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Diário Oficial do Estado de São Paulo

Um novo robô é a atração dos 10 anos da Rede Lucy Montoro

Publicado em 19 maio 2018

Um evento festivo, na manhã de quinta-feira, 17, comemorou os 10 anos da Rede Lucy Montoro, instituição do Governo do Estado dedicada a proporcionar tratamento de reabilitação para pacientes com deficiências físicas incapacitantes, motoras e sensório-motoras, com várias unidades espalhadas pela capital e interior.

Desenvolvido por especialistas brasileiros, o robô Vivax executa funções jamais alcançadas, é portátil e custa menos do que os similares

Animado pela banda de pacientes da unidade da Lapa, ao som de vários clássicos da MPB, o ponto alto do encontro foi a apresentação do Vivax, equipamento de robótica que possibilita movimentos tridimensionais até então não alcançados em nenhuma tecnologia existente. “O mundo inteiro precisa desse equipamento”, comenta seu idealizador, o engenheiro naval Antonio Massato Makiyama, formado pela Politécnica da USP, com doutorado em Cambridge (Inglaterra) e pós-doutorado no MIT (EUA). Makiyama começou a projetar o Vivax em 2011, em conjunto com mais dois engenheiros e um fisioterapeuta. Segundo ele, uma das vantagens do robô é a portabilidade e o custo. “Custa cinco vezes menos do que os similares de outros países e pesa só 15 quilos”.

O equipamento, indicado para pacientes em fase reabilitação, é de fácil manejo, simples e eficiente, assegura o advogado Álvaro Catelli, vítima de acidente vascular cerebral (AVC) há dois anos. “Além do que, não é nada monótono, pois funciona como entretenimento, tem vários jogos e é parecido com um videogame. A gente se diverte enquanto pratica exercício”, comenta ao mesmo tempo em que faz atividade sob a orientação da terapeuta ocupacional Thaís Tavares.

O robô é cem por cento nacional e ainda passa por testes clínicos na Rede Lucy Montoro. Foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Pioneira em uso de robôs na reabilitação, a Rede realiza a aplicação clínica do Vivax nos pacientes por meio da expertise em robótica já adquirida com outros equipamentos. A tecnologia possibilita uma amplitude do movimento do braço até então não alcançada com nenhuma outra tecnologia.

Falar e cantar – Sônia Teixeira Bastos Silva, 62 anos, paciente da unidade da Lapa desde 2011, tem história parecida com a de Álvaro: sofreu um AVC que mudou o rumo da sua vida. Professora de inglês por 25 anos, estava para se aposentar, mas teve de refazer seus planos. “Perdi a fala completamente e entrei em depressão. Foi quando descobri o tratamento na Lapa. Durante a reabilitação, recuperei a fala e o meu entusiasmo. Conheci a banda de pacientes e pensei: ‘Já que posso falar, por que não cantar?’ Hoje expressar a voz por meio da música faz parte da minha vida”, comenta enquanto canta o Trem das onze. Criada em 2008, a Rede Lucy Montoro tem 18 unidades no Estado de São Paulo. Nesses centros, são atendidos pacientes com lesão medular, traumas, AVC e doen­ ças degenerativas. Somadas todas as unidades, o número de pacientes ultrapassa mais de cem mil pessoas por mês.

Mais centros – No ano de 2009, a Rede Lucy Montoro entrou na fase plena de implantação da Rede de Atendimento em Reabilitação de forma hierarquizada e descentralizada dentro dos parâmetros do Sistema Único de Saúde – SUS. Estão em funcionamento as unidades de Campinas, Clínicas, Fernandópolis, Lapa, Marília, Mogi Mirim, Morumbi, Pariquera-Açu, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, Santos, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Umarizal e Vila Mariana. Recentemente foram anunciadas mais três unidades: em Diadema, Sorocaba e Botucatu.

“Trata-se de uma instituição jovem e madura ao mesmo tempo que revolucionou e mudou completamente o conceito de reabilitação no Brasil”, ressalta Flávio Benez, médico ortopedista e fisiatra, atualmente na direção técnica da unidade em Fernandópolis desde 2012. Aos 39 anos, casado e pai de um filho, Benez passou de médico a paciente da unidade, quando ficou tetraplégico depois de um acidente em uma piscina. “Atendemos 52 municípios da região de Fernandópolis que fica a mais de 500 quilômetros da capital”.

Para a médica fisiatra e diretora do Instituto Lucy Montoro em São José do Rio Preto, Regina Fornari Chueire, que comanda uma equipe de 68 pessoas, a reabilita­ ção praticada nas unidades é de Primeiro Mundo. “Estou desde a inauguração em Rio Preto, há sete anos. Atendemos 200 municípios, seja na reabilitação, como na dispensa de cadeira de rodas, seja com pró­ teses e órteses”.

Segundo Regina, é gratificante acompanhar a travessia da pessoa com deficiência para a cidadania plena, como o caso de uma menina, agora com 3 anos, trazida de Angola. “A garota foi achada literalmente no lixo e, quando chegou, se arrastava no chão, com malformação na perna e nas mãos. Foi acolhida em Rio Preto, onde foi operada com sucesso. Agora está em processo de alta. É uma alegria vê-la, hoje”.

Prêmio internacional

Uma das unidades da Rede Lucy, o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – IMREA HC FMUSP, recebeu certifica­ ção internacional. O IMREA é a primeira Instituição brasileira a obter a certificação fornecida pela CARF, sigla em inglês para Commission on Accredition of Rehabilitation Facilities, entidade canadense mundialmente reconhecida por seus altos níveis de exigência na acreditação de centros de reabilitação do mundo.

Unidade móvel

Os tratamentos da Rede Lucy são realizados por equipes multidisciplinares, compostas por profissionais especializados em reabilitação, entre médicos fisiatras, enfermeiras, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais, educadores físicos e fonoaudiólogos, entre outros.

Além das unidades presentes na capital e interior, há ainda a Unidade Móvel, uma carreta 100% adaptada, de 15m por 2,60m e 20 toneladas, destinada ao fornecimento de órteses, próteses, cadeiras de rodas e meios auxiliares de locomoção.

Desde 2009, quando foi lançada, a Unidade Móvel já atendeu mais de 2 mil pacientes e forneceu mais de 4 mil equipamentos. Possui elevador hidráulico para atender cadeirantes ou pessoas em maca, banheiro adaptado, consultório médico, sala de espera e oficina de órteses e próteses, composta por salas de prova, de máquinas e de gesso. A equipe de atendimento também é multidisciplinar.