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Blog Stravaganza

Uma história do samba: as tias (e o avô) do samba

Publicado em 04 agosto 2020

Em 22 de julho de 1892, Hilário Jovino Ferreira — negro pernambucano de vinte anos de idade, criado desde menino em Salvador — conseguiu a tão esperada transferência para a capital federal. Deixaria de ser aprendiz no estaleiro da Bahia para começar a trabalhar como carpinteiro no Arsenal de Marinha, na ilha das Cobras, baía de Guanabara. Como tantos outros desembarcados no Rio de Janeiro de mala à cabeça ou trouxa ao ombro, Hilário instalou-se no bairro da Saúde, na subida do morro da Conceição, perto do largo da Prainha, território por excelência de rituais africanos, batucadas noturnas e rodas de capoeira. Além da Saúde, toda a região compreendida entre o cais do porto e os bairros do Estácio, Santo Cristo, Gamboa e Cidade Nova abrigava uma população caracterizada pela presença maciça de ex-cativos e descendentes de escravos, a ponto de todo aquele quinhão da cidade ficar historicamente conhecido como “Pequena África”.1

No início, Hilário ficou morando sob o teto e a proteção do baiano Miguel Pequeno, personagem identificado pela memória oral carioca como uma espécie de cônsul honorário dos conterrâneos recém-chegados à cidade. Instalou-se em um barraco no beco João Inácio, a poucos metros da histórica Pedra do Sal — a formação rochosa vizinha ao Valongo, local onde um dia funcionara o infame mercado de escravos e que, após a abolição, se tornara ponto de encontro para a comunidade negra, invariavelmente pobre. A escravatura no Brasil fora abolida quatro anos antes, sem que houvesse qualquer espécie de compensação pelos quase quatrocentos anos de cativeiro imposto aos africanos e seus descendentes.

Antes de os futuros aterros alterarem por completo a paisagem litorânea carioca, a Pedra do Sal ficava quase rente ao mar. A partir dela, os moradores do bairro saudavam os navios abarrotados de familiares, agregados e conhecidos que chegavam da Bahia para tentar a sorte no Rio. Uma bandeira branca agitada no convés, sinal de Oxalá, o criador do universo na cosmogonia dos orixás — entidades míticas ancestrais do povo nagô —, era o aviso de haver gente amiga e irmã a bordo.2

Bastaram algumas semanas para o forasteiro Hilário Jovino se ambientar nos novos ares. Era um sujeito de humor instável, dado a rompantes e mudanças bruscas de opinião. Mas alternava tais momentos de rabugice com uma lábia envolvente, cheia de dengos, malemolências, leros e picardias, para encanto das mulheres e admirada cumplicidade dos homens. Apesar da pouca idade, passou a exercer uma notória liderança entre os baianos desterrados no Rio de Janeiro. Tornou-se ogã — posição hierárquica no candomblé logo abaixo do pai de santo — no terreiro de João Alabá, um dos mais venerados babalorixás da cidade, sacerdote com fama de poderoso mandingueiro, capaz de prever o futuro nos búzios, providenciar despachos infalíveis e fechar o corpo de qualquer um contra ocasionais inimigos.3

Os batuques promovidos por João Alabá nos fundos do número 174 da rua Barão de São Félix intercambiavam os signos da religião e da festa, alternando cânticos sagrados e danças profanas. Tudo irrigado a generosas garrafas de pinga e cerveja, secundado pelos aromas e sabores apimentados da culinária afro-brasileira, em que não poderiam faltar as moquecas com dendê, o xinxim de galinha, o acarajé, o sarapatel, o vatapá e o caruru. Não raro, tais reuniões, organizadas com a ajuda do ogã Hilário, chegavam a se espichar por até oito dias ininterruptos, o som dos tambores varando noites e madrugadas, atraindo gente dos mais distantes subúrbios do Rio. Era o que se chamava de “abarracar”: quem tinha alguma ocupação saía de manhã, pegava no batente durante o dia e, à tardinha, voltava para a quizomba.4

Hilário Jovino não teve dificuldades de se integrar ao Rei de Ouro, grupo formado pela vizinhança do beco João Inácio para manter a tradição baiana (e de outras províncias do “norte” do país) de celebrar o ciclo natalino com um rancho de Reis — cortejo dramático-musical simulando o périplo dos reis magos a Belém para adorar o Menino Jesus. Figuras de um presépio vivo, os integrantes fantasiavam-se de animais, anjos, pastores e pastoras.5

Legado medieval ibérico, transplantado para o Brasil nos idos da colônia, os ranchos de Reis eram associações festivas integrantes de um rico conjunto de representações pastoris, sincretismo devocional com múltiplas variantes e denominações, conservadas e reunidas sob a designação comum de “reisados”. A cada ano, na véspera de 6 de janeiro — o Dia de Reis no calendário cristão —, os ranchos peregrinavam pelas ruas cantando e dançando ao som de violões, cavaquinhos, flautas e castanholas, parando à porta de amigos para pedir ofertas, fazer louvações e saudar os donos da casa com risos e música.6

