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Correio Popular

Um fio de esperança para os carecas

Publicado em 19 junho 2007

Calvos e carecas até então conformados com as pequenas chances de voltar a ter cabelo acabam de ganhar um fio de esperança com a divulgação de uma nova pesquisa

Calvos e carecas até então conformados com as pequenas chances de voltar a ter cabelo acabam de ganhar um fio de esperança com a divulgação de uma nova pesquisa, publicada em meados de maio na revista científica Nature. Um grupo da Faculdade de Medicina da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, conseguiu ativar a formação de folículos pilosos em camundongos adultos. Os resultados podem ajudar no desenvolvimento de novos tratamentos não apenas para a calvície, mas também para ferimentos e doenças degenerativas da pele.
O grupo da Pensilvânia descobriu que a exposição dos animais à aplicação de wnt - uma rede de proteínas envolvida no desenvolvimento e no ciclo dos folículos pilosos - aumentou a formação de folículos, em local com ferimento. Ao mesmo tempo que a interrupção do wnt após o início do crescimento do epitélio evitou o nascimento de novos folículos.
Os resultados indicam que a pele dos mamíferos pode responder a ferimentos com capacidade regenerativa muito maior do que se imaginava. Segundo os autores do estudo, liderado por George Cotsarelis, foram criadas lesões propositadamente nos camundongos para provocar um estado quase embrionário na pele. Com a sinalização da wnt, abriu-se uma "janela" para a regeneração dos folículos pilosos.
Segundo a Universidade da Pensilvânia, o estudo representa a primeira evidência de que os mamíferos têm o poder de se regenerar. Até então, somente o fígado apresentava a capacidade de regeneração, ainda assim, somente a partir de um pedaço do órgão original. A situação é bem diferente da de outros animais como a lagartixa, que pode perder partes do corpo e recuperá-la naturalmente.
"Descobrimos que podemos influenciar o processo de cura de ferimentos com wnts ou outras proteínas. Elas permitem que a pele se recupere de modo a produzir menos cicatrizes e que inclua todas as estruturas normais da pele, como folículos capilares e glândulas produtoras de óleo" , disse Cotsarelis. O artigo de Mayumi Ito, George Cotsarelis e outros pode ser lido por assinantes da Nature em www.nature.com/.

Humanos
A médica dermatologista Renata Ferreira Magalhães, do Ambulatório de Cabelos e Unhas, criado esse ano no Ambulatório de Dermatologia do Hospital de Clínicas da Unicamp, diz que o wnt ainda não foi testado em humanos, por isso ela considera precoce falar em aplicações contra a calvície. "No futuro, acredito que possa haver mais novidades, mas ainda faltam muitas etapas da pesquisa" , afirma Renata, que trabalha com todos os casos de doenças do couro cabeludo no ambulatório. Ainda assim ela vê a pesquisa como uma esperança para os carecas, levando em conta a credibilidade e importância das divulgações da revista Nature na comunidade científica. Segundo Renata, a alopecia androgenética é o tipo mais comum de calvície masculina hoje.
O tratamento que ela mais aplica nesse caso é o uso tópico do Minoxidil ou soluções à base de 17 Alfaestradiol ou de Serenoa Serrulata. "São tratamentos tópicos, usados por longo prazo, que conseguem estimular a formação de fios novos. Mas há também o tratamento por medicamento." (Com Agência Fapesp)

Calvície de matemático começou quando ele tinha 19 anos
Aos 19 anos, o matemático Joeval de Oliveira Martins, que hoje é gerente de canais da Motorola, começou a perder seus cabelos. Até os 30 anos, inconformado, ele buscou todos os tipos possíveis de tratamentos. Não obteve sucesso com nenhum. A partir dessa idade ficou convencido de que não havia jeito. Ele aceitou a herança genética herdada do pai, sobre a qual somente uma médica dermatologista lhe avisou." Comecei a perceber uma queda muito grande de cabelo no travesseiro quando eu tinha 19 anos. Fiz exames para ver se estava doente, mas não tinha nada. Aos 23, eu já tinha uma penugem, e aos 25 anos, estava careca. Isso foi muito difícil, porque eu tinha muito cabelo antes. Precisava sair com escova no bolso para arrumar o cabelo o tempo todo" , lembra Martins. Segundo o matemático, na década de 80 não havia muitas clínicas de tratamento no Brasil. Ele foi morar nos Estados Unidos aos 24 anos, em 1989, e naquela época o assunto estava em pauta. Martins chegou a ir a uma clínica norte-americana. "Eu estava incomodado com isso." Conheceu lá o Minoxidil e voltou ao Brasil com várias caixas do medicamento. "Gastei uma fortuna. Foi quase metade de todo o dinheiro que ganhei com uma pizzaria." Lá ele também conheceu um spray que disfarçava a calvície, mas escorria pela testa quando ele transpirava. No Brasil, experimentou babosa, raiz de bardana, levedo de cerveja e tudo que lhe ensinavam. Nada deu resultado. Martins lembra que cada médico lhe dava uma explicação. "Um me disse que eu deveria parar de nadar porque podia ser o cloro a causa da queda de cabelo. Outro me falou que era o xampu que eu usava. Passei a usar sabão de coco. Só uma me perguntou da família. Meu avô não era careca, mas meu pai era calvo." (AM/AAN)

