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HSM Management

Uma viagem fantástica pelo século

Publicado em 01 agosto 2005

Highights do livro Fantastic Voyage: Live Long Enough to live Forever, de autoria do inventor Ray Kurzweil, e de artigo da Tecnology Review mostram as tecnologias emergentes deste século, em que o progresso promete ser mil vezes maior que o do século passado.

"As duas primeiras décadas do século 21 serão a era de ouro para r a biotecnologia e, nas seguintes, seremos testemunhas e protagonistas de uma época de avanços assombrosos."

Essa afirmação foi feita pelo inventor, engenheiro e futurólogo Ray Kurzweil em seu último livro, Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever Não se trata de uma afirmação à toa. Kurzweil escreveu fite Age of lntelligent Machines, no qual assegurava, em 1990, que em poucos anos uma rede mundial de computadores seria parte de nossa realidade cotidiana e que um computador poderia ganhar de um campeão de xadrez antes de 1999 —a internet chegou ao público em 1993 para nunca mais deixá-lo e o computador Deep BIne da lBM venceu Kasparovem 1997. Integra o hall da fama dos inventores dos Estados Unidos desde 2002 por ter criado, entre outras inovações, a primeira máquina leitora para cegos, que convertia o texto escrito em linguagem falada, e o primeiro sintetizador de música capaz de recriar os sons do piano e de outros instrumentos.

Como bom engenheiro, Kurzweil desenvolveu um modelo para analisar as tendências tecnológicas e seu impacto na sociedade. Com ele, verificou que a velocidade da mudança vem acelerando-se num ritmo exponencial há milhões de anos e que estamos vivendo um momento em que o ritmo dispara. A velocidade de avanço tecnológico dobra cada dez anos, e a capacidade das tecnologias de informação, cada ano. Na velocidade que a mudança leva hoje, avançaremos 20 anos em 14 e, na década seguinte, esses 20 anos de progresso só levarão sete. Conclusão: tudo indica que o progresso neste século poderá ser mil vezes maior que o do século passado.

Se o modelo de Kurzweil se confirmar e o ritmo das descobertas científicas e tecnológicas continuar acelerando, este século nos conduzirá a todos em uma "viagem fantástica".

Bïotecnologia

Iniciaremos nossa "viagem fantástica" pela biotecnologia. Nessa seara, embora o tempo todo continuem a surgir novas áreas de pesquisa e desenvolvimento (P&D), já estamos "revolucionados" . A biotecnologia já vive seu apogeu. A expressão mais clara disso é a decodificação do genoma humano e seu potencial como catalisador de múltiplas descobertas biotecnológicas.

os produtos farmacêuticos, que hoje só miram 500 objetivos no corpo humano, poderiam, graças à pesquisa genômica, ter milhares de alvos específicos e evitar os efeitos colaterais, inevitáveis quando se tenta "matar um mosquito com uma mar- reta" , para usar uma metáfora. Além disso, a decodificação do genoma humano oferece a possibilidade de criar medicamentos especificamente adaptados ao perfil genético de cada um. A medicina personalizada

—um futuro no qual bastará um simples hemograma para identificar o melhor tratamento— é uma das melhores promessas das novas tecnologias. Embora, com o gigantesco número de 3 bilhões de "letras" do genoma de cada indivíduo, muitos cientistas estejam pegando um atalho para concretizá-la: eles estão se concentrando nas diferenças entre os genomas das pessoas.

Não apenas a indústria farmacêutica e a medicina se modificarão a partir de tecnologias como a alteração genética, a engenharia das proteínas e os biossensores. Na agricultura, por exemplo, já é possível aproveitar a capacidade de uma bactéria de produzir naturalmente uma substância tóxica para um inseto que é praga de uma cultura, pela incorporação do gene correspondente ao mapa genético da espécie afetada para torná-la resistente à praga e melhorar o rendi mento da colheita.