O popularíssimo Hilário Jovino Ferreira também logo passou a ser um dos fregueses mais assíduos do Café Paraíso, boteco estabelecido no número 157 da rua Larga de São Joaquim (atual Marechal Floriano), bem no meio do quarteirão compreendido entre as ruas Regente Feijó e Camerino. Foi lá que se juntou a uma turma de maiorais que, a exemplo dele, eram quase todos provenientes da saudosa Bahia. Uma gente festeira e amistosa, mas iniciada nas artes e segredos da capoeira.7

Entre os companheiros de noitadas de Hilário estava Avelino Pedro de Alcântara, porteiro do auditório da 4a Pretoria do Rio de Janeiro — a Justiça do Distrito Federal era exercida por 21 juízes pretores, cada qual responsável por uma determinada região da cidade. A despeito de ser funcionário da lei, Avelino possuía largo histórico de passagens pela polícia, incluindo um inquérito por assassinato.

Certa noite, após entornar uns tragos no Paraíso, ele partiu para cima de um rapagão que ousara arrastar a asa para a mulata na qual estava de olho. Quando um terceiro sujeito tentou contê-lo, Avelino de Alcântara sacou o punhal da cintura e, sem pestanejar, deu-lhe uma estocada à altura do ventre — ou, no linguajar das ruas, enfiou-lhe o ferro no saco de tripas. A lâmina afiada trespassou o corpo do desafeto. Avelino foi indiciado, mas livrou-se de passar uma boa temporada na cadeia ao alegar legítima defesa.8

Quando mais tarde foi promovido a meirinho, pesou também sobre Avelino outra grave acusação. Após cumprir uma ordem de despejo em uma casa de cômodos na rua do Cotovelo, 23, ele e dois colegas enfrentariam um processo judicial por supostamente arrombarem o imóvel e se apropriarem de elevada quantia em dinheiro guardada no colchão por um dos moradores. Entre os bens desaparecidos e declarados à polícia pelo queixoso, estariam ainda uma calça preta de casimira, um “guarda-chuva em perfeito estado”, um revólver e um anel de brilhante, além de mais de cinco contos de réis em espécie, alegadamente ganhos na loteria. Chegou a ser aberto um inquérito para apurar o caso, mas o juiz responsável decidiu pelo arquivamento do processo, por “insuficiência de provas”.9

O próprio dono do botequim onde Hilário costumava tomar seus pifões, o português João Rodrigues Paraíso, andou encrencado com a lei. Um dia, por trás do balcão e da caixa registradora, brincava com um trabuco diante dos clientes quando — por mero descuido, segundo jurou nos autos — a arma disparou e acabou ferindo à bala um inspetor de polícia que zanzava pelo local.10

Mas, naquele 6 de janeiro de 1893, não haveria bafafá no Café Paraíso. Era Dia de Reis, e o genioso Hilário Jovino Ferreira, já rompido com os demais integrantes do grupo, decidira abandonar o Dois de Ouro. Dizia-se determinado a fundar seu próprio rancho, o maior de todos, como nunca houvera igual em todo o Rio de Janeiro, conforme pressagiou, com habitual imodéstia. Comunicou a resolução aos camaradas de copo, convidou-os para fazer parte da confraria e correu em direção à vendinha ao lado — a Casa Síria, do “turco” Antônio Nicolau —, para comprar dois cortes de meio metro de seda, um verde, outro amarelo. Com eles, improvisou o primeiro estandarte da nova agremiação.11

Para fazer correr a notícia pelos becos, travessas e ladeiras da Saúde, Hilário promoveu naquele mesmo dia um grande furdunço, convocando toda a redondeza para o samba — a palavra “samba”, a essa época, era apenas sinônimo de festa e não um gênero musical específico. Estava todo mundo lá, os bambambãs do Paraíso, com seus sugestivos apelidos: Chico Canjica, Teodoro-Geme-Só, João da Mocotina, Lelé, Dudu, Tito Barãozinho, João Capenga e Marinho-que-Toca, além de Noela, Gracinda, Chica do Marinho e Joana do Passinho. A certo momento da festança, Hilário autoproclamou-se presidente do grupo, nomeou o amigo Avelino seu vice e declarou estar fundado o novo rancho, o Rei de Ouro.12 O anterior, Dois de Ouro, tornara-se brincadeira menor, carta fora do baralho.13

Como era comum na Bahia, Hilário esticou as saídas do cortejo para além do ciclo natalino e pôs o grupo na rua em pleno Carnaval, fato até ali pouco comum no Rio de Janeiro. Como novidade extra, fundiu a orquestração costumeira de violão, flauta, cavaquinho e castanholas a uma percussão mais próxima da sonoridade africana, com tantãs, pandeiros e ganzás, além de incluir as figuras da porta-estandarte e do baliza (o precursor do mestre-sala), já tradicionais nos reisados baianos, mas ainda raros nos ranchos da capital federal.14

O estandarte definitivo, mandado confeccionar na requintada Casa Sucena, da rua da Quitanda, ao preço de 100 mil-réis (o equivalente ao valor de um vestido de noiva na alfaiataria Au Boulevard), foi oferta especial de Bamboxê Obitikô, o Tio Bamboxê, africano nascido no Benim e, segundo a crônica histórica da cidade, o primeiro babalaô — sacerdote iorubá, de presumidos poderes oraculares — a montar tenda no Rio. Joana do Passinho foi escolhida a porta-estandarte, a ser escoltada pelo próprio Hilário no papel de baliza. À frente do desfile que desceu o beco em direção ao largo de São Domingos, Teodoro-Geme-Só carregava um grande pássaro cenográfico, à guisa de abre-alas, seguido de um grupo de pastoras.15

