. "Nossa idéia é tentar melhorar as películas para serem utilizadas em componentes eletrônicos", destaca o pesquisador.