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Um crime chamado vape (3 notícias)

Publicado em 01 de setembro de 2025

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Por Drauzio Varella

Até hoje, nenhum estudo científico digno desse nome demonstrou que o eletrônico tem impacto no tratamento da dependência de nicotina.

Os dados da publicação da FAPESP evidenciam que a indústria faz com eles o que sempre fez: viciar crianças e adolescentes com a droga que causa a dependência química mais escravizadora que a medicina conhece.

Uma criança de 12 anos que cai em suas garras vai depender do fornecedor por anos, décadas, eventualmente pelo resto da vida – como tantos.

Também citado na revista da FAPESP, um estudo realizado no Incor, pelo grupo da doutora Jacqueline Scholz, mostrou que os com as quais os fabricantes nem sonhavam obter com o cigarro comum.

Entre 417 participantes que fumavam exclusivamente vapes, 49 apresentavam concentrações médias de nicotina na saliva equivalentes às de quem fuma cerca de 20 ou mais cigarros comuns por dia. Em outros 15, essas concentrações médias equivaliam às de quem fuma 120 cigarros (seis maços) por dia.

Além de todas as complicações cardiopulmonares causadas pelo contato da fumaça com as vias respiratórias, uma criança ou um adolescente – fase da vida em que o lobo frontal e outros centros cerebrais ainda estão em formação – vai ter os circuitos de nessas áreas moldados sob a influência de altas doses da droga. As consequências são imprevisíveis.

O desafio que a indústria enfrenta para potencializar os lucros é o de pressionar a Anvisa para autorizar a comercialização dos eletrônicos. Dinheiro não lhes falta.

São experientes na prática do crime continuado de disseminar a dependência de nicotina, doença que a Organização Mundial da Saúde classifica como epidemia pediátrica.