Mesmo a esse tempo, as conexões entre integrantes das camadas populares e representantes de certa elite social eram mais comuns do que se pode imaginar. Avelino, vice-presidente da agremiação, utilizou-se de suas relações como funcionário da 4a Pretoria para conseguir, junto a conhecidos de maior influência, a devida autorização policial para o primeiro cortejo carnavalesco do Rei de Ouro.16 A cautela era providencial. A polícia vinha mantendo ostensiva vigilância contra os cordões de mascarados e havia declarado guerra ao entrudo, o Carnaval de rua de outrora, no qual os brincantes promoviam batalhas campais de farinha e banhos de esguicho. Os românticos limões de cheiro — pequenas esferas de cera recheadas de água perfumada atiradas por moçoilas e rapazelhos das janelas dos sobrados — haviam cedido lugar às bisnagas espargindo líquidos malcheirosos e de procedência duvidosa (o que nesse caso podia incluir lama, urina e até esperma humano).17

A constatação de que o Rei de Ouro fundado por Hilário chegara para instituir uma nova forma de folia, mais disciplinada e ordeira, com cordas de isolamento separando os brincantes do público das calçadas, vinha a calhar com os propósitos das autoridades desejosas por “civilizar” o Rio de Janeiro. Aos olhos do aparato repressivo, era preferível os moradores da zona portuária se reunirem durante o Carnaval em torno de ranchos de origem natalina e vagamente católica a vê-los envolvidos, por exemplo, nos alvoroços do entrudo ou nos cortejos dos velhos cordões e cucumbis.18 “E dizer-se que há gente neste mundo que se diverte com essa isocronia enfadonha”, já repudiara o Diário de Notícias.19

O Rei de Ouro forneceu o modelo e, nos anos posteriores, outros grupos similares brotariam no Carnaval da cidade, todos fazendo questão de se diferenciar do formato insubmisso dos antigos cordões. Os jornais, engajados na campanha civilizatória em curso na capital da República, teceriam loas às novas agremiações, comparando-as a uma espécie de versão popular das três grandes sociedades carnavalescas cariocas — o Clube dos Fenianos, os Democráticos e os Tenentes do Diabo —, grêmios de elite que promoviam desfiles luxuosos ao som de valsas e árias de ópera, com carros alegóricos e fantasias suntuosas inspiradas no exemplo do mais bem-comportado Carnaval veneziano.

“Cabe-nos a glória de ter sido sempre os primeiros no torneio do espírito, mas do espírito fino, e não desse espírito grosseiro e canalha que inebria as crioulas baianas”, proclamava, a propósito, um anúncio mandado publicar nos jornais pela diretoria dos Democráticos.20

No Carnaval do ano seguinte, 1894, o Dois de Ouro de Hilário Jovino foi convidado a desfilar perante o então presidente da República, o marechal Floriano Peixoto.21 Suprema honra. A folia nascida entre pobres, negros e marginalizados parecia ter encontrado um possível caminho para conquistar as benevolências do poder e o aplauso das classes bem-nascidas. O tempo mostraria o preço a ser pago por esse gradativo pacto de aceitação pública, de um lado, e controle social, de outro: a crescente domesticação dos corpos — e uma consequente desafricanização dos espíritos.22

Desafricanizar a capital da República, aliás, era uma missão que as autoridades vinham pondo em prática em nome da modernidade e da civilização.

O regime republicano, instaurado em 1889, um ano e meio depois da abolição dos escravos, dizia-se inspirado nos postulados científicos da filosofia positivista do francês Auguste Comte. Não por acaso, tinha como lema a máxima comtiana “O amor como princípio, a ordem como base e o progresso como meta” — divisa imortalizada, em versão sintética, na própria bandeira instituída pelo governo federal então recém-instalado e que, até hoje, serve de símbolo nacional aos brasileiros: “Ordem e Progresso”.

Por semelhante perspectiva, os velhos cortiços eram considerados a principal insígnia do atraso, a representação eloquente de um passado a ser combatido e um mal a ser extirpado, como um asqueroso tumor, em nome da pretendida assepsia dos novos tempos e dos ares renovadores do novo modelo civilizatório. Daí a “campanha cívica” pela derrubada do maior de todos eles, o Cabeça de Porco, composto por um labirinto de casebres, cocheiras, estábulos, pocilgas e galpões, situado à rua Barão de São Félix, no coração da Pequena África.