Logo será possível modificar plantas para potencializar seu teor de nutrientes ou permitir-lhes "manifestar suas necessidades". Por exemplo, a partir de certos genes do noctilúcio, espécie de plâncton fosforescente que brilha no mar, pode-se fazer com que batatas "brilhem" quando precisarem de água ou, então, como já se provou, conseguir que o milho "avise" quando está seco "ficando vermelho", com a alteração de seu genoma. Esses avanços permitirão, entre outras coisas, racionalizar o uso da água para irrigação.

Vale mencionar ainda os biossensores, que estão entre os grandes astros das apli cações da biotecnologia. Combinações de materiais avançados com sensores, eles seriam capazes de reagir a qualquer alteração do meio. Por exemplo, os biossensores poderiam detectar a presença de agentes patogênicos ou toxinas nos alimentos ou de chumbo na água.

Como? Incorporados a uma substância biológica (enzima, anticorpo, proteína, DNA etc.), eles mediriam de maneira seletiva certas substâncias. E de que forma nos passaram essas informações? Em poucos minutos, traduziriam a mudança química que se produz na presença do composto de origem biológica num sinal elétrico processável.

Atualmente já se utilizam biossensores para medir a glicose no sangue de pacientes diabéticos. Em uma década, a embalagem de qualquer produto alimentício terá um visor que indicará, por exemplo, se possui glúten em sua composição —ou alguma bactéria.

A idéia de programar células como se fossem computadores recebe o nome de "biologia sintética". Trata-se de "dispor os genes em redes criadas para orientar as células a desempenhar qualquer tarefa deter minada por seus 'programadores", segundo recente artigo da Technology Review, a revista do Massachusetts Institute of Technology (MIT).

Outra novidade fascinante nessa área é a terapia de RNAi. Muitas doenças modernas, do câncer à Aids, são conseqüência da ação de nossos próprios genes errantes ou dos genes de organismos invasores. E tudo que se tem procurado é uma técnica capaz de desativar esses genes. Essa técnica pode ser a "interferência do RNA", conhecida pela sigla em inglês RNAi, segundo a qual minúsculas moléculas de filamento duplo de RNA destinadas a atuar sobre determinado gene podem, quando introduzidas em células humanas, bloquear seus efeitos. A técnica já faz parte de pesquisas de grandes empresas farmacêuticas e universidades e pode valer o Prêmio Nobel para seu criador, Thomas Tuschl.

Nanotecnologia

A nanotecnologia certamente está entre as mais promissoras das tecnologias emergentes. Ela se encontra hoje mais ou menos no estágio em que estava a biotecnologia uma década atrás, o que é confirmado por especialistas do MIT que acompanham a evolução das novas tecnologias. Mas, apesar de atrair investidores, deve vencer um desafio para continuar avançando: é preciso que efetivamente se desenvolvam técnicas de fabricação em escala microscópica.

Mesmo sem a certeza de que isso se realizará, ninguém hesita em incluir entre os avanços revolucionários dos próximos anos aplicações da nanotecnologia como as nano células solares, que servem para transportar a energia elétrica gerada pela luz do sol. O que são elas? Pequenos cristais semicondutores agregados a polímeros condutores de eletricidade formando lâminas muito delgadas

—200 nanômetros de espessura— intercaladas entre eletrodos.

Outra aplicação da nanotecnologia muito discutida é a litografia por nanoimpressão, na qual, como na impressora tradicional, um molde rígido é estampado em um material macio pelo efeito do laser e cria imagens reproduzíveis de menos de 10 nanômetros em menos de um microssegundo. O grande desafio comercial está, agora, em gravar nanopadrões em silício para os microchips.

