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Uma proteína detectada que pode indicar a gravidade de COVID-19 no corpo

Publicado em 02 outubro 2020

Os cientistas acabam de descobrir um fator importante em relação aos efeitos do COVID-19 no corpo. Segundo pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), as taxas da proteína sTREM-1 circulando no sangue de pacientes com a doença podem ajudar a detectar a gravidade do vírus em qualquer caso.

Assim, logo no início dos sintomas, os médicos poderão saber a decisão a tomar em relação a cada paciente. Segundo Carlos Sorgi, professor do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia de Ribeirão Preto e um dos autores do estudo, existem variações significativas na resposta inflamatória dos pacientes ao SARS-CoV-2, que permanece um mistério.

"No entanto, acreditamos que o monitoramento dessa proteína, que pode ser feito com testes simples (ensaio imunoenzimático), ajuda no tratamento dos pacientes", explica o professor. A equipe deve contar com o auxílio de biomarcadores, cujo aumento significa o agravamento da doença.

A proteína sTREM-1 está presente nas membranas das células de defesa associada à imunidade inata, que é ativada assim que o organismo detecta a entrada da doença. Como a molécula funciona como um receptor de membrana, quando ativada, as células emitem sinais informando que ocorreu uma inflamação. Os pesquisadores explicam também que a molécula pode ser encontrada em uma versão solúvel do sTREM-1 em circulação, mas que sua função ainda não é conhecida.

"No entanto, estudos anteriores já relacionaram a mortalidade de pacientes com sepse com altas taxas de sTREM-1", explica Sorgi, que conduziu estudos sobre essa proteína. Os pesquisadores também dizem que um estudo recente analisou os níveis de proteína sérica de 91 pacientes infectados com a doença, 47 dos quais foram hospitalizados e 44 em isolamento social, junto com 30 outros voluntários saudáveis.

A seguir, os médicos focalizaram os pacientes nas fases leve, moderada, grave e crítica, conforme explica a professora Lúcia Helena Faccioli. "Observamos uma forte correlação entre os níveis de proteína e a exacerbação da doença. Os valores de STREM-1 em pacientes aumentaram significativamente com o peso. Essa variação indica a ativação da resposta imune à infecção por SARS-CoV-2", diz ele.

A pesquisa também identificou o que é chamado de "ponto sem retorno", que acontece quando a situação inflamatória de um paciente se torna tão crítica que não há chance de melhora. Portanto, quanto mais cedo a vigilância começar, maior será a chance de o infectado salvar uma vida.

As próximas etapas do estudo, que ainda não foi revisado, são aprofundar ainda mais a análise e contar com amostras de um número maior de pacientes.

Fonte: Agência Fapesp,, MedRxiv