Classificado pela imprensa como um “valhacouto de capoeiras e assassinos”,23 “mundo de imundície”,24 “atestado negativo da nossa civilização e do nosso bom senso em matéria de higiene”,25 o local acolhia em torno de 2 mil moradores, a maioria deles negros e mulatos, gente que engrossava a legião de estivadores, pedreiros, serventes, costureiras, ambulantes, marceneiros, doceiras, sapateiros, lavadeiras, biscateiros, prostitutas, punguistas, rezadeiras, embromadores, ventanistas e desempregados em geral da cidade.26

Às sete e meia da noite do dia 26 de janeiro de 1893, um batalhão de infantaria, com soldados armados de fuzis, carabinas e mosquetões, ficou encarregado de iniciar a ação, cercando o local e impedindo qualquer pessoa de romper os cordões de isolamento. Um piquete de cavalaria deslocou-se para a área, investido da missão de guarnecer as ruas e os becos transversais e desestimular, de espada em riste, possíveis focos de resistência. Forças policiais auxiliares infiltraram-se pela retaguarda, depois de se embrenhar nas matas quase virgens do morro da Providência, elevação encravada entre a zona portuária e a região central da cidade.27

Por volta das nove da noite, cerca de 150 homens, funcionários da prefeitura municipal, municiados de marretas, alavancas e pés de cabra, obedeceram à voz de comando e arremeteram contra o alvo. O bruxulear dos archotes usados para iluminar a operação militar conferia maior dramaticidade à cena. Uma multidão, contida ao largo pelo contingente armado, assistia à distância, como a um espetáculo sinistro, à destruição madrugada adentro. O elemento surpresa impediu possíveis reações organizadas por parte dos desalojados. Em meio à barulheira e à penumbra, homens, mulheres e crianças, antes encafuados nos desvãos dos pequenos imóveis, corriam atônitos pelas ruelas tentando salvar um ou outro pertence tido como mais valioso: colchões, alguns poucos móveis, trouxas de roupa, tralhas de cozinha. Na manhã seguinte, no entanto, sob o sol de verão carioca, foi possível constatar o tamanho do estrago: nada escapara à demolição. Restou, no local, apenas uma montanha poeirenta de entulho.28

“Foi um espetáculo bonito”, definiu um dos jornais de maior circulação à época, O Paiz. “A impressão moral daquele feito era como se aos golpes ruidosos, em vez de rolarem pedras, rolassem crenças, ruíssem tradições”, analisou o matutino.29 Outra publicação, O Tempo, foi mais explícita: “Metemos uma lança em África, espostejando a Cabeça de Porco”.30 A imprensa foi unânime em glorificar a “medida civilizatória” imposta à paisagem da cidade pelo primeiro prefeito da história do Rio de Janeiro, Cândido Barata Ribeiro, médico e intelectual baixinho, magricela e míope, de testa larga e barbas longas, um dos nomes mais proeminentes do movimento republicano brasileiro.

Com o fim do Cabeça de Porco, a maioria dos 2 mil moradores não viu alternativa senão resgatar tábuas e pedaços de madeira entre os destroços do velho cortiço e, sem ter onde morar, subir e desbravar as encostas do morro da Providência. Com o material de demolição, somado a latas de querosene desdobradas, caixas de bacalhau e folhas de zinco, improvisaram-se barracões rudimentares, espetados sem alicerces confiáveis na topografia íngreme, como se ousassem desafiar a lei da gravidade. “A cabeça está decepada, mas o rabo, intendência, […] sim, o rabo, que é sempre o mais difícil de esfolar, toda essa cauda de expulsos que trazeis atrás, onde a acomodareis?”, indagava O Paiz.31

Processos similares de remoção e demolição de uma série de habitações populares segregariam outros pobres da cidade morro acima. Além da Providência, os morros de Santo Antônio, São Carlos, Borel, Formiga, Macaco, Mangueira e Salgueiro viveriam o mesmo processo de ocupação desordenada, com a implantação de casebres sem arruamento definido, sem água, sem esgoto e sem luz.32 “No Rio de Janeiro, os que descem na escala da vida vão morar para o alto, instalando-se na livre assomada das montanhas, pelos chãos elevados e distantes, de difícil acesso”, ilustrou o cronista Luís Edmundo.33

Em paralelo, a pobreza se espalhava igualmente pelos subúrbios da cidade. A chegada progressiva dos trilhos e das respectivas marias-fumaças aos chamados “sertões cariocas” abriu passagem para a instalação de choupanas ao longo do leito da linha férrea. Antigas freguesias rurais, como Irajá e Inhaúma — antes pontilhadas por prósperos currais de gado, chácaras, olarias, alambiques, plantações de cana-de-açúcar, lavouras de milho, mandioca, frutas e hortaliças —, iam sendo ocupadas e retalhadas em sucessivos loteamentos. A fazenda do Campinho, arrendada pelo boiadeiro Lourenço Madureira, e o engenho do Portela, propriedade do produtor português de cachaça e rapadura Miguel Gonçalves Portela, foram algumas dessas grandes propriedades que, após a abolição da escravatura, entraram em declínio e terminaram loteadas.34 “Aquelas freguesias, de Éden que eram até então, passaram a covil de jogadores, ladrões e assassinos”, alarmou-se o jornal O Carbonário.35

