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UMC melhora o diagnóstico de câncer de mama com software

Publicado em 29 março 2006

Para uma doença como o câncer de mama, que pode levar à morte em pouco tempo, a descoberta de novas tecnologias para a detecção prematura do mal é sempre comemorada pela comunidade científica e também pelos pacientes. Um software, que traz um novo sistema de processamento de imagem, desenvolvido na Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), consegue apontar com maior segurança os primeiros sinais do desenvolvimento das lesões nas mamas, favorecendo o diagnóstico antecipado, o que aumenta as chances de cura.
"É uma contribuição relevante", resume a professora do Núcleo de Pesquisas Tecnológicas (NPT) da UMC e coordenadora dos trabalhos, Annie France Frère Slaets. O novo sistema de auxílio ao diagnóstico permite fazer uma varredura minuciosa nas imagens da mama, apontando alterações nos tecidos, como as microcalcificações que podem indicar a formação inicial de um câncer. A contribuição dada pelo software nos primeiros testes é significativa ao ponto de derrubar o número de encaminhamento de pacientes para a realização de biópsia — o exame que sucede a consulta visual e confirma ou não a existência da doença.
O software desenvolvido na UMC é baseado em um sistema de identificação por cores. Ao fazer a varredura da mamografia, obtida por raios-X e posteriormente digitalizada, o computador traduz as microcalcificações contidas nos tecidos da mama em sinais gráficos na forma de círculos, em três tonalidades. "Se for vermelho, o computador alerta: 'Aqui pode ter um tumor maligno'. Se for azul, com uma concentração muito grande, 'há uma suspeita de tumor, que pode ser benigno'. Já os pontos amarelos são ruídos, que podem não ter significado em termos clínicos, mas que devem ser avaliados pelo médico", explica o engenheiro biomédico Henrique Jesus Quintino de Oliveira, outro professor da UMC que participa do projeto.
Batizado como "Auxílio Computadorizado ao Diagnóstico (ACD) na detecção de microcalcificações", o projeto coordenado por Annie teve início em 1997 e recebeu dois grandes investimentos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), um no valor de R$ 263.699,70 e outro de US$ 74.289,61.
Da UMC, também trabalharam para o êxito do estudo as pesquisadoras Sílvia Cristina Martini Rodrigues, Márcia Aparecida da Silva Bissaco e Ricardo Irita, todos professores do NPT e orientadores nos cursos de mestrado e doutorado da Universidade de Mogi das Cruzes.