Para dar certo, tratamento deve começar na juventude
Implantes, aplicação de laser e medicamentos de uso tópico estão entre as várias opções
A dermatologista Renata Magalhães, do Ambulatório de Cabelos e Unhas da Unicamp, no entanto, avisa: tratamento é caro, prolongado e deve ser iniciado ainda quando jovem. "A calvície fica mais fácil de repilar se o paciente for jovem, desde a adolescência, quando começa a cair cabelo, até uns 30 anos. Depois, as chances diminuem e já não vale a pena investir muito dinheiro" , diz Renata.
O Finasterida pode custar cerca de R$ 100 por mês e o Minoxidil, para uso tópico, fica entre R$ 80,00 e R$ 100,00. "É um investimento que muitos não podem fazer ao mesmo tempo" , destaca a médica que em alguns casos também indica o implante.
"O implante tem um papel importante e pode ser indicado principalmente nos casos de alopecia androgenética, quando tem uma área doadora boa. É uma opção."
Renata lembra que hoje também existem tratamentos associados à aplicação de laser. "Existem muitas ofertas no mercado, de todos os tipos, mas o que isso vai ter de sucesso não se sabe. Esses tratamentos tentam estimular o crescimento do pelo com nutrição do couro cabeludo, para melhorar o aspecto. Mas, na verdade, não existe muito milagre." A médica dermatologista Sylvia Ypiranga, diz que "existem hoje os lasers de baixa potência, que têm ação efetiva no crescimento, mas ele demanda muito tempo de aplicação, pelo menos duas vezes por semana, de maneira ininterrupta. Também fica muito caro" , afirma Sylvia.
A dermatologista explica que o hormônio que atua na queda de cabelo faz parte do pool de hormônios masculinos, por isso há mais homens que mulheres carecas. Tanto homem quanto mulher produzem esse hormônio, que é o dihidrotestosterona (DHT), mas os homens têm esse hormônio desde a puberdade. Já na mulher ele só aumenta no organismo após a menopausa.
"O homem que tem alopecia androgenética (calvície) começa a ter queda de cabelo desde os 16 anos; aos 18 ele já começa a ter entradas; aos 30, se ele tiver a tendência, vai estar calvo ou careca. O homem que vai ficar calvo, começa a perder cabelo pela frente. Se ele procurar um tratamento logo cedo, ainda jovem, tem mais chance de recuperar. Mas se esperar cair tudo, quando já estiver com 50, pode ser que não tenha folículo a ser recuperado" , diz Sylvia.
Os homens que começam mais tarde esse processo, provavelmente não serão carecas na velhice. (AM/AAN)

Queda de cabelo tem várias causas, diz médica
O estresse não causa calvície, diz a dermatologista Renata Ferreira Magalhães, do Ambulatório de Cabelos e Unhas, criado esse ano no Ambulatório de Dermatologia do Hospital de Clínicas da Unicamp. "Não há comprovação científica de que ele provoque a queda de cabelo, mas o estresse pode levar a problemas hormonais ou de anemia, por exemplo, que podem desencadear a calvície" , explica a médica.
A alopecia - mais conhecida como calvície - pode ser classificada em dois tipos: cicatricial e não-cicatricial. A cicatricial se dá pela destruição de folículos por processo inflamatório. Doenças causam a calvície cicatricial (inflamatórias como lupos eritectoso ou infecciosas como sífilis), explica a dermatologista Sylvia Ypiranga, da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). O eflúvio telógeno e a alopecia areata - tipos de calvície não-cicatricial - estão associados a outras doenças. No caso da alopecia areata trata-se de doença imunológica.
A alopecia não-cicatricial pode ser classificada de duas formas: hereditária (andrógena) e não-hereditária. A não-cicatricial se caracteriza pela diminuição do cabelo, mas com resquícios de folículos. Os números de folículos diminuem ou há uma cicatrização dos folículos. As hereditárias são uma combinação de fatores genéticos e hormonais. (AM/AAN)

Saiba mais
Qual a diferença entre calvo e careca?
As palavras "calvo" e "careca" são dois termos leigos utilizados para descrever a mesma coisa. Na definição do dicionário, "calvo" é aquele que não tem cabelo em parte da cabeça, enquanto "careca" é a pessoa totalmente sem cabelos.