Sem dúvida, a pesquisa avança em distintas frentes de escala "nanométrica". O tamanho dos circuitos integrados de última geração já não passa de 65 nanômetros (um nanômetro equivale à milionésima parte de um milímetro; à guisa de ilustração, um nanômetro equivale a um centésimo de milésimo do diâmetro de um fio de cabelo humano). Esses circuitos reduzidos dão lugar para mais transistores e melhoram o rendimento. Naquilo que está sendo conhecido como computação molecular, os cientistas estão construindo circuitos em nível atômico, de tal forma que admitam reações hipervelozes ou grandes reservas de armazenamento em componentes infinitesimais. Prevê-se que por volta de 2015 esses avanços em curso terão transformado totalmente a indústria de semicondutores. O processamento de dados intensivo poderá ser realizado em aparelhos do tamanho de uma moeda.

Radiação terahertz

Os raios X conseguem destacar o contorno dos ossos, a luz ultravioleta causa brilho em determinadas substâncias químicas e a radiação quase infravermelha permite a visão noturna. Certo? Agora, a grande novidade em termos de alcance de visão são os raios T, ou radiação terahertz, segundo artigo da Technology Review. Capazes de penetrar sem dificuldade em vários materiais comuns sem apresentar os riscos médicos dos raios X, eles devem revolucionar o uso de imagens para diagnósticos médicos, revelando, por exemplo, a composição dos tumores e não apenas sua forma. Também poderão ser aplicados na segurança de aeroportos, entre outros usos.

Tecnologia  sem fio

A tecnologia wireless (sem fio) certamente está entre as dez tecnologias mais perturbadoras que modificarão a forma de organizarmos nossas vidas e fazermos negócios. Basta imaginar bilhões de microprocessadores incorporados a um único dispositivo, conectado a outros sem fio, que podem "interpretar" o ambiente circundante e reagir em função disso, criando, assim, uma verdadeira rede de processadores, memória e sensores que observam o ambiente e se "auto-regulam". E algo perfeitamente aplicável, por exemplo, ao controle de semáforos, edifícios, processos produtivos e até aulas.

Embora já sejam do tamanho da cabeça de um fósforo, os estão sendo objeto de drásticas reduções de tamanho para aumentar sua potência. Poderiam ser carregados de combustível graças a "coletores" capazes de retirar energia de fontes como o simples ato de caminhar e convertê-la em tensão. Uma vez coletada, a energia seria armazenada em "microssupercapacitores" , com capacidade mil vezes maior do que a dos capacitores comuns,

Os especialistas garantem que, com a disponibilidade desses recursos, as organizações poderão criar rapidamente complexas redes de sistemas sem fio, Nos próximos dez anos, essas conexões sem fio de máquina para máquina gerarão "ecossistemas" de detecção e resposta, utilizando a identificação por radiofreqüência (RFID, em inglês) e outros métodos de controle para o rastreamento remoto.

"E daí?", pode perguntar-se o leitor. E daí que esses sistemas podem produzir muito mais dados que os humanos —por exemplo, revelando níveis de contaminação, controlando estoques e monitorando contêineres, Essas informações, carregadas automaticamente nos sistemas, permitirão que as empresas respondam em tempo real às necessidades de sua cadeia. E como se tivessem sentidos e respondessem de manei ra inteligente à demanda sem intervenção humana.

Robótica

Outra tecnologia, a robótica, deve mover a automatização um passo à frente, Desde os "nanobots" até robôs que classifiquem prateleiras ou trabalhem em minas, todos os avanços na área apontam para a substituição do homem naquilo que ele não conseguir fazer ou que lhe for demasiadamente prejudicial ou dispendioso se continuar fazendo. No entanto, vale observar que é possível que ainda esperemos 20anos para contar com os namobots.

Computação e internet

São muitos os e usar modelos matemáticos e técnicas de processamento da linguagem natural para dar mais eficiência e precisão às traduções feitas por computador, além de deixá-las mais adaptáveis a novas línguas, informa reportagem da Technology Review. Diferentemente dos programas de reconhecimento e síntese de fala, a tecnologia por trás da tradução universal amadureceu nos últimos anos, impulsionada pela economia globalizada e pelas necessidades de segurança. "Os progressos na evolução automática, o alcance da computação e a disponibilidade de dados para tradução são maiores do que o á visto em toda a história da informática", explica Alex Waibel, diretor do Language Technologies Institute, da Carnegie Melion University, que apóia diversos estudos paralelos no mesmo campo. Um dos maiores avanços é o programa de tradução universal que vem sendo desenvolvido por Yuqing Gao, do Watson Research Center, da IBM.

