Notícia

Gazeta de Ribeirão online

Uma nova diversidade

Publicado em 14 janeiro 2010

No ano escolhido pela Unesco como o Ano Internacional da Biodiversidade, um estudo feito pela USP de Ribeirão Preto, em parceria com outras universidades, revelou mil novas espécies de insetos no Brasil. As coletas de material foram feitas no Interior de São Paulo, em Ribeirão Preto, Sertãozinho e Batatais e nos Estados de Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. Todas essas áreas pertencem à Mata Atlântica.

O coordenador do projeto, que já dura cinco anos, professor Dalton de Souza Amorim, conta que os estudos revelaram uma fauna completamente diferente no Litoral e no Interior. "Enquanto essas diferenças são de até 100% entre as espécies, encontramos faunas iguais na região do Sul de Minas e Santa Catarina", afirmou Amorim. O projeto possui 50 espécies já publicadas e mais 950 a serem registradas.

Um dos novos gêneros de insetos descobertos pelo projeto foi nomeado em homenagem ao padre ribeirão-pretano Jesus de Santiago Moure. O vigário foi professor na Universidade Federal do Paraná e é um dos brasileiros mais renomados na área de estudos de insetos. A nova espécie foi batizada de Anapauses mourei.

Apesar da descoberta, a biodiversidade está ameaçada no Interior do Estado de São Paulo. Com o aumento da produção de cana-de-açúcar e outras monoculturas, muitos pontos da Mata Atlântica foram desmatados. "Há a possibilidade de espécies desconhecidas já terem sido extintas devido às plantações, porém, essa fauna existe em toda a região que estudamos", disse Dalton, que ressalta também a falta de áreas de preservação na região de Ribeirão.

Os estudos ainda não terminaram. "Pode ser que essa fauna vá até Campinas, ou até Jundiaí, não sabemos o limite de avanço dessas espécies. Ainda temos muitas coisas para estudar", afirmou o professor Dalton Amorim. Para sua continuação a segunda etapa do projeto ainda precisa de financiamento.

Até agora a pesquisa foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Participaram do projeto a Unesp de Jaboticabal, o Museu de Zoologia da USP de São Paulo e a Federal do ABC. Pesquisadores dos Estados Unidos e Austrália também colaboraram para as descobertas.(Renato Vidal/Gazeta de Ribeirão)

PERÍODO

5 Anos é a duração do estudo da USP em parceria com outras instituições

RP ainda possui uma variedade

A cidade de Ribeirão Preto é localizada no encontro dos domínios da Mata Atlântica, que pode ser encontrado próximo ao Teatro de Arena, e Cerrado, onde hoje é o bairro Ribeirão Verde. Junto com esses locais, as áreas de vegetação preservada não chegam a 8% do território do município. Essa junção pode proporcionar uma grande variedade de fauna e flora.

Segundo a bióloga e secretária do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema), Viviane Gaya Laguna, não há estudos sobre essas áreas que justifiquem sua preservação ou oriente a recuperação. "Hoje temos cerca de 100 fragmentos de vegetação natural, isolados entre si e muitas vezes isolados da água dos córregos", disse Viviane. Os fragmentos ao Sul de Ribeirão, próximos ao córrego da Onça (divisa com Guatapará), e os da vegetação sobre o Aquífero Guarani (fazenda da Barra) são prioridades para preservação. "São prioritários porque são diversos, grandes e próximos a água. Outro local nesta condição é a Mata Santa Tereza que já é protegida pelo Estado de São Paulo", contou a bióloga.

[Agência FAPESP]