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Um inovador da USP recebe seu reconhecimento

Publicado em 18 outubro 2002

O prêmio Professor Emérito 2002 é do ex-reitor Antonio Hélio Guerra Vieira Um inovador. Assim pode-se definir Antonio Hélio Guerra Vieira. Elaboração do primeiro computador brasileiro nos anos 70, inserção de cursos de engenharia na área da tecnologia digital na Escola Politécnica e incentivo às telecomunicações no país. Vieira dá a impressão de saber - antes de todos - os novos rumos do mercado. 'Não gosto de falar do passado e sim do futuro', diz. Aos 72 anos, o ex-reitor da USP e atual diretor do Instituto de Engenharia recebe hoje o prêmio Professor Emérito 2002, concedido pelo Estado e pelo Centro de Integração Empresa Escola (CIEE). 'Sempre digo que queria ter sido um Hélio's boy', brinca o diretor-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de SP (Fapesp), Francisco Romeu Landi, referindo-se ao desejo de ter feito parte da sua equipe. Os dois, hoje amigos, se conheceram na Poli dos anos 50. Depois de formados, tornaram-se professores. 'Ele desenvolveu o computador quando as pessoas nem sabiam o que era isso', lembra Landi. Vieira conta que a repercussão surpreendeu a equipe. 'Queríamos fazer o curso na área digital e o computador era uma maneira de aprendermos.' Depois disso, vieram os cursos de Sistemas Digitais e Mecatrônica. Mais tarde surgiu a idéia de criar um mecanismo para que a Poli pudesse escapar das dificuldades burocráticas de qualquer órgão público. A solução foi a Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia (FDTE), modelo reproduzido pelo país. 'Ele conseguiu um maior contato da Universidade com a comunidade externa e expandiu as relações com o setor produtivo e empresarial', diz outro ex-reitor da USP, Jacques Marcovitch. Ele ressalta a difícil passagem de Vieira pela reitoria, quando começava a fase de abertura do país, com o fim do regime militar. Sempre sorridente e brincalhão, esse doutor pela Sorbonne e consultor de empresas de telecomunicações anda hoje às voltas com a arte de fotografar seus netos. São seis, um ainda na barriga da mãe. Computador e telefone celular - dois símbolos de sua vida profissional - não o deixam esquecer da família. No descanso de tela do seu PC, a foto da neta Julia fazendo pose com a camisola da avó. No celular, a inscrição: vovô Helinho. (O Estado de SP, 18/10) JC e-mail