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Olhão Online

Um paraíso ecológico sob risco

Publicado em 18 janeiro 2007

Bandos de macacos bugios, sussuaranas (onças pardas), cachoeiras e nascentes intocadas integram o rico cenário da região do Cabuçu, que ainda mantém 43% de mata atlântica preservada, a poucos quilômetros do Centro de Guarulhos.
As informações e o dados fazem parte do Projeto Cabuçu, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Guarulhos (UnG), cujo estudo é a base do projeto de Área de Proteção Ambiental (APA) da Prefeitura, que será votado em fevereiro, na Câmara Municipal. (projeto de lei 113/06).
Financiado pela UnG e pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo), o projeto é coordenado pelo diretor do Laboratório de Geoprocessamento da UnG, o professor, Antônio Manoel dos Santos Oliveira, e vem sendo desenvolvido desde 2002. Mesmo assim, a área estudada — que compreende o Núcleo Cabuçu (Parque da Cantareira) e redondezas — tem 7% de construções urbanas, com efeitos desastrosos ao meio ambiente.
"No Novo Recreio, por exemplo, há cerca de 11 anos, ainda existiam microbacias. A área é uma pirambeira, e com as construções o que sobrou é o esgoto a céu aberto e apenas uma nascente, já comprometida", disse o geógrafo William de Queiroz.
Por serem construídos em uma área que não poderia ser ocupada, os imóveis têm muitos problemas. "Na maioria, as casas são insalubres, com mofo e infiltração. Algumas correm o risco de desabar, principalmente na região do Novo Recreio, que é a área de maior risco de Guarulhos", acrescentou a arquiteta Sandra Emi Sato.
A proteção da área, por meio da APA, vai contribuir para manter viva a biodiversidade da Serra da Cantareira.
"Há uma diferença de cinco graus centígrados entre a área urbana e a Cantareira, o que ameniza o calor e é fundamental para a Grande São Paulo", afirmou o geólogo Márcio Roberto M. de Andrade.