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MilkPoint

Um novo hub para inovações na área de controle biológico

Publicado em 20 outubro 2020

O Vale do Piracicaba, em São Paulo, foi escolhido pela subsidiária brasileira da holandesa Koppert para sediar o primeiro observatório de startups do país com soluções voltadas especificamente para controle biológico. A companhia projeta que essa área responderá por 25% a 40% das vendas no mercado brasileiro de proteção de cultivos em dez anos, ou até US$ 5 bilhões de um total de cerca de US$ 15 bilhões.

Batizado como “Gazebo”, que em inglês quer dizer “mirante”, o hub ocupará uma sala dentro do centro de inovação AgTech Garage e deverá ser palco para a mentoria e a aceleração de até dez startups já em 2021. O orçamento da Koppert para manter a estrutura, ter equipe de apoio dedicada às startups, testar soluções em campo e oferecer contrapartidas financeiras às agtechs - que serão definidas caso a caso - é de R$ 25 milhões, a serem investidos em um prazo de cinco anos.

“Daqui a dez anos, o produtor vai poder monitorar seu negócio remotamente e queremos que ele tenha à mão as ferramentas que vão agilizar o uso dos biológicos”, afirma Gustavo Ranzani Herrmann, diretor comercial da Koppert do Brasil. A primeira startup instalada no hub, a e-Trap, ataca justamente essa frente. Por meio de uma armadilha eletrônica, dotada de câmera de vídeo e sensores, a empresa deve dispensar a visita de profissionais às lavouras para as contagens de insetos e para apontar o momento certo de entrada com as aplicações.

Como na agricultura os problemas são complexos, Herrmann argumenta que construir projetos em conjunto, seja entre startups ou ecossistemas de inovação, é mesmo uma das melhores alternativas. No caso da e-Trap, já foi feita a ponte com o São Paulo Advanced Research Center for Biological Control (SPARCBio) - centro de pesquisa da Koppert, da Fapesp e da Esalq/USP em bioinsumos, que também é parceiro do Gazebo - para atrair a broca da cana para as armadilhas usando feromônios (hormônios de atração sexual), que estão sendo sintetizados na Esalq. A expectativa é que a solução completa esteja disponível no mercado em um prazo de dois ou três anos.

“Precisamos ir ligando os pontos para que, lá na frente, o produtor compre nosso produto em um e-commerce e, associado a isso, possamos ter serviços que acelerem suas tomadas de decisão”, afirma Herrmann.

A ideia é também atrair para o Gazebo outras empresas, fundos de Venture Capital e family offices que queiram investir nas startups selecionadas num conceito amplo de controle biológico, que vai além do escopo de atuação da Koppert, uma das maiores companhias desse segmento no mundo. No país, os produtos da múlti já são destinados ao combate de diferentes pragas e doenças em 2 milhões de hectares de cana, 4,5 milhões de hectares de grãos e 50 mil de hortifrútis. A receita da empresa no Brasil alcançou R$ 150 milhões no ano passado.

Na semana passada, a brasileira Jacto, empresa de máquinas agrícolas, firmou parceria com o SPARCBio, e a ideia é que a empresa possa cooperar também com o Gazebo, especialmente no que se refere ao desenvolvimento de novas tecnologias para a aplicação e a liberação de biodefensivos nas lavouras.

Independentemente do segmento de atuação das diferentes empresas no campo dos biológicos, Herrmann não tem dúvidas de que o segmento deve crescer na próxima década com o avanço da agricultura de precisão e da automatização do monitoramento de pragas, porque ambas as frentes permitem aplicações localizadas, na dose e no tempo certo - combinação ideal para o sucesso do controle biológico.

As informações são do Valor Econômico.