Outro grande diferencial nessa área é a inteligência distribuída, Ela assume, por exemplo, a forma do "grid computing", que se baseia em aproveitar, com um software especial, ciclos de processamento não-utilizados em todos os computadores da rede para resolver problemas que sejam muito intensos para uma única máquina. Um exemplo bem conhecido de computação g é o SETI, o famoso projeto de busca de inteligência extraterrestre, no qual usuários de PC do mundo inteiro doam seus ciclos de processamento não-utilizados para ajudar a procurar e analisar sinais vindos do espaço. Com isso, o SETI economiza recursos,

Mais um exemplo de capacidade distribuída é a armazenagem de dados distribuída.

De acordo com a Technolqgy Review, a nova ordem é armazenar dados nos "cantos e frestas" da internet, com acesso a partir de apenas alguns toques no teclado de qualquer computador —e de qualquer lugar. Serviços de compartilhamento de música como o KaZaA, que permite que as pessoas baixem músicas em seus micros ligados à internet, são um sistema básico de armazenagem distribuída, Hari Balakrishnan, cientista de computação do MIT, lidera o grupo de pro gramadores que está tentando levar o conceito de armazenagem distribuída a todos os tipos de dados, o que conseguiria aumentar incrivelmente os níveis de produtividade.

Uma das maiores novidades na área da computação está na pesquisa de Daphne Koller, da Stanford University, que troca as conexões causais pela abordagem probabilística, fundamentada na estatística bayesiana. Tem atraído o interesse de empresas como Intel, Google e Microsoft, para se ter uma idéia. Qual é seu diferencial? Ao contrário de abordagens mais antigas da inteligência artificial, segundo as quais as conexões causais ("a chuva deixa a grama molhada") tinham de ser claramente explicitadas, os programas baseados na abordagem probabilística conseguem utilizar grande quantidade de dados ("está chovendo", "a grama está molhada") e criar conexões prováveis (dependências) por conta própria. Como explica a Technology Review, trata-se de um passo importantíssimo, porque muitas decisões que os programadores gostariam de automatizar hoje —como a personalização dos resultados dos mecanismos de busca da internet de acordo com as pesquisas já feitas pelo usuário— não podem ser planejadas de antemão.

Outra tecnologia que pode mudar a vida de todos nós num piscar de olhos é tão simples que nem parece tecnologia. Trata-se de pingar uma espécie de "colírio" nos canais de fibra óptica para melhorar o fluxo dos fótons que transportam dados, acelerando a transmissão e aumentando a confiabilidade da internet. Essa pesquisa está sendo concluída pelo físico John Rogers, da University of Illinois, autor de protótipos chamados de fibras ópticas microfluídicas, segundo a Technology Review.

Materiais  avançados

O fato é que a biodiversidade do planeta é uma fonte de recursos inesgotável e os materiais naturais têm propriedades que os pesquisadores procuram aproveitar para aplicar na indústria. Por exemplo, já faz algum tempo que se consegue gerar artificialmente, graças à biotecnologia, o material com o qual a aranha tece sua teia: compro vou-se que se produz um filamento mais forte que o aço e mais leve que o algodão. A isso se chama "material avançado".

Nesse campo, sintetizam-se certas estruturas para conferir-lhes propriedades específicas conforme a necessidade. Podem-se projetar tecidos inteligentes que abram sua trama nos dias mais quentes do verão e refresquem o usuário por meio do uso de nanopartículas.

E possível também elaborar materiais de construção que se convertam em cerâmicos e, portanto, incombustíveis. Isso reduziria drasticamente a probabilidade de haver incêndios incontroláveis nas cidades.

