Notícia

Diário Popular (Pelotas, RS) online

Uma doença rumo aos grandes centros

Publicado em 13 agosto 2018

A segunda edição da campanha Não Mate, Trate traz um dado alarmante: a leishmaniose visceral canina está chegando aos grandes centros urbanos. Esse é um dos alertas do manifesto, para conscientizar as pessoas sobre essa doença, fatal em 90% dos casos e, o que é pior, pode ser transmitida aos humanos.

Há um ano e meio, a eutanásia era a única alternativa para os cães diagnosticados com a doença. Hoje, contudo, existe tratamento. A campanha Não Mate, Trate faz parte das ações da Semana de Combate à Leishmaniose Visceral Canina - o dia 10 foi instituído pelo Ministério da Saúde como o Dia Nacional de Combate à doença. A data celebra a luta pela vida animal. Após serem infectados pela picada do mosquito palha, muitos não morrem por conta das complicações, mas por que são eutanasiados. Isso ocorre devido à falta de informação. "Muitos animais ainda são levados à eutanásia sem que as pessoas sequer sejam informadas sobre a possibilidade de tratamento", alerta o médico veterinário Ricardo Cabral.

O manifesto também destaca a prevenção como a grande aliada. "Afinal, ela não é transmitida por mordida, arranhão, lambedura, urina ou fezes do cachorro. A transmissão ocorre quando as fêmeas do mosquito palha picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem", explica Cabral.

Rumo às grandes cidades

De acordo com um artigo publicado em junho, no portal da [revista Pesquisa FAPESP] Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), a doença, antes restrita à zona rural e à região Nordeste, avança para as grandes cidades. As cidades de Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) registraram os primeiros casos em humanos no ano passado.

Além disso, um estudo elaborado pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e divulgado em fevereiro deste ano, revela que a leishmaniose visceral humana segue rumo à capital paulista. Segundo esse trabalho, o primeiro caso foi registrado no estado em 1980, no município de Araçatuba. De lá até 2016, mais de 2,7 mil pessoas moradoras de cerca de cem municípios do interior e do litoral paulista contraíram a doença. No Guarujá, duas crianças morreram no final de 2016.

Prevenção, a grande aliada

É importante lembrar que o tratamento dos cães é apenas uma medida necessária para a prevenção da leishmaniose visceral dentro de um conjunto de outras ações. O combate à proliferação do mosquito palha é fundamental para reduzir a incidência da doença. "O animal é apenas um 'reservatório' para os mosquitos. A transmissão ocorre quando as fêmeas do mosquito palha picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem", esclarece o médico veterinário.

Para impedir a proliferação do inseto é necessária a adoção de medidas simples, que vão desde o uso de repelentes até a limpeza periódica dos quintais e da casa, como retirada das frutas em decomposição, do material orgânico e das folhas que caem das árvores.