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Diário de S.Paulo

Um olho no ônibus, outro no monitor

Publicado em 26 agosto 2010

Ficar no ponto a espera de um ônibus não é das tarefas mais prazerosas. Ainda mais quando ele está fora do horário. Em 2008 começou a funcionar um equipamento que informa quanto tempo os coletivos vão demorar para chegar até o ponto. Mas nem sempre o "Olho Vivo". como o aparelho foi batizado, é pontual. O DIÁRIO esteve nos corredores das Avenidas 9 de Julho, Consolação, Rebouças e General Olímpio da Silveira. Em um caso, o horário indicado falhou.

Atualmente são 500 painéis instalados nos principais corredores da cidades, segundo a São Paulo Transportes (SPTrans). O volume é relativamente pouco para uma cidade que conta com 19 mil pontos. Na plataforma Eldorado, da Avenida Rebouças, sentido Centro, o painel indicava que a linha 577T/10 (Jardim Miriam - Vila Gomes), chegaria em três minutos. O ônibus chegou na plataforma seis minutos depois, o dobro do previsto. Nos outros casos cronometrados pela reportagem a chegada do ônibus foi quase pontual.

A professora de inglês Caroline Renpel, de 30 anos, que esperava pelo coletivo na Avenida Consolação, disse que o ônibus chega sempre dentro do previsto. "Acho que o painel poderia informar o nome da linha, ao invés de só passar os números. Seria mais prático para quem não conhece o trajeto pelo número", opinou. De acordo com ela, há casos também em que a previsão é antecipada. "Às vezes o painel diz que determinada linha chega em quatro minutos. Mas neste prazo passam outros três ônibus. De certa maneira não é tão exato assim", reclamou.

O painel da plataforma José Maria Lisboa, sentido Centro, na Avenida Nove de Julho, estava desregulado na tarde de anteontem. Os números apareciam com falhas eletrônicas, mas com a previsão dentro do prazo. Mesmo assim, os passageiros que estavam no ponto disseram que dificilmente monitoram a chegada do coletivo pelo painel. "Já fiz isso algumas vezes e chegava sempre atrasado. Depois disso parei de consultar. Apesar de ser uma previsão, acho que ele poderia ser mais exato", falou o engenheiro João Paulo Esteves, de 33 anos.

O atual sistema funciona com um computador instalado nos ônibus que registra, a cada minuto, a posição geográfica do veículo, sua velocidade, o sentido de direção e os dados do ônibus (prefixo e linha). Os dados são captados via satélite e transmitidos para uma central de operação. Pelo computador, operadores da SPTrans e das empresas obtêm dados como o horário em que determinado ônibus irá chegar a um terminal. A mensagem pode ser transmitida via painéis eletrônicos.

Evolução está a caminho com dados via celular

Uma evolução do "Olho Vivo" pode chegar em São Paulo nos próximos anos. Um projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) desenvolveu um sistema que informará o horário exato para os passageiros através de um celular ou através da internet. O programa é inspirado em experiência europeia. "Em cidades como Londres, Seul, o sistema já funciona dessa forma", disse Paulo Roberto Tavares, coordenador da Transdata Smart. A ideia é fornecer o serviço sem custo para o passageiro. O equipamento exigirá investimentos de cerca de R$ 5 mil por ônibus. A frota atual da cidade de Sâo Paulo é de 14.950 veículos. Segundo a SPTrans, 97% da frota do transporte público municipal conta com o equipamento de monitoramento por GPS. A Transdata Smart, empresa responsável pelo equipamento, disse que o novo sistema será instalado ainda este ano nas cidades de Foz do Iguaçu (PR) e Poços de Caldas (MG). Segundo a SPTrans, não há previsão de implantação do sistema na capital.