Mais um exemplo que envolve materiais avançados. Uma das limitações físicas para fabricar aviões maiores é o elevado peso das asas, necessárias para sustentar o vôo. Poderia haver uma solução que, aliando tecnologias distintas, permitisse ajustar e controlar as propriedades de um material em cada milímetro cúbico de sua estrutura.

No caso da asa, seriam projetadas microestruturas diferentes conforme a necessidade:

mais densas e rígidas perto da fuselagem, mais leves e flexíveis nas extremidades. Com o software adequado, seria criado um protótipo virtual do objeto em questão, submetido depois a tensão, tal como ocorreria na realidade, para verificar o esforço que cada parte de sua estrutura suportaria. Com essa informação, seria possível calcular as forças que agem nos milhões de subseções que a compõem. A análise seria repetida para cada subseção como uma entidade separada e, assim, seria possível definir a microestrutura necessária para responder aos esforços que a afetam de modo específico.

Obviamente, definir as microestruturas manualmente seria quase impossível. Com o uso de um programa chamado "algoritmo genético", que utiliza os processos aleatórios e de tentativa-e--erro típicos da mutação e seleção na evolução biológica, seriam analisadas as possíveis microestruturas até que fosse encontrada a microestrutura ideal para cada subseção. Então, microestruturas desse tipo seriam construídas com uma tecnologia que permitisse "imprimir" um protótipo em três dimensões, uma camada por vez.

Isso possibilitaria agregar resistência e rigidez onde fosse necessário, mantendo a estrutura suficientemente leve no todo.

O resultado seria uma asa com estrutura porosa, semelhante a uma colméia, que pesaria muito pouco, mas capaz de suportar a tensão que normalmente a afeta. Com o uso de materiais microestruturados, seria também possível, por exemplo, melhorar a proteção fornecida pelo casco do avião —que hoje resiste perfeitamente às forças de compressão, porém não aos impactos localizados.

Fontes de energia alternativas

Uma das substituições que o futuro deverá nos impor é a migração para uma economia que utilize recursos renováveis, processos biológicos eficientes e aproveite os "ecóaglomerados" industriais para obter produtos, trabalhos e receitas sustentáveis. Nesse sentido, a necessidade de obter energia barata e limpa vem impulsionando novas tecnologias, embora nem sempre com o entusiasmo suficiente para chegar até a aplicação prática.

E certo que o hidrogênio vem ganhando terreno. A Islândia, que possui energia geotérmica abundante para "separar" o hidrogênio, já possui ônibus movidos a hidrogênio e pos tos de abastecimento. Contudo, a equação econômica ainda não fecha: com potência igual, produzir as células desse combustível custa cinco vezes mais que a produção de um motor tradicional. Tampouco fecha em tamanho: os tanques para armazená-lo ocupam todo o porta-malas do carro.

Mesmo assim, a maioria das grandes montadoras desenvolveu modelos a hidrogênio e já sabe como produzir células de combustível que combinam hidrogênio e oxigênio para gerar eletricidade com o dobro de eficiência do motor. Depois de dez anos de pesquisa e desenvolvimento, já estão nas ruas os primeiros protótipos: a Daimler Chrysler, a Toyota, a Honda e a Ford já concluíram essa primeira fase.

A produção em massa desses veículos só continua distante porque é preciso descobrir como produzir, armazenar e distribuir hidrogênio em quantidade suficiente e com custo razoável sem emitir gases que continuem potencializando o efeito estufa.

Há outras possibilidades de novas fontes de energia, muitas relacionadas com a biotecnologia. Por exemplo, diversos microrganismos produzem energia: bactérias o fazem durante o processo anaeróbico dos esgotos; alguns fabricam hidrogênio a partir da luz, que também poderiam suprir as necessidades mundiais de energia, ocupando muito pouca superfície; outros são capazes de extrair metais de minérios e dispensam métodos mais poluentes e já estão sendo usados na indústria do cobre.