As locomotivas fumacentas logo começaram a fazer paradas em Cascadura, distante cerca de quinze quilômetros da Estação Pedro II, a atual Central do Brasil. Não demorou muito e o ramal auxiliar da Leopoldina Railway já contava com estações na Penha, Bonsucesso, Ramos e Olaria, em torno das quais brotaram os respectivos bairros populares da Zona Norte carioca. Dali, os trens alcançaram o rio das Pedras, em paragens que abrigariam mais uma comunidade nascente, Oswaldo Cruz — denominação escolhida em homenagem ao médico responsável, na virada do século, pela campanha higienista de combate à febre amarela e à peste bubônica no Rio de Janeiro.36

A exemplo do ocorrido nos morros próximos às áreas centrais da cidade, os distantes subúrbios não paravam de receber contingentes de negros, mestiços e ex-escravos, muitos deles oriundos da decadente zona cafeeira do Vale do Paraíba. Assim, em vez de se falar de uma Pequena África, única, idealizada e resumida à área próxima à zona portuária da cidade, talvez fosse mais apropriado se imaginar uma miríade de outras pequenas áfricas, todas já disseminadas na acidentada geografia do Rio de Janeiro.

O processo de exclusão, contudo, se fazia acompanhar de um movimento simultâneo, rico de confluências e assimilações. Sob o olhar nauseado das elites, as festividades originárias de tradição branca e portuguesa experimentavam uma gradual apropriação pela comunidade negra. As comemorações cristãs em homenagem a Nossa Senhora da Penha, por exemplo, transformaram-se em ponto de convergência para o sincretismo dos festejos populares. Nas barraquinhas armadas em torno da igreja da Penha — santuário localizado no alto de um penhasco, ao fim de uma escadaria de 382 degraus encravados na rocha viva e vencidos a pé ou de joelhos pelos devotos —, as iguarias lusitanas foram cedendo lugar aos molhos e quitutes de sabor afro-brasileiro. Nesse cenário, emergiam novas sonoridades, coreografias, ritos, saberes, crenças, formas de lazer. Instrumentos trazidos da Europa como violões, violas, bandolins, flautas e sanfonas passavam a dialogar com atabaques, xequerês, ganzás e marimbas.

“Em um clima de inferno, dança-se, grita-se, ganha-se. A alegria colossal da plebe vence as horas”, testemunhou o escritor Raul Pompeia, autor de O Ateneu, ao vistoriar uma das edições da Festa da Penha.

"A roda fecha. No centro, requebra-se a mulata e canta, afogada pela curiosidade sensual da roda.

Depois da mulata, dançam outros foliões de dois sexos. Os circunstantes batem palmas, marcando a cadência e esquecem-se, quase a dançar também, olhando o saracoteio lento, ou as umbigadas desenfreadas."37

Desde a era colonial, quando os ritmos e danças dos escravos começaram a ser rotulados pelos brancos sob a designação genérica de “batuques”, as tais umbigadas — recorrentes nas danças dos povos bantos de Angola — vinham chamando a atenção de portugueses e viajantes estrangeiros no Brasil. Eles se escandalizavam com a visão de um casal de negros gingando no meio do grande círculo humano para, sob a cadência das palmas coletivas, inclinar os corpos para trás e, ato contínuo, fazer os respectivos ventres se encontrarem, numa simulação do ato sexual.

“Imaginem-se as mais detestáveis contrações musculares, sem cadência, os mais indecentes requebros das pernas e braços seminus, os mais ousados saltos, as saias esvoaçantes, a mímica mais nojenta, em que se revelava a mais crua volúpia”, ruborizara-se o suíço-alemão Carl Seidler, ao narrar suas experiências de viajante nos trópicos, em Dez anos no Brasil.38

Dessas rodas ancestrais de batuque derivaram os principais ritmos e danças rurais identificáveis nos mais diferentes confins do país. Do jongo do Sudeste à embolada nordestina, do tambor de crioula maranhense às chulas do Recôncavo Baiano, do bambelô potiguar ao coco de praia cearense, todos parecem ter bebido da mesma fonte original. Em comum entre eles, além da eventual troca de umbigadas, o acompanhamento de palmas ritmadas, a percussão intensa dos tambores e o padrão característico do canto responsorial — o solista entoa versos, por vezes improvisados, seguido pelo estribilho fixo, em forma de coro.39

Nas zonas urbanas, o contato com danças de salão e estilos musicais de origem europeia se encarregaria de promover fusões e assimilações posteriores, dando origem a um gênero afro-brasileiro de música e dança que herdou a característica umbigada dos batuques angolanos, combinada com o estalar dos dedos, os braços elevados e as mãos à cintura típicos de bailados ibéricos, como o fandango espanhol.40 Era o lundu, o avô do samba.

