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Unesp anuncia o maior cluster da América Latina

Publicado em 09 junho 2008

A Unesp (Universidade Estadual Paulista) começa a implantar neste semestre em sete diferentes sítes no Estado de São Paulo o maior cluster computacional da América Latina. O projeto GridUNESP (Integração da Capacidade Computacional da Unesp), com tecnologia da Sun Microsystems, permitirá a grupos de pesquisa da Universidade o acesso aos mais elevados níveis de capacidade de processamento e armazenamento de dados em física de partículas, genética, meteorologia, medicina e outras áreas de investigação científica.

O sistema central, que será instalado no novo câmpus da Unesp em São Paulo, na Barra Funda, terá 2048 núcleos de processamento e capacidade de desempenho de cerca de 23,2 teraflops (trilhões de cálculos por segundo) de todo o cluster (sistema de vários nós de processamento acoplados, que operam como se fossem um único computador). O complexo formado pelo cluster central e outros sete somará 33,3 teraflops.

O custo do projeto, de cerca de R$ 3,1 milhões, foi financiado pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) por meio de convênio com a Universidade e a Fundunesp (Fundação para o Desenvolvimento da Unesp). A infra-estrutura computacional, que inclui processadores Intel e consiste de um cluster central e outros sete secundários, será implementada nos câmpus de Araraquara, Bauru, Botucatu, Ilha Solteira, Rio Claro, São José do Rio Preto e São Paulo.

O GridUNESP será conectado em alta velocidade à Internet2 norte-americana por meio da rede MetroSampa — que interliga as instituições de educação, cultura e pesquisa na região metropolitana de São Paulo — e da conexão ANSP/RNP/Florida International University entre São Paulo e Miami. A conexão entre os clusters situados no interior de São Paulo será feita pela rede KyaTera – Plataforma Óptica de Pesquisa para o Desenvolvimento da Internet Avançada da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

A seleção da Sun Microsystems do Brasil para o GridUNESP foi realizada com rigorosa observação das exigências da Lei de Licitações e Contratos e foi precedida por uma ampla consulta a empresas especializadas em processamento computacional de altas capacidades. A definição das especificações e a análise das propostas técnicas e comerciais foram acompanhadas por uma comissão multi-institucional formada por especialistas na área. "A Sun foi selecionada por ter apresentado as melhores características técnicas e o melhor preço entre as propostas apresentadas", afirmou o coordenador-geral do GridUNESP, Sérgio Ferraz Novaes, professor do Instituto de Física Teórica (IFT), do câmpus de São Paulo.

O GridUNESP estabeleceu uma parceria com Open Science Grid (OSG), dos Estados Unidos, que congrega estruturas de grid com recursos computacionais de 50 sítios dos EUA, Ásia e América Latina. Ele passa a fazer parte de um grupo formado, entre outros, pelo Enabling Grids for E-sciencE (EGEE), da Europa, TeraGrid, dos EUA, NorduGrid, da Escandinávia, TWGrid, da China, Australian Partnership for Advanced Computing (APAC), da Austrália, e o NYSGrid, do Estado de Nova York. O GridUNESP deverá utilizar o middleware do OSG e compartilhar de forma eqüitativa seus recursos computacionais.

O GridUNESP terá administração, operação e manutenção centralizadas, e será acessível a qualquer pesquisador da Universidade. Segundo Novaes, o projeto atende às áreas de pesquisa que requerem processamento, análise e armazenamento de grandes quantidades de dados. São exemplos dessas áreas as de seqüenciamento genético, previsão de tempo, modelagem molecular e celular, reconstrução de imagens médicas, desenvolvimento de novos materiais, química quântica, simulações numéricas de larga escala e física de altas energias, entre outras.

"Com sua estrutura multicâmpus, a Unesp possui o perfil de uma instituição que pode se beneficiar muito dessa abordagem. A interligação dos principais centros de processamento e armazenagem de dados da Universidade permitirá a distribuição eqüitativa desses recursos e o acesso de todos a uma infra-estrutura computacional que, de outra forma, seria inviável ou extremamente dispendiosa”, explica Novaes.

"O desenvolvimento de nossas pesquisas será auxiliado em termos de velocidade de cálculo e disponibilidade de memória, além de facilitar a interação entre os diferentes grupos de pesquisa teórica", afirma Elson Longo, docente do Instituto de Química, do câmpus de Araraquara, e coordenador do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos.

“A criação do GridUNESP fará com que a Universidade possua capacidade de integrar grandes projetos internacionais na área de computação em Grid”, afirma Gastão Krein, diretor do IFT. Para o físico Ney Lemke, do Instituto de Biociências, do câmpus de Botucatu, seus estudos nas áreas de biologia e física médica terão um grande avanço. "Com as facilidades computacionais do GridUNESP, o tempo de cálculo das pesquisas será reduzido, o que nos permitirá desenvolver estudos mais detalhados".

Para Adriano Mauro Cansian, coordenador do Laboratório de Pesquisa em Segurança do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas (IBILCE), câmpus de São José do Rio Preto, o projeto de detecção de ataques em infra-estruturas de redes de computadores de grande porte, no qual atua com sua equipe, será beneficiado pela elevada capacidade de tratamento e armazenamento de dados. "Acreditamos que o Grid permitirá um processamento mais ágil na realização das análises que visam a detecção de ataques em tempo real".

“O GridUNESP permitirá à Universidade vencer o desafio de compartilhar os recursos do circuito internacional do processamento computacional de alto desempenho, e será um instrumento importante para os nossos centros de pesquisa continuarem a contribuir significativamente para manter o ritmo de crescimento e o aprimoramento dos estudos científicos do Brasil”, afirma o reitor da Unesp, Marcos Macari.

Segundo Carlos Thomaz, especialista em Computação de Alto Desempenho da Sun Microsystems do Brasil, o GridUNESP representa um marco na comunidade acadêmica brasileira. “O projeto contempla um conjunto de clusters interconectados, formando uma grade computacional aos moldes dos europeus e norte-americanos. Desafios como esse não se consolidam apenas com sistemas, mas com uma infra-estrutura definida especificamente para atender às necessidades da Unesp, abrangendo soluções de software, hardware e principalmente serviços”.

Joaquim Merino, executivo de Vendas da Sun Microsystems, afirma que “o projeto GridUNESP é pioneiro na implementação de uma grade computacional conectada aos grandes centros de pesquisa do mundo como o OSG. Esperamos que esse projeto seja não somente um sucesso à Unesp, mas um exemplo de instalação a toda a comunidade científica brasileira”.

"O grid formado por servidores equipados com os processadores da família Quad Core Intel Xeon 5400 traz a liderança em desempenho com o menor consumo de energia. O grid computacional trará a mais avançada tecnologia desenvolvida em 45 nanômetros, que tem um poder de processamento muito maior e, conseqüentemente, um retorno de respostas muito mais rápido, contribuindo para o avanço das mais importantes pesquisas desenvolvidas no país", finaliza Marcel

Da Unesp