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Revista Clinica veterinaria

Unesp apresenta gel para fratura em cães e gatos a investidores

Publicado em 16 setembro 2019

Por Assessoria de Comunicação e imprensa da UNESP

O pesquisador Rui Seabra Ferreira Júnior e seu orientando de pós-doutorado, Denis Jeronimo Svicero, do Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos (CEVAP) da Unesp, câmpus Botucatu, apresentaram a pesquisa de desenvolvimento de um gel, a base de fibrina (proteína existente no sangue, associada a células-tronco) que será utilizado para acelerar a cicatrização óssea em tratamento de fraturas, inicialmente em animais de pequeno porte, como cães e gatos, durante o Show Case Emerge Labs Eurofarma. Antes da apresentação para investidores, eles passaram seis semanas aprendendo estratégias de propriedade intelectual, planejamento de testes in vitro e testes clínicos, bem como a modelagem de negócio e transferência de tecnologia para alcançar escala industrial, associados à experiência de uma grande empresa.

O Emerge Labs 201, realizado em parceria com a Eurofarma (uma das 10 maiores empresas farmacêuticas do Brasil), selecionou 16 projetos, de 70 inscritos de 4 regiões do Brasil. A iniciativa é desenvolvida para cientistas que querem levar as pesquisas do laboratório ao mercado, gerando impacto social e desenvolvimento econômico.

“O trabalho que temos feito com a Emerge é o de apoiar cientistas-empreendedores e de criar uma comunidade de cientistas-empreendedores, mas, naturalmente, impulsionar o resultado dessa comunidade que são inovações de base científica, saindo da bancada e indo para o mercado e para a sociedade”, declara Guilherme Rosso, fundador do Emerge.

“Nós acreditamos que não há como fazer inovação sem a parceria com a academia, principalmente, na fase mais precoce dos projetos que fazemos. Além disso, acreditamos também nesse incentivo, nessa parceria com a academia de uma forma sistêmica. Nós vamos conseguir fazer inovação no setor farmacêutico no Brasil, no setor de saúde no Brasil, se construirmos um ecossistema poderoso, onde tenhamos uma cadeia de desenvolvimento amadurecida, e a academia tem que fazer parte disso. Nela é onde começamos a desenvolver as ideias e dali partimos de mão dada com a indústria para transformar aquilo em produto que sirva à sociedade”, comenta Martha Penna, vice-presidente de Inovação da Eurofarma.

“Existe muita vontade da indústria em fazer essa conexão com as universidades. Existe muito mercado. Existe muito potencial. Eu acho que todo mundo que tem um projeto bacana que ainda está na ideia, na concepção, vale a pena experimentar viver um pouquinho desse mundo. Fazer essa troca com o investidor, enfim, para fazer o seu sonho e tudo o que você está planejando acontecer de fato”, destaca Ariane Sales Ferreira Barros, gerente de Gestão de Portifólio e Licença da Eurofarma.

“Esse tipo de evento vem marcar o início de uma nova era no país. Eu acredito! Por isso que nós estamos aqui participando, e convidando os colegas da Unesp para começarem a trilhar esse caminho, que é espinhoso, doloroso, mas que é extremamente importante para o país”, analisa Benedito Barraviera, pesquisador do CEVAP.

“Esse evento é o fechamento de um ciclo. Aquela história que começou há 30 anos com uma molécula inovadora dentro da Universidade. Universidade pública que chega agora para falar com a indústria farmacêutica. Veja como esse processo é demorado. Muitas pessoas acreditaram nesse projeto ao longo do caminho. Outras continuaram. É assim que construímos o conhecimento. Então, a oportunidade de ser selecionado entre 70 projetos inovadores no país e ficar entre os 16 finalistas para participar desse evento, para nós é um privilégio muito grande, é o reconhecimento”, desabafa Rui Seabra, pesquisador do Cevap.

“Nós tivemos mentoria com profissionais de áreas distintas, desde os setores jurídico, regulatório, P&D, da própria Eurofarma e de outras indústrias farmacêuticas, e também de mentores externos que trabalham só com capital de risco. Eles acabam te ensinando como é transformar o projeto em produto, tirando de uma linguagem essencialmente acadêmica, para ser explicada em uma linguagem mais prática. E, assim, responder a uma solução e à uma demanda de mercado. São habilidades que a academia nunca vai nos dá’’, avalia Denis Jeronimo Svicero, pós-doutorando do Cevap/Unesp.

“Nós podemos aprender bastante com o Rui e com o Denis sobre o projeto de produzir o gel. Também ensinamos qual seria a melhor forma de vender para investidores, quais seriam as principais mensagens para passar do produto e do trabalho que já foi feito. Realmente foi incrível. Eles mandaram super bem”, diz Ariane Sales Ferreira Barros.

“A primeira característica que o pesquisador tem que ter é ser persistente. Depois, tem que ser o diretor do filme, não o ator. Ou seja, ele tem que agregar pessoas de grande competência ao redor de si, para que essas pessoas carreguem uma bandeira pré-estabelecida, ou seja, tem que ter uma meta, e chegar nessa meta juntamente com todos’’, expressa Benedito Barraviera”.

“Nós acreditamos que, na verdade, ainda tem muito caminho a ser feito, muito trabalho a ser feito. As universidades, as empresas e as indústrias precisam colaborar mais. Se estamos falando de inovação, especialmente de inovação radical, disruptiva. É uma inovação que não dá para ser feita sem as universidades, sem academia, mas, naturalmente, também não dá para ser feita sem a indústria, que é quem vai escalonar, que vai levar isso para grande escala comercial. Ela vai viabilizar com que esse conhecimento produzido na bancada do laboratório possa de fato explodir. Possa ir reverberar no mercado e na sociedade”, aponta Guilherme Rosso.

“A nossa Universidade é jovem, mas nós temos que mudar os paradigmas, ou seja, nós precisamos abrir a Universidade para a iniciativa privada e fazer parcerias. Não podemos ter medo do desconhecido. Precisamos acreditar, fazer o nosso trabalho acadêmico e essas trilhas, esses caminhos são difíceis, são bastante espinhosos’’, alerta Benedito Barraviera”.

“A inovação, o conhecimento novo está dentro da academia e não existe maneira de gerar novas tecnologias, se a indústria não fizer esse link entre a academia e ela própria. Então, a Emerge está tentando, justamente, unir essas duas pontas para transpor esse ‘gap’ existente’’, analisa Rui Seabra”.

“Na verdade, o trabalho começa agora. Então, agora que vamos de fato ver se terá resultado de absorção pela indústria. Se vão ter investidores interessados e se a inspiração dessas histórias incríveis, tanto das tecnologias quanto dos problemas que são resolvidos e dos cientistas empreendedores, vão inspirar cada vez mais cientistas a se tornarem empreendedores também’’, observa Guilherme Rosso”.

“Agora, estamos licenciando nossa patente junto da Unesp, via Agência Unesp de Inovação (AUIN). A empresa deve ser constituída após a divulgação do resultado do Programa da Fapesp de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE). Nós queremos levar isso para o mundo. Esse é o objetivo. Pensar grande”, enfatiza Rui Seabra.

 

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