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Agenciara (Araraquara)

UNESP de Araraquara inaugura o Centro de Pesquisa da Cachaça

Publicado em 13 agosto 2011

"A partir de agora, Araraquara passa a ser referência para São Paulo e para o Brasil, quando o assunto for produção de aguardente". A avaliação é do Deputado Estadual e Presidente do PT/SP, Edinho Silva, que participou na noite dessa quinta-feira, 11 de agosto, da inauguração do Centro de Pesquisa da Cachaça da Faculdade de Ciências Farmacêuticas - FCF da UNESP de Araraquara.

O Centro nasceu a partir de um projeto idealizado pelo Professor Doutor João Bosco Faria, quando atuou como Coordenador de Políticas Públicas Inovadoras da Prefeitura no primeiro mandato do então Prefeito Edinho Silva. O investimento total no centro de pesquisa foi de R$ 1,2 milhão, dos quais R$ 500 mil vieram do Ministério da Ciência e Tecnologia e R$ 300 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo - FAPESP.

Ex-aluno da UNESP, Edinho ressaltou o papel da universidade como desenvolvedora e propagadora do conhecimento e propulsora da economia. "Este centro de pesquisa é mais um símbolo da interação da UNESP com a comunidade, pois vai melhorar da qualidade de um produto brasileiro e agregar valor à cachaça, possibilitando sua exportação e melhorando, conseqüentemente, a qualidade de vida dos produtores", disse. Ele salientou ainda, que o centro de pesquisas se tornou realidade graças não apenas ao sonho, mas também à perseverança do Professor João Bosco Farias. "Acompanhei de perto o trabalho do João e, pelo menos três vezes, estivemos juntos em Brasília em busca de recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia", comentou.

Faria afirmou que o momento era de "alegria transbordante" pela concretização do projeto. "Aqui, vamos oferecer cursos de pós-graduação, mas também de capacitação e profissionalização aos pequenos produtores de cachaça. A proposta é melhorar a qualidade da cachaça produzida na região e, dessa forma, possibilitar a exportação do produto", explica. Instalado em prédio de 400 metros², no Campus da Faculdade de Farmácia, o Centro de Pesquisa da Cachaça conta com dois alambiques de 300 litros cada e um de 1000 litros de capacidade, além de um alambique de coluna. A unidade também conta com moenda própria e um conjunto de tonéis de carvalho para envelhecimento. De acordo com Faria, os equipamentos vão permitir a produção bidestilada e até a redestilação da cachaça, procedimentos que melhoram significativamente a qualidade do produto.

O Professor vem trabalhando em técnicas para melhoria da qualidade da cachaça desde 1982 e afirma que, neste período, já houve avanços entre produtores que participaram de cursos organizados pela UNESP em parceria com o SEBRAE. "Em Araraquara mesmo já há fabricante exportando por conta do nosso processo de envelhecimento do produto", comenta. O Diretor da Faculdade de Farmácia, Sandro Roberto Valentini, disse que o Centro de Pesquisa da Cachaça vai servir, também, para abrandar o preconceito em relação à bebida. "Consumida com moderação, a cachaça de alta qualidade, como a que as pesquisas aqui desenvolvidas vão buscar, não tem porque ser discriminada. Ao contrário, pode se tornar uma rica fonte de divisas para o Brasil se direcionada ao mercado internacional. Hoje, o Brasil produz 1,3 bilhão de litros de aguardente de cana por ano e só exporta 1% desse volume, a Escócia, que produz 300 milhões de litros, exporta 90% da produção", disse.

O Centro de Pesquisa da Cachaça já realiza, desde ontem, dia 12 e hoje,13 de agosto, o primeiro curso de capacitação. Com duração de 16 horas e fornecimento de certificado, o curso tem a participação de 120 pessoas, a maioria produtores da região. Um dos convidados como palestrante no curso é o professor doutor John Raymond Piggot especialista escocês em wisky e que, já há alguns anos, vem

se dedicando à pesquisa sobre a qualidade da cachaça brasileira. O Centro de Pesquisa também está presente na internet por meio do Portal da Cachaça. O espaço traz informações sobre a história da cachaça no Brasil, representatividade econômica do produto para o País, assim como trabalhos científicos sobre a bebida. O acesso é feito pelo link www.fcfar.unesp.br/portaldacachaca.

Redação

Fotos: Assessoria do Deputado