Isso sem falar que, no fundo do mar, existe um recurso superabundante: gás natural cristalizado suspenso no gelo, conhecido como hidrato de metano. Diz-se que as reservas mundiais desse "combustível" são o dobro das de petróleo, gás natural e carvão de todo o mundo. Apenas falta encontrar uma tecnologia eficiente para explorá-las.

Novos sistemas  de controle  de energia

Quer algo mais palpável para o Brasil, que já sofreu com a ameaça de apagão? Basta debruçar-se sobre o futuro próximo das redes de energia elétrica. Criadas antes das fibras ópticas e dos microprocessadores de reação rápida, as atuais redes não foram projetadas para detectar e conter distúrbios no sistema. Ou seja, cabe a cada linha de transmissão e usina de geração se defender por conta própria, desligando sempre que os fluxos de energia apresentem riscos. E aí as linhas de transmissão e as usinas caem como peças de um caríssimo dominó.

Pois bem. Segundo a revista Technology Review, empresas como a ABB estão desenvolvendo hardwares e softwares capazes de rastrear o fluxo de energia por toda a imensa rede várias vezes por segundo, a fim de identificar distúrbios e tomar medidas sem demora. E, enquanto o modelo ideal de controle não fica pronto, a ABB já disponibiliza um sistema intermediário.

Integração de tecnologias

A lista de avanços esperados para os próximos anos também inclui a GrinTech, ou tecnologia verde integrada. Na integração de tecnologias está a chave para que os sensores, os novos materiais, os sistemas de computação, as fontes de energia e os processos de fabricação façam com que tudo o que o homem produzir seja absolutamente reciclável.

Como se vê, a tecnologia está evoluindo muito mais rápido do que se imagina. Podem surgir mais novidades enquanto você lê este artigo. A pergunta é: sua empresa está preparada para acompanhá-la?

Os highlights foram elaborados por Graciela Biondo, colaboradora de HSM Management, e por Fernando Moreira Leal, co-editor da revista.emergentes

O desafio do financiamento

Voltou a crescer o apetite dos investidores de risco pelas tecnologias emergentes em 2004, o financiamento dessas áreas com capital de risco internacional aumentou 8% em relação ao ano anterior, após três anos de queda Depois do sucesso da oferta pública inicial (IPO) do Google em agosto de 2004, a tecnologia reacendeu a imaginação dos investidores. As empresas de biotecnologia, por exemplo, auferiram US$ 2,5 bilhões no ano, o valor mais alto desde os US$ 8,7 bilhões de 2000.

No entanto, muitos empreendimentos que desenvolvem tecnologias inovadoras —principalmente em áreas como a nanotecnologia e as novas linhas de pesquisa da medicina associadas ao genoma humano—estão necessitando desesperadamente de capital.

Por quê? Por um lado, num país chave para esse tipo de investimento, os Estados Unidos, as questões de segurança e de defesa absorvem os recursos de todos os orçamentos,

Por outro, parece haver uma preferência por tecnologias relativamente maduras, conforme demonstra o orçamento federal dos EUA para pesquisa e desenvolvimento. Os investidores privados, tanto grandes empresas como o pessoal do capital de risco, também parece concentrar-se em tecnologias existentes e bem estabelecidas, em vez de investir em novas. Isso está criando um vazio em matéria de inovação.

Segundo Lita Nielsen, diretora do escritório de licenças de tecnologia do MIT, «as grandes organizações investem cada vez menos nas primeiras fases da pesquisa: elas compram as empresas que se dedicam a isso. Então, se ninguém financiar essas pequenas companhias, o problema dobrara de tamanho".

© Technology Review

2005, Massachusetts Institute ofTechnology. Todos os direitos reservados. Distribuído por Tribune Media Services International.

