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Unesp conclui o genoma do boi zebuíno

Publicado em 09 agosto 2011

Atualmente, o Brasil é o maior exportador de carne do mundo, batendo a Austrália e a Argentina, entre outros. Cerca de 90% da carne produzida em solo nacional é de animais zebuínos. O boi de corte brasileiro (com exceção dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina) tem a genética zebuína na sua composição. "O objetivo da pesquisa foi oferecer à comunidade científica e técnica, o genoma de referência de um animal zebuíno, tão importante para as regiões tropicais".

PESQUISA

A pesquisa teve a duração de dois anos e investimentos de aproximadamente 500 mil dólares, provenientes da Unesp e do edital 64 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O estudo consistiu no sequenciamento completo de uma das duas principais sub-espécies bovinas, a Bos primigenius indicus, também conhecido como o grupo zebuíno ou indiano. O touro escolhido para representar essa sub-espécie chama-se Futuro POI do Golias e vive na região de Araçatuba.

Até então só se tinha concluído o sequenciamento da outra sub-espécie Bos primigenius taurus, denominada taurino ou europeu, realizada em 2009 (foto ao lado), por uma equipe internacional, em que Garcia também era integrante, e que consumiu 50 milhões de dólares. "Isso porque houve um grande desenvolvimento das tecnologias analíticas, que permitiu gerar mais informação, de forma mais rápida e com menor custo", compara o professor.

De acordo com o pesquisador, conhecer em detalhes o código genético de ambas sub-espécies propicia entender os fatores determinantes das características que diferem os taurinos dos zebuínos, para que em breve seja possível um melhor controle nos processos de seleção dos animais e de seus cruzamentos.

Os pesquisadores realizaram o sequenciamento, a montagem e as comparações entre os genomas das raças. Geraram ainda uma nova ferramenta analítica para testar o DNA dos bovinos chamada SNP chip de alta densidade. Essa tecnologia tem a capacidade de testar cerca de setecentos mil pontos do genoma, por meio da análise do DNA de um animal, revelando as diferenças existentes entre raças e indivíduos, permitindo simultaneamente o desenvolvimento do genoma e suas aplicações.

Com o conhecimento do catálogo completo das duas sub-espécies, será possível desenvolver novos testes de DNA para selecionar os melhores animais dentro de uma população; identificar a existência das características mais importantes para uma qualidade aprimorada, como tamanho das peças das carnes, maciez, padrão de distribuição de gordura entre as fibras musculares e as depositadas nas carcaças; auxiliar na seleção para a resistência a parasitas e outras enfermidades e na tolerância ao calor; além de melhorar as tecnologias de rastreabilidade e certificação, condições exigidas para a liderança do setor.

OS ZEBUÍNOS

As raças de zebuínos ocupam o sul da Ásia (Índia e Paquistão), leste da África e América do Sul. No Brasil, desde o final do século 18, começaram a ocorrer importações de animais zebuínos oriundos da Índia, que foram cruzados com os animais locais (de origem ibérica e africana), adaptando-se muito bem às condições do país. As principais raças zebuínas introduzidas e desenvolvidas no Brasil foram as que se convencionou chamar de Nelore (carne) e Gir (leite).

PARCERIA

Além do professor Garcia, a pesquisa é coordenada em conjunto com o pesquisador americano Tad Sonstegard, do Agricultural Research Service (ARS) e Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Pesquisadores da Universidade de Maryland, nos EUA, e Università Cattolica Del Sacro Cuore, na Itália, também participaram do projeto.

As informações do sequenciamento são públicas e estarão disponíveis no portal do National Center for Biotechnology Information (NCBI).

O QUE É GENOMA?

Genoma é toda a informação genética contida numa única célula. Cada célula de um indivíduo carrega no seu núcleo toda a informação de um genoma inteiro, distribuída em cromossomos --- longas fitas de DNA, que no caso do bovino são 29 XY e nos humanos 22 XY.

Um projeto genoma consiste em preparar DNA das células de um indivíduo, fragmentá-lo em pedaços pequenos (fitas de 100 nucleotídeos, que são as unidades formadoras das fitas de DNA -- adenina/A, guanina/G, citosina/C e timidina/T), descobrir as seqências de DNA desses fragmentos (ordem dos nucleotídeos) e montar o "quebra-cabeça" de forma a enxergar as sequências completas de todos os cromossomos.

Essa informação catalogada e organizada permite ter acesso as regiões que contém informações relacionadas às características de um indivíduo (onde estão os genes, que representam apenas 1% do genoma). Com esse "catálogo", é possível se guiar dentro do código genético dos indivíduos, comparando as diferenças entre eles e propondo respostas a variação que existe entre os organismos vivos.

Veja aqui mais informações na matéria publicada na edição de agosto da revista Unesp Ciência.

FONTE

Universidade Estadual Paulista

Assessoria de Comunicação e Imprensa da Unesp

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