Não demorou muito — apenas cerca de um ano e meio — para o turrão Hilário Jovino se cansar também do Rei de Ouro, romper com metade dos integrantes da diretoria e decidir fundar um novo rancho dissidente, o Rosa Branca. Dessa vez, dividiu o comando do grupo com Miguel Pequeno, o “cônsul honorário” dos baianos no Rio, de quem, aliás, partira a ideia original de formar a nova agremiação. As providências necessárias para se obter a devida chancela policial para sair às ruas já estavam avançadas quando um escândalo doméstico provocou o fim da amizade entre os camaradas Miguel e Hilário.41

Miguel Pequeno era casado com Amélia, negra bonita que arrancava suspiros dos marmanjos por onde passava. O marido, em contrapartida, não era exatamente um príncipe etíope de beleza. Chegou a ser descrito, numa das crônicas do jornalista e escritor João do Rio a respeito de personagens populares cariocas, como “um negro que parece os anões de d. Juan” — comparação maldosa associando o tipo físico de Miguel Pequeno aos bufões negros deformados pelo nanismo citados no poema épico do britânico George Gordon Byron, o Lord Byron.42

Contudo, se existia algum dom-juan vagando ali por perto, este era Hilário. Reconhecido mulherengo, ele não resistiu à tentação e infringiu a regra tácita de não mexer com mulher de amigo. Seduziu Amélia e fugiu com ela, deixando para trás um inconsolável Miguel Pequeno debruçado sobre os papéis relativos à licença policial do Rosa Branca.

O esposo traído ficou amuado e decidiu repassar os documentos do rancho às mãos de outra venerável figura entre os conterrâneos da comunidade baiana no Rio de Janeiro: a doceira e cozinheira Hilária Batista de Almeida, negra de quarenta anos de idade, dona de um tabuleiro de quitutes armado na rua da Carioca e mais conhecida como Assiata de Oxum — ou, como passaria à história, Tia Ciata.43

Natural de Santo Amaro da Purificação (BA), iniciada no candomblé por Tio Bamboxê, a xará de Hilário Jovino era Iyá Kekerê (“mãe-pequena”, no idioma iorubá) do terreiro de João Alabá, cargo hierárquico que a colocava na condição de auxiliar direta do prestigioso pai de santo. Entre as obrigações e prerrogativas dessa ascendência religiosa, cabiam-lhe a orientação espiritual dos filhos de santo e a prescrição dos banhos rituais de iniciação das noviças.44

Para João do Rio — que tinha os terreiros de candomblé na conta de “antros de gorilas manhosos e de uma súcia de pretas cínicas ou histéricas” —,45 Tia Ciata não passaria de “uma negra baixa, fula e presunçosa”,46 “uma das feiticeiras de embromação”.47

Na verdade, assim como muitas mulheres negras tratadas reverencialmente como “tias” pela comunidade — Tia Bebiana, Tia Celeste, Tia Dadá, Tia Davina, Tia Gracinda, Tia Mônica, Tia Perpétua, Tia Perciliana, Tia Sadata e Tia Veridiana —, Ciata desempenhava uma liderança comunitária e um protagonismo indiscutível no cotidiano dos moradores de toda a região da Saúde, Cidade Nova e Gamboa. Sua casa e seu terreiro, localizados a essa época na rua da Alfândega, eram santuários nagôs, mas também espaços de proteção social que abrigavam trabalhadores da estiva, pretos velhos, tocadores de tambor, inveterados boêmios e capoeiristas procurados pela polícia. Assim como nas noitadas promovidas por João Alabá na Barão de São Félix, as festas de Ciata e das outras tias baianas não conheciam hora para acabar, estendendo-se por dias a fio, com a característica fartura de comes e bebes, ao som da ininterrupta batucada.48

A festa, portanto, era também uma fresta, espaço comunitário que subvertia a sujeição dos corpos à lógica produtivista do mercado e à normatização dos comportamentos exigidas pelos novos tempos, ditos civilizados. Festeiros e festeiras tradicionais compareciam em massa à casa para pedir a bênção, no mais das vezes levando a filharada ao colo. Daí ser natural a presença recorrente de uma meninada irrequieta e barulhenta, criada de pés descalços e familiarizada desde o berço ao som dos atabaques. Caso, por exemplo, dos pequenos João, José e Ernesto.

O primeiro era filho de Perciliana Maria Constança, a Tia Perciliana, exímia tocadora de pandeiro. O segundo, de uma imigrante portuguesa, Graciliana, e um negro pintor de painéis murais em clubes e botequins, Tené. O terceiro, de Amélia Silvana de Araújo, a Tia Amélia, casada com um pedreiro, Pedro Joaquim, tocador de bombardino nas horas vagas.49

Aquele trio de pirralhos jamais passaria à posteridade pelos nomes de batismo — e menos ainda pelos respectivos sobrenomes. A menção às identidades de João Machado Guedes, José Barbosa da Silva e Ernesto Joaquim Maria dos Santos hoje pouco ou quase nada significa. Eles se tornariam célebres mesmo com seus prosaicos apelidos de infância: João da Baiana, Sinhô e Donga.50

Notas

1. A transferência de Hilário Jovino de Salvador para o Rio de Janeiro foi documentada em nota de O Pequeno Jornal (Salvador, p. 2, 22 jul. 1892). Os dados biográficos foram extraídos do auto de qualificação do processo OR.2264, movido pela Justiça contra o réu Hilário Jovino Ferreira, 8a Pretoria do Rio de Janeiro, 1902, Arquivo Nacional. Para o local onde se instalou Hilário, ver “Os ranchos: A sua organização — Completo desenvolvimento” (Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 10, 18 jan. 1913). Para o conceito de “Pequena África”, ver Roberto Moura, Tia Ciata e a Pequena África no Rio de Janeiro (Rio de Janeiro: Funarte, 1983), p. 93.