A perspectiva nacional

O Brasil está foi a da corrida das tecnologias emergentes? Não, segundo especialistas entrevistados por HSM Management. Organismos governamentais como Fapesp e CNPq tem financiado pesquisas com diversas tecnologias novas. E essas pesquisas têm produzido resultados tão significativos que o País foi catalogado, junto a outras poderosas nações do mundo, como "contribuinte para o desenvolvimento científico mundial". No entanto, na avaliação deles, os investimentos precisariam ser mais vultosos e deveriam adquirir uma dinâmica empresarial que inexiste hoje.

"Poucos têm sido os resultados aplicados a produtos que tenham justificado a criação de empresas e de empregos para produzi-los. As pesquisas brasileiras, em sua maioria, não chegam ao consumidor; têm apenas valor acadêmico. Essa é uma diferença drástica entre o que ocone aqui e o que ocorre nos países mais desenvolvidos" , avalia Ozires Silva, fundador da Embraer, fabricante brasileira de aeronaves que se tornou uma das maiores do mundo em seu setor.

Silva fala com conhecimento de causa. Ele fundou também a Pele Nova Biotecnologia, companhia de biotecnologia cujo produto inicial é o Biocure (biomembrana natural pa a cicatrização de feridas de difícil recuperação, desde lesões em pernas de diabéticos —que às vezes exigem amputação— até tímpanos perfurados, e reconstrução de dentes).

Segundo Silva, os obstáculos à construção dessa "ponte" da ciência até o produto o são burocracia e regulamentações excessivas; tributação elevada; taxa de juros extremamente elevada: e quase ausência de capitais para investimentos de isco.

Genômica

"O País tem grupos capacitados a desenvolver aplicações da genômica em diversas áreas, incluindo a medicina" , garante Carlos Alberto Moreira-Filho, diretor-superintendente do Instituto lsraelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein e professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo.

Prova disso, segundo ele. e o Programa Genoma Clínico do Câncer que estuda a diferença entre o funcionamento dos genes humanos nos tecidos normais e nos tumores. Esse programa, desenvolvido em paiceria com o Instituto Ludwig, é um dos maiores do mundo em sua categoria e já está fornecendo informações relevantes para diagnóstico. prognóstico e trata- mente dos tipos de câncer mais comuns em nosso meio. Genômica é a parte da biotecnologia relativa aos genes.

Nanotecnologia

Segundo Henrique Rattner, especialista do Instituto de Pesquisas Tecnológicas da Universidade de São Paulo (IPT-USP), as pesquisas em nanotecnologia começaram no Brasil no final de 2000 e conheceram uma rápida expansão desde então. "Mas, enquanto os países ricos despendem só mas consideráveis em P&D —em 2003. os EUA gastai am aproximadamente US$ 774 milhões e o Japão. US$ 81 O milhões—, no Brasil, a previsão de verbas somadas do Ministério da Ciência e Tecnologia e do CNPq para os próximos quatro anos é de US 5 milhões por ano" , afirma Rattner

Isso pode deixar nosso País muito atrás nessa corrida tecnológica, de acordo com o especialista: "É inegável que, em nanotecnologia, o desenvolvimento é caracterizando menos pela demanda do mercado do que pelos avanços das pesquisas como forca impulsionadora'. Para o especialista do IPT, contudo, não se pode cobrar o investimento apenas do governo. No mundo inteiro, se a maior parte do financiamento ainda provém dos governos (55%), a participação das empresas no financiamento das pesquisas tende a aumentar, interessadas no potenciaI de comercialização de vasta gama de produtos. 'Aqui as empresas, como de costume. preferem aguardar e. quando necessário. comprarão a tecnologia sob forma de patentes e licenças."

Hoje, no Brasil, há cerca de 20 núcleos de pesquisa em nanotecnologia localizados em universidades públicas e financiados por entidades governamentais. A maioria dessas pesquisas se concentra em nanossemicondutores, cerâmicas, polímeros. sensores físicos e químicos, com aplicações na óptica e nos transportes