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Publicado em 09 março 2009

A Embrapa está presente em mais de setenta países, com os quais mantém acordos de cooperação

 

A Embrapa, aos 36 anos - que completa no mês que vem - é raro exemplo de bom emprego do dinheiro do contribuinte brasileiro. Com um orçamento (em 2008) de R$ 1,1 bilhão, é, em boa parte, responsável pelo sucesso do agronegócio brasileiro, cuja principal façanha foi colocar o País como o maior exportador mundial de carnes, café, açúcar, suco de laranja e etanol. Mais que as conquistas pontuais, foi graças à Embrapa - e a outros institutos de pesquisas estaduais - que o Brasil é reconhecido como detentor da melhor tecnologia de produção agrícola do mundo. Os números para justificar a qualificação são irrefutáveis: a produção nacional de grãos triplicou, de 47 milhões de toneladas, em 1976 - primeiro ano de levantamento de safra - para os atuais 137milhões. Mais importante: tal salto foi acompanhado por formidável aumento de produtividade.

O último decênio foi marcado por expansão da empresa em outra direção, fora das fronteiras do País. Atualmente a Embrapa está presente em mais de 70 países, com os quais mantém acordos de cooperação técnica. Na maioria deles tem projetos em andamento. Está em nações muito desenvolvidas, como EUA, Suíça e Holanda, entre outros, mas também leva assistência técnica a Serra Leoa - o país mais pobre do mundo, que tem a maior taxa de mortalidade infantil do mundo (161 por mil crianças nascidas vivas) e o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do planeta, 0,336 em 2005 - onde metade da população, de 4,9 milhões de habitantes, é analfabeta.

A expansão pelo mundo começou em 1998, com a inauguração do Laboratório Virtual no Exterior (Labex) em Beltsville, estado de Maryland, nos Estados Unidos. Esse tipo de unidade - há outras duas, em Atualmente, França e na Holanda - foi idealizado para funcionar como captador de informações produzidas nos países desenvolvidos. A colaboração com os americanos trouxe muitas vantagens para a pesquisa brasileira na área agrícola, principalmente no campo da genética. Foi por meio dos técnicos da empresa que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) fizeram um acordo para o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa, que atacava as laranjas do estado de São Paulo e as videiras do estado da Califórnia. Os resultados da pesquisa foram divulgados em 2003.

Cada técnico fica dois anos no Labex, depois dos quais pode mudar de país ou retornar ao Brasil. A região onde os profissionais atuam também muda, e esse é um dos motivos da agilidade do Labex. "Se percebemos que tem um determinado estado, universidade desenvolvendo algo importante, colocamos um profissional lá, formamos parceria, etc.", conta Bonifácio Magalhães, supervisor de cooperação internacional bilateral da Assessoria de Relações Internacionais (ARI).

Nos EUA, a Embrapa mantém cinco profissionais; na Europa, que segue o mesmo modelo dos EUA, são seis técnicos, mas isso deve mudar em 2009, com a abertura de um novo laboratório na Inglaterra. "Abrimos o edital para selecionar o pesquisador que vai atuar lá", informa Magalhães. O executivo diz ainda que a Alemanha também deve abrigar um Labex nos próximos anos, mas, por enquanto, "é flerte".

Mais recentemente, o órgão começou a abrir os escritórios regionais, que, diferentemente dos Labex, têm também a função de compartilhar o conhecimento da Embrapa. Além de uma representação na Venezuela, em novembro de 2006 se instalou no continente africano, em Acra, capital de Gana. Essa unidade foi inaugurada oficialmente no ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em visita ao país. Na ocasião, Brasil e Gana firmaram três acordos de cooperação técnica: manejo florestal, manejo da mandioca e biocombustiveis.

Neste ano está em andamento a troca de representações com a Coréia do Sul. "O modelo é diferente do que existe atualmente", diz Magalhães. "Os coreanos abrirão um escritório no Brasil, provavelmente em alguma unidade Embrapa, e nós abriremos uma unidade lá. É uma cooperação bilateral, a região é estratégica para nós". A operação começa na prática no próximo dia 19, quando desembarca no Brasil o pesquisador Boh Suk Yang, da Agência de Desenvolvimento Rural (RDA) coreana. Ele coordenará, da sede da Embrapa, em Brasília, a instalação do laboratório da instituição sul-coreana no Brasil, que seguirá o mesmo modelo dos Labex.

A instalação do Labex da Embrapa na Coréia do Sul, foi aprovada na semana passada pelo Conselho de Administração da empresa, segundo Magalhães. Ficará instalada nas dependências da RDA e terá como áreas prioritárias de interesse recursos genéticos e sanidade animal. Em breve a Assessoria de Relações Internacionais publicará edital para a seleção de dois pesquisadores que atuar na Coréia.

As conversas para a abertura do escritório na Ásia começaram em 2005, quando Brasil e Coréia assinaram um memorando de entendimento para a cooperação entre as duas nações. Em 2007, uma delegação da RDA visitou as instalações da Embrapa no Brasil. O interesse dos coreanos é, fundamentalmente, no conhecimento que o país tem de fruticultura, arroz e cevada, os principais produtos da Coréia. Pelo menos quatro unidades da Empresa e quatro da RDA trabalham em projetos de cooperação técnica desde 2006. Entre as atividades iniciais de Suk Yang no Brasil, está um projeto com cientistas da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia.

Da Redação

Com Agência de Notícias Brasil-Árabe e Agência Brasil

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