2. Roberto Moura, ibid., p. 43.

3. Para o perfil de Hilário Jovino, ver Roberto Moura, ibid., pp. 91-2 e 103-4. Para as informações a respeito de João Alabá, conferir Francisco Guimarães (Vagalume), Na roda de samba (Rio de Janeiro: Typographia São Benedicto, 1933), p. 98 e “Mistérios da mandinga” (Crítica, Rio de Janeiro, p. 5, 13 jan. 1929).

4. Para as festas nas casas da comunidade baiana no Rio, ver depoimento de Donga ao Museu da Imagem e do Som (MIS), transcrito em Antônio Barroso Fernandes, As vozes desassombradas do museu (Rio de Janeiro: Secretaria de Educação e Cultura; Museu da Imagem e do Som, 1970). Para uma interpretação da festa como metáfora de resistência social, ver Muniz Sodré, Samba, o dono do corpo (Rio de Janeiro: Codecri, 1979), pp. 11-8.

5. “A origem dos ranchos: O tenente Hilário J. Ferreira, criador dos ranchos no Rio, fala ao Diário Carioca — Reminiscências de um velho carnavalesco — Como foi fundado Ameno Resedá”. Diário Carioca, Rio de Janeiro, p. 5, 27 fev. 1930; “Os ranchos: A sua organização — Completo desenvolvimento”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 10, 18 jan. 1913.

6. Ulisses Passareli, “Tipologia dos reisados brasileiros: Estudo preliminar”. Casa Santos Reis. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2015; José Ramos Tinhorão, “A memória milenar dos pastoris brasileiros”. In: Cultura popular: Temas e questões. São Paulo: Ed. 34, 2001, pp. 115-7.

7. Ver nota 4.

8. Para o crime, “Tentativa de assassinato” (Gazeta de Noticias, Rio de Janeiro, p. 1, 15 jul. 1893). Para a profissão de Avelino, “Pretorias do Distrito Federal” (Almanach Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro para 1899, Rio de Janeiro, 1899, p. 186).

9. Processo no 212, na Câmara Criminal do Tribunal Civil e Criminal, 18 nov. 1896. Arquivo Nacional.

10. “Retalhos”. O Paiz, Rio de Janeiro, p. 2, 25 maio 1894.

11. Para a decisão de Hilário, “Os ranchos: A sua organização — Completo desenvolvimento” (Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 10, 18 jan. 1913) e “A origem dos ranchos: o tenente Hilário J. Ferreira, criador dos ranchos do Rio, fala ao Diário Carioca — Reminiscências de um velho carnavalesco — Como foi fundado Ameno Resedá” (Diário Carioca, Rio de Janeiro, p. 5, 27 fev. 1930). Ver também Jota Efegê, Figuras e coisas do Carnaval carioca (Rio de Janeiro: Funarte, 1982), pp. 88-90. Para o nome da venda e do proprietário do armarinho, ver “Fogo”, notícia sobre incêndio no quarteirão em O Paiz (Rio de Janeiro, p. 2, 6 dez. 1898).

12. O Jornal do Brasil, na edição de 5 de março de 1921, informava que o vice do rancho teria sido Luís de França, mas o próprio Hilário afirmou ao Diário Carioca, na entrevista citada na nota acima, que foi Avelino. Quanto ao nome da agremiação, há divergência entre as fontes. Alguns autores grafam “Ouro”, enquanto outros preferem “Ouros”. No depoimento ao Diário Carioca, Hilário diz “Ouro”, opção preferida pelo autor.

13. Ibid.

14. Ulisses Passareli, Tipologia dos reisados brasileiros. Casa Santos Reis. Disponível em: . Acesso em: 7 dez. 2015.

15. Para o valor do estandarte, “Histórico dos ranchos — Da Bahia para o Rio — Os fatores de um grande progresso — O Carnaval do futuro” (Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 7, 5 mar. 1921). Para a descrição do cortejo, Jota Efegê, Figuras e coisas do Carnaval carioca, op. cit. Para um histórico dos ranchos, ver Maria Clementina Pereira Cunha, Ecos da folia: Uma história social do Carnaval carioca entre 1880 e 1920, op. cit.; Martha de Abreu Esteves, O império do Divino: Festas religiosas e cultura popular no Rio de Janeiro (1830-1900) (Rio de Janeiro: Nova Fronteira; Fapesp, 1999); Nireu Cavalcanti, “Memórias de alegria: O Rio de Janeiro na folia dos ranchos” (In: Icléia Thiesen, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros e Marco Aurélio Santana [Orgs.], Vozes do porto: Memória e história oral. Rio de Janeiro: DPA; Unirio, 2005, pp. 81-110); Anésio Pereira Dutra, Ranchos: Estilo e época (contribuição ao estudo dos ranchos no Carnaval carioca) (Rio de Janeiro: Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, 1985). Para o valor do vestido de noiva anunciado pela alfaiataria Au Boulevard, Diário de Notícias (Rio de Janeiro, p. 4, 7 jan. 1893).

16. “A origem dos ranchos: o tenente Hilário J. Ferreira, criador dos ranchos do Rio, fala ao Diário Carioca — Reminiscências de um velho carnavalesco — Como foi fundado Ameno Resedá”. Diário Carioca, Rio de Janeiro, p. 5, 27 fev. 1930.

