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Revista Frigorífico

Unesp conclui sequenciamento genético do zebuíno

Publicado em 01 agosto 2011

O sequenciamento genético da principal raça bovina do Brasil (Nelore) foi tema de um estudo inédito coordenado pelo professor José Fernando Garcia, da Faculdade de Medicina Veterinária da Unesp, campus de Araçatuba. A pesquisa, que contou com a participação de colaboradores internacionais, amplia as possibilidades de controle no processo de seleção dos melhores animais e de seus cruzamentos, propiciando, entre outros benefícios, a melhoria na qualidade da carne e do leite bovino brasileiro.

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, batendo a Austrália e a Argentina, entre outros. Cerca de 90% da carne produzida em solo nacional é de animais zebuínos.

O bovino de corte brasileiro (com exceção dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina) tem a genética zebuína na sua composição. "O objetivo da pesquisa foi oferecer à comunidade científica e técnica, o genoma de referência de um animal zebuíno, tão importante para as regiões tropicais".

A pesquisa, que teve a duração de dois anos, recebeu investimentos de cerca de US$ 500 mil, provenientes da Unesp e do edital 64 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O estudo consistiu no sequenciamento completo de uma das duas principais subespécies bovinas, a Bos prímlgenius indicus, também conhecida como o grupo zebuíno ou indiano. O touro escolhido para representar essa subespécie chama-se Futuro POI do Golias. Até então só se tinha concluído o sequenciamento da outra subespécie, a Bos primigenius taurus, denominada taurino ou europeu. O fato aconteceu em 2009, por intermédio de uma equipe internacional da qual Garcia também era integrante, e que consumiu US$ 50 milhões.

"Isso porque houve um grande desenvolvimento das tecnologias analíticas, que permitiu gerar mais informação, de forma mais rápida e com menor custo", compara o professor.

De acordo com o pesquisador, conhecer em detalhes o código genético de ambas subespécies propicia entender os fatores determinantes das características que diferem os taurinos dos zebuínos, para que em breve seja possível um melhor controle nos processos de seleção dos animais e de seus cruzamentos.

Os pesquisadores realizaram o sequenciamento, a montagem e as comparações entre os genomas das raças. Geraram, ainda, uma nova ferramenta analítica para testar o DNA dos bovinos chamada "SNP chip" de alta densidade. Essa tecnologia tem a capacidade de testar cerca de setecentos mil pontos do genoma, por meio da análise do DNA de um animal, revelando as diferenças existentes entre raças e indivíduos, permitindo simultaneamente o desenvolvimento do genoma e suas aplicações.

Com o conhecimento do catálogo completo das duas subespécies, será possível desenvolver novos testes de DNA para selecionar os melhores animais dentro de uma população, bem como identificar a existência das características mais importantes para uma qualidade aprimorada, como tamanho das peças das carnes, maciez, padrão de distribuição de gordura entre as fibras musculares e as depositadas nas carcaças.

Também será possível auxiliar na seleção para a resistência a parasitas e outras enfermidades e na tolerância ao calor, além de melhorar as tecnologias de rastreabilidade e certificação, condições exigidas para a liderança do setor.

As raças de zebuínos ocupam o sul da Ásia (índia e Paquistão), leste da África e América do Sul. No Brasil, desde o final do século 18, começaram a ocorrer importações de animais zebuínos oriundos da índia, que foram cruzados com os animais locais (de origem ibérica e africana), adaptando-se muito bem às condições do país. As principais raças zebuínas introduzidas e desenvolvidas no Brasil foram as que se convencionou chamar de Nelore e Gir.

Além do professor Garcia, a pesquisa é coordenada em conjunto com o pesquisador americano Tad Sonstegard, do Agricultural Research Service (ARS) e Departamento Americano de Agricultura (USDA). Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos EUA, e Università Cattolica Del Sacro Cuore, na Itália, também participaram do projeto.

As informações do sequenciamento são públicas e estarão disponíveis no portal do National Center for Biotechnology Information (NCBI).

Nota da Unesp, com edição da Revosta Frigorífico.