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Uma flor pode mudar uma vida, diz ambientalista

Publicado em 22 maio 2010

Por Natasha Madov

Mais de 400 pessoas se reuniram neste sábado 22 de manhã no Palácio dos Bandeirantes para comemorar o Dia Mundial da Biodiversidade com um dos maiores especialistas mundiais do tema: o biólogo Thomas Lovejoy, presidente do Heinz Center for Science, Economics and Environment, dos EUA e consultor do Banco Mundial. Foi ele, em 1980, quem cunhou pela primeira vez o termo biodiversidade.

Durante duas horas, Lovejoy apresentou, a convite da Fapesp, a terceira edição do relatório Global Diversity Outlook em português, Perspectiva da Biodiversidade Global , no qual avaliou as tendências globais para a conservação de espécies e as preparações para a Convenção de Biodiversidade que acontecerá em outubro em Nagoya, no Japão.

Thomas Lovejoy em palestra em Washington: criação de painel para biodiversidade é uma das poucas boas novas

Lovejoy conversou com o iG após a apresentação. Leia abaixo:

iG: Qual sua avaliação do atual estado dos ecossistemas do mundo, no Dia Mundial da Biodiversidade?

Thomas Lovejoy: Temos boas notícias e más notícias. A má é que nenhuma nação cumpriu suas metas de redução da perda de biodiversidade, e quase todos os indicadores apontam para uma tendência negativa nesse sentido. Muitos deles são pontos de virada, ou seja, o limite de onde podemos ir sem causa mudanças irreversíveis ao meio ambiente. E as metas de aquecimento global propostas em Copenhague estão além do que os ecossistemas podem agüentar. Dois graus de aumento na temperatura é demais, ponto.

Bem, chega de más notícias. A boa é que tivemos alguns bons indicadores, como o aumento nas áreas de proteção ambiental, no qual o Brasil teve destaque, e a assistência internacional a questões de biodiversidade. Mas a grande boa notícia é o estudo que estamos fazendo mostrando o potencial econômico da conservação das espécies e a possível criação de um painel intergovernamental para biodiversidade aos moldes do que foi feito com aquecimento global e o IPCC.

iG: Porque os especialistas se concentram em algumas poucas espécies como bandeiras para falar da importância da biodiversidade?

Thomas Lovejoy: É como se contássemos uma história, faz o problema ficar mais tangível. Nós somos construídos para responder a animais e plantas específicos e os que são os mais bonitos ou maiores causam mais impressões. Mas até mesmo uma florzinha pode mudar a vida de alguém, eu mesmo já testemunhei isso.

iG: Qual o papel do Brasil neste cenário?

Thomas Lovejoy: Eu vejo potencial no Brasil como líder nesta área. A oferta do país de oferecer seu know-how científico para melhorar a capacitação nesta área, e a possibilidade até de hospedar o painel no estilo do IPCC que mencionei antes, são exemplos da liderança que ele pode ter.

iG: O senhor defende a taxação de biocombustíveis. Porquê?

Thomas Lovejoy: Se taxarmos apenas os combustíveis fósseis, vai haver um movimento grande de conversão de paisagens naturais em lavouras específicas para biocombustíveis, como cana de açúcar e milho. E em termos das emissões globais de carbono, isso é um problema, porque a destruição de ecossistemas também eleva os níveis de carbono. Um imposto em cima desta conversão de terra ajudaria a evitar o aumento de emissões.