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Cidadão SP

Unesp Botucatu oferece exame de audição em cachorros

Publicado em 07 fevereiro 2012

O Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ), Câmpus de Botucatu, é a primeira instituição veterinária do país a disponibilizar o exame auditivo canino em sua rotina de atendimentos. Criadores, proprietários e clínicas particulares podem procurar o serviço realizado pelo Laboratório de Eletroneurodiagnóstico. A deficiência auditiva em cães pode resultar em animais agitados, agressivos, com menor capacidade de interação social e difíceis de adestrar.

Em países da Europa e da América do Norte a realização de avaliação auditiva é essencial para comercialização de filhotes de raça. No Brasil, alguns criadores já adotaram o exame para identificar os animais com surdez congênita. Por valorizar o preço dos filhotes e aumentar a credibilidade do canil, a adoção da certificação da audição normal tende a ser implantada por mais estabelecimentos.

Denominado "avaliação do potencial auditivo evocado de tronco encefálico", o exame capta a atividade elétrica do sistema auditivo, gerada a partir de um estímulo sonoro. O procedimento tem duração de aproximadamente 10 minutos e o proprietário pode acompanhar tudo. Apenas em casos de animais muito agitados, pode ser necessária uma leve sedação para facilitar a avaliação. O teste também pode colaborar com a avaliação neurológica de cães.

A surdez pode afetar qualquer animal e suas causas são as mais diversas, como explica o professor Alexandre Secorun Borges, do Departamento de Clínica Veterinária da FMVZ. "Doenças congênitas, otite crônica, processos traumáticos que lesionam o conduto auditivo, uso de medicamentos tóxicos para a via auditiva e degeneração relacionada à idade avançada podem prejudicar a audição", alerta.

"Nos dálmatas, por exemplo, a surdez congênita pode ocorrer em cerca de 20% dos animais", destaca. O profesor acrescenta ainda que a perda de audição também tem sido observada em outras raças, como Boxer, Schnauzer, Poodle, Cocker spaniel, Pitt Bull, Bull terrier e Bulldog.

Para a realização dos exames é utilizado um equipamento de eletrodiagnóstico de última geração adquirido com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio de um projeto coordenado pelo Borges, do Departamento de Clínica Veterinária, e com a participação da mestranda Mariana Isa Poci Palumbo. A metodologia foi padronizada em conjunto com o professor Luiz Antonio de Lima Resende, da Faculdade de Medicina da Unesp.

Os interessados no agendamento de exames podem entrar em contato pelo e-mail maripalumbo@fmvz.unesp.br e asborges@fmvz.unesp.br.