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Gente de Opinião

Uma coluna sem papas na língua

Publicado em 17 junho 2010

Em passado recente, a regra era estudar: Quem estuda consegue melhores empregos . Agora, a regra é a inclusão digital: Para ganhar melhor tem que saber lidar com o computador . No País do Futuro, como Stefan Zweig batizou o Brasil, nem isso chega a ser exatamente verdade, pois há uma casta de brasileiros que os especialistas estão qualificando de infoproletários em uma obra que está sacudindo os círculos do trabalho no País. Há um mito de que os melhores empregos do mundo estão nessas áreas, que, por terem alta demanda, ofereceriam grandes oportunidades e autonomia. Mas, quando fazemos uma análise científica, vemos que as condições concretas mostram um quadro muito diferente, marcado por uma profunda alienação do trabalho , diz o professor Ricardo Antunes, responsável por reunir em uma só obra trabalhos de onze especialistas que apontam uma dura realidade para o trabalho no segmento da informática.

Antunes, do Departamento de Sociologia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas IFCH da Universidade Estadual de Campinas Unicamp , responde pela organização dessa obra ao lado de seu colega Ruy Braga, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo USP e diretor do Centro de Estudos dos Direitos da Cidadania da USP (Cenendic).

Século XIX

O setor informacional, que inclui amplos segmentos caracterizados pelo uso intensivo de novas tecnologias, como as telecomunicações e a informática, é considerado um dos mais dinâmicos e arrojados da economia contemporânea. No entanto, as condições de trabalho encontradas nessas áreas podem ser tão precárias como as dos operários do século 19, segundo os textos do livro Infoproletários - Degradação real do trabalho virtual Editora Boitempo.

A obra traz ensaios baseados em pesquisas científicas sobre aspectos diversos do trabalho no setor informacional que compõe a nova morfologia do trabalho no Brasil. Vários dos autores tiveram apoio de Bolsas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a realização dos estudos apresentados no livro. O livro é uma coletânea que procura recolher o que encontramos de mais qualificado na pesquisa científica feita hoje no Brasil sobre o que chamamos de proletariado do setor informacional. Além disso, traz duas contribuições de autores internacionais, disse Antunes.