Notícia

Jornal da Unicamp

Uma metodologia para a formação continuada

Publicado em 10 setembro 2007

Por Manuel Alves Filho

Outro resultado proporcionado pelos projetos de educação continuada diz respeito à busca de novos desafios por parte dos professores-alunos. Alguns deles sentiram-se motivados a ingressar na pós-graduação. Uma professora da rede estadual desenvolveu sua dissertação de mestrado sobre conflitos e intolerância religiosa. Como conta o professor Oscar Braz Mendonza Negrão, outro participante dos trabalhos, o tema nasceu de situação prática vivenciada na sala de aula. "Embora fosse bastante experiente, essa educadora não havia notado a existência de conflito religioso entre seus alunos", relata o docente do IG.

Ela só teve essa percepção depois que começou a participar do projeto, visto que desenvolveu um olhar mais atento e crítico sobre os diversos aspectos que envolvem a educação. "Assim que identificou o problema, ela decidiu investigá-lo no seu trabalho de pós-graduação, com o objetivo de propor soluções. Esse caso ilustra bem o que acontece hoje em dia em sala de aula. A atividade do professor tornou-se muito rotineira, o que faz com que ele dê pouca atenção ao que ocorre ao seu redor. Um dos nossos objetivos é ajudar a transformar essa realidade. Penso que a maior contribuição desse projeto é o desenvolvimento de uma metodologia de pesquisa sobre formação continuada desses professores", analisa Gonçalves.

Os participantes dos projetos recebem uma bolsa de aperfeiçoamento pedagógico fornecida pelo Programa de Ensino Público da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), cujo valor atual é de cerca de R$ 360,00 mensais, referente a 20 horas de atividades por semana. Eles são obrigados a apresentar relatórios sobre suas tarefas, que são analisados tanto pelos coordenadores quanto pela Fapesp. Também colaboram com os projetos a Petrobras, Universidade de São Paulo (USP), Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Ao longo dos anos, outras agências apoiaram essa experiência, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Atualmente, os projetos contam com o suporte de seis docentes e oito pós-graduandos do IG da Unicamp.