Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

UMC alia pesquisa à profissão

Publicado em 16 agosto 2000

"O aluno de graduação está se conscientizando sobre a importância do desenvolvimento de pesquisas para a vida profissional". A observação foi feita pelo diretor de pesquisa e graduação da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), Jair Ribeiro Chagas, durante o primeiro dia do III Congresso de Iniciação Científica que aconteceu ontem, na instituição. O evento contou com uma conferência ministrada pelo diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Fernando Perez, e com a apresentação das 71 pesquisas desenvolvidas pelos alunos da UMC. Durante solenidade de abertura do Congresso - que contou ainda com a presença do chanceler Manoel Bezerra de Melo e do reitor Isaac Roitman - o coordenador do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Sérgio Missiaggia, destacou que hoje são mantidas cerca de 14,5 mil pesquisas. "O objetivo do Pibic junto às universidades é formar pesquisadores mais jovens para que eles tenham tempo e disposição para realizar estudos científicos", explica Missiaggia. Ele acredita que o desenvolvimento de pesquisas está diretamente relacionado ao desenvolvimento do País, uma vez que as patentes e a tecnologia de ponta resultam do investimento nesse tipo de estudo. O diretor de pesquisa e graduação da UMC enfatiza que o envolvimento dos alunos nas pesquisas deve motivá-los a assumir outros estudos e até a participar dos cursos de mestrado que devem estar abertos na universidade a partir do próximo ano. "Percebemos que os estudantes estão despertando para a importância do desenvolvimento de pesquisas científicas, pois o número de pesquisadores voluntários, que não recebem bolsa do Pibic, aumentou muito em relação aos outros anos", salienta. Das 71 pesquisas nas áreas de Ciências da Vida, Ciências Humanas e Ciências Exatas e de Tecnologia apresentadas ontem na UMC, 50 foram desenvolvidas por alunos participantes do Pibic e 21 por estudantes do Programa Voluntário, de Iniciação Científica. Os estudantes desenvolveram os estudos nos últimos 12 meses, orientados por professores da própria universidade. Hoje, às 11 horas, um comitê interno formado por 15 professores coordenadores de cursos de graduação da UMC e um, comitê externo composto por nove professores de outras universidades do Estado de São Paulo, vão julgar os seis melhores trabalhos do Pibic e os 12 melhores do Programa Voluntário, que receberão placas e menções honrosas. PROJETO TRAZ INFLUÊNCIA DO URBANISMO Um dos trabalhos que merece destaque no III Congresso de Iniciação Científica da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) é a pesquisa realizada pela aluna do 5° ano do curso de Arquitetura e Urbanismo, Márcia Regiane Miranda, que trata da influência dos projetos urbanísticos na sociedade. "Parti da hipótese de que o comportamento social pode ser influenciado pelo meio urbano para estudar a estrutura de bairros como Caputera, Jardim São Francisco e outros situados próximos à escola estadual Enedina Gomes Freitas, que fica no Jardim Camila", explica a estudante. Segundo ela, foram detectados vários problemas de desorganização urbana, como lixo acumulado em terrenos baldios, pichações, conflitos entre pedestres e veículos e ausência de área de lazer adequada. "Tudo isso pode contribuir para o aumento da criminalidade", destaca. Márcia aponta como a melhor solução para o problema o desenvolvimento de projetos urbanos aliados a projetos sociais com a participação ativa da comunidade. "A falta de opções de lazer para as crianças é o principal problema que poderia ser combatido com um projeto de urbanização adequado para cada bairro". A estudante acredita que a administração pública poderia aproveitar as pesquisas científicas para tentar melhorar a qualidade de vida da população. "Isso já acontece em alguns países, como nos Estados Unidos, onde o lazer orientado amenizou o comportamento de vandalismo", finaliza.