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JC Notícias

Um centro que zela pela saúde na Amazônia

Publicado em 09 janeiro 2019

As chuvas intensas e contínuas de fevereiro deste ano, um dos meses de maior pluviosidade na Amazônia, fizeram transbordar um imenso tanque de rejeitos da Alunorte, mineradora de alumínio do grupo norueguês Norsk Hydro instalada no município de Barcarena, no Pará. Com quase 1 quilômetro (km) de diâmetro, o reservatório armazena uma terra avermelhada rica em soda cáustica e metais pesados, liberados no beneficiamento da bauxita. A precipitação incessante inundou o grande tanque a céu aberto e espalhou uma lama cor de telha por duas comunidades vizinhas, Vila Nova e Bom Futuro, atingindo igarapés e a água de poços usada para o consumo humano. A enxurrada de rejeitos atingiu também o rio Pará, que drena a região e banha a cidade de Belém, a 40 km a leste dali, antes de chegar ao Atlântico. Alertados pela população, o Ministério Público do Estado e o Ministério Público Federal acionaram pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC) para avaliarem o impacto ambiental e os potenciais riscos do extravasamento à saúde humana.

A água coletada de ruas, igarapés, poços e do pátio da empresa continha níveis de alumínio e outros metais bem superiores aos aceitáveis e era altamente alcalina, indicaram as análises feitas pela equipe do químico Marcelo de Oliveira Lima, da Seção de Meio Ambiente (Samam) do IEC. No relatório, os pesquisadores recomendaram a distribuição de água potável para a população da área afetada e o monitoramento da água da região enquanto durassem as chuvas. A Alunorte contratou uma empresa independente e questionou os resultados do IEC, embora tenha reconhecido mais tarde, em entrevista à imprensa, o uso de dutos clandestinos para eliminar rejeitos e efluentes sem tratamento no ambiente.

O acidente ambiental do início do ano é apenas o mais recente investigado pela Samam. Criada em 1992 por iniciativa da virologista Elisabeth de Oliveira Santos, essa é a área científica mais jovem das oito que integram o instituto, o mais importante centro de pesquisa e tratamento de doenças tropicais e de saúde ambiental da Amazônia.

Leia na íntegra: Pesquisa Fapesp