Notícia

Gazeta Mercantil

Um congresso na serra gaúcha

Publicado em 26 julho 1995

Por Guilherme Arruda - de Porto Alegre
Mais de 1,5 mil inscritos e um total de 400 atividades serão desenvolvidas durante a realização do SBC 95/Panel 95, o X Sbmicro e o I Ibermicro, um congresso técnico-científico de informática que começa no dia 29 e se estende até o dia 4 de agosto no hotel Laje de Pedra, em Canela, na serra gaúcha. As tendências e os rumos da informática, em termos de pesquisa e tecnologia de ponta em nível mundial, serão debatidas por renomados pesquisadores e cientistas internacionais juntamente com os maiores especialistas brasileiros. O presidente da Sociedade Brasileira de Computadores (SBC), Ricardo Reis, informa que um dos principais objetivos do evento é promover uma interação do meio acadêmico com a sociedade, possibilitando integração maior entre as instituições de ensino e o meio empresarial. "Para se ter uma idéia da importância desse congresso, um comitê internacional selecionou 350 trabalhos de um total de 600 inscritos", diz Reis, porta-voz do evento. Entre os assuntos, destacam-se o supercomputador portátil do século XXI, inteligência artificial e linguagem natural, o computador celular, os microchips do ano 2000, votação eletrônica, computação musical, a informática na educação, projeto automático de computadores, redes neurais e Internet, entre outros. "Nós queremos que os empresários venham assistir a tudo isso de perto", ressalta Reis. Como atração especial, o congresso apresentará um "robô pianista", trazido da Universidade de Puebla, do México. Produzido com plástico transparente para visualização de seu interior, o robô utiliza o chip ILA-92.00, desenvolvido em conjunto pelas universidades de Puebla, Centro de Microeletrônica da Espanha, universidade Los Andes, Colômbia, universidade La Plata, da Argentina e Instituto de Informática da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O principal executivo de desenvolvimento da Silicon Graphics, fabricante de estações de trabalho (ver texto ao lado), líder em computação gráfica, muito utilizada pela indústria cinematográfica, Horst Simon, vai falar sobre a supercomputação do ano 2000. Na área de microeletrônica, os microchips do ano 2000, as tecnologias avançadas na fabricação de circuitos integrados e as tendências em projetos de CAD, serão abordados por James Plummer (um dos implementadores do Vale do Silício, na Califórnia), o americano Krishna Shenai, e o francês Bernard Courtois, respectivamente. A organização de todos os eventos começou a ser planejada há um ano, e conforme Ricardo Reis, presidente da SBC, demandou recursos na ordem de R$ 500 mil, dos quais R$ 100 mil foram gastos na confecção dos anais, num total de oito volumes. A realização é do Instituto de Informática da UFRGS, promoção da SBC, Centro Latino-Americano de Estudos em Informática (CLEI) e Sociedade Brasileira de Microeletrônica, e patrocínio do CNPq, Finep, Fapergs, Capes e IBM. O congresso começa no dia 29, com o Simpósio de Arquitetura de Computadores e Jornada de Atualização em Informática e o Simpósio de Computação Musical. A abertura oficial, no entanto, está marcada para o dia 31, com a presença do ministro de Ciência e Tecnologia, Israel Vargas, e do governador gaúcho Antônio Britto, entre outras autoridades. Um instituto pioneiro Guilherme Arruda - de Porto Alegre O curso de pós-graduação em ciência da computação, criado em 1972 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é um marco histórico no desenvolvimento da informática no estado. Empresas que hoje têm consolidadas suas marcas no mercado nacional e internacional, como a Digitei, Altus, CP Eletrônica e BCM entre outras, nasceram a partir da iniciativa de ex-alunos. O presidente da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), Ricardo Reis, lembra que o ED-600, um dos modelos de maior sucesso da Edisa Informática, foi desenvolvido com o auxílio de um corpo técnico formado por professores e alunos recrutados da universidade gaúcha na década de 70. "O protótipo dos primeiros produtos criados pelas empresas gaúchas geradas na UFRGS surgiram nos laboratórios da própria universidade", comenta Ricardo Reis. Atualmente, o Instituto possui um parque com 80 estações de trabalho, 60 Macintosh e centenas de PC. O curso de pós-graduação já formou mais de 370 mestres, que estão atuando no desenvolvimento de produtos em indústrias ou empresas de serviços na área de informática, ou em universidades, onde assumiram funções de ensino e pesquisa. Dos 40 pesquisadores e docentes com regime de dedicação exclusiva ao curso de pós-graduação, 31 possuem título de doutoramento, obtido, em sua maioria no exterior.