17. Maria Clementina Pereira Cunha, Ecos da folia, op. cit., pp. 87-124.

18. Ibid., p. 212. Marília T. Barboza da Silva, Carlos Cachaça e Arthur L. de Oliveira Filho, Fala, Mangueira! (Rio de Janeiro: José Olympio, 1980), pp. 24-5.

19. “Carnaval”. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, p. 1, 18 fev. 1890.

20. Citado por Maria Clementina Pereira Cunha, Ecos da folia, op. cit., p. 115.

21. Ver nota 4.

22. O termo “desafricanização”, aqui utilizado, foi tomado de empréstimo de Nei Lopes, que dedica a ele um alentado verbete em sua Enciclopédia brasileira da diáspora africana, op. cit., p. 233.

23. Hermeto Lima, “A cabeça de porco”. Revista da Semana, Rio de Janeiro, p. 14, 2 ago. 1924.

24. “Cabeça de porco — demolição da estalagem”. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, p. 1, 27 jan. 1893.

25. “Croniqueta”. A Estação, Rio de Janeiro, p. 13, 15 fev. 1893.

26. Para a descrição mais detalhada do cortiço, ver Lilian Fessler Vaz, “Notas sobre o Cabeça de Porco” (Revista do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, v. 1, n. 2, pp. 29-35, jan./dez. 1986).

27. A cena narrada no início do capítulo foi reconstituída com base em Sidney Chalhoub, Cidade febril: Cortiços e epidemias na Corte imperial (São Paulo: Companhia das Letras, 1996), pp. 15-20, além das edições dos dias 27, 28 e 29 de janeiro de 1893 dos jornais Diário de Notícias, Gazeta de Notícias, Jornal do Brasil, O Paiz e O Tempo. Também foram utilizadas as edições de janeiro e fevereiro de A Estação, O Álbum, Revista da Semana e Revista Ilustrada.

28. Ver nota anterior.

29. “Foi um espetáculo bonito”. O Paiz, Rio de Janeiro, p. 1, 27 jan. 1893.

30. “Por alto…”. O Tempo, Rio de Janeiro, p. 2, 28 jan. 1893.

31. “A cabeça de porco”. O Paiz, Rio de Janeiro, p. 1, 29 jan. 1893.

32. Alba Zaluar e Marcos Alvito (Orgs.), Um século de favela. Rio de Janeiro: FGV, 1998, pp. 8-24.

33. Luís Edmundo, O Rio de Janeiro do meu tempo. v. 1. Rio de Janeiro: Conquista, 1957, p. 199.

34. Brasil Gerson, História das ruas do Rio. Rio de Janeiro: Prefeitura do Distrito Federal, 1954, pp. 452-75; Luiz Antônio Simas, Tantas páginas belas: Histórias da Portela. Rio de Janeiro: Verso Brasil, 2012, pp. 25-31.

35. “Descalabro moral”. O Carbonário, p. 2, 28 jan. 1884.

36. Brasil Gerson, op. cit.

37. Raul Pompeia, citado por Roberto Moura, op. cit., p. 109.

38. Carl Seidler, Dez anos no Brasil: Eleições sob dom Pedro I, dissolução do Legislativo, que redundou no destino das tropas estrangeiras e das colônias alemãs no Brasil. Brasília: Senado Federal, 2003, p. 317.

39. Edison Carneiro, Samba de umbigada: Tambor de crioula, bambelô, coco, samba de roda, partido-alto, samba-lenço, batuque, jongo-caxambu. Rio de Janeiro: MEC, 1961, pp. 15-32; Nilcemar Nogueira (Org.), Dossiê das matrizes do samba no Rio de Janeiro: Partido-alto, samba de terreiro, samba-enredo. Brasília: Iphan, 2005, p. 14.

40. José Ramos Tinhorão, Os sons dos negros no Brasil — Cantos, danças, folguedos: Origens. São Paulo: Ed. 34, 2008, pp. 55-84.

41. Depoimento de Donga ao MIS, transcrito em Antônio Barroso Fernandes, op. cit.

42. Para a beleza de Amélia, ver nota anterior. Para a referência maldosa a Miguel Pequeno, ver João do Rio, As religiões no Rio (Rio de Janeiro: José Olympio, 2015), p. 51.

43. Ver nota 41. Para o perfil biográfico de Tia Ciata, Roberto Moura, op. cit.

44. Roberto Moura, op. cit., p. 99.

45. João do Rio, op. cit., p. 50.

46. Ibid., p. 65.

47. Ibid., p. 44.

48. Ver nota 34.

49. Para os respectivos perfis biográficos, conferir os verbetes “João da Baiana” (pp. 375-6), “Sinhô” (pp. 719-21) e “Donga” (pp. 236-7) em Biagio Baccarin (Org.), Enciclopédia da música brasileira: Samba e choro (São Paulo: Art; Publifolha, 2000).

50. Ibid.

Texto de Lira Neto em "Uma História do Samba: As Origens", volume 1, Companhia das Letras, São Paulo, 2017, excertos capítulo 1. Digitalizado, adaptado e ilustrado para ser postado por Leopoldo Costa.