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Um acervo pede socorro

Publicado em 11 janeiro 2004

Por Gai Sang
"Não vou esmolar!". Dessa forma se manifestou o presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba (IHGGS), Adílson Cézar, sobre a possibilidade de voltar a reivindicar às autoridades verba pública para restaurar o acervo do Museu da Imagem do Som sediado no local. Desde que recusou parte da verba oferecida pela Lei de Incentivo à Cultura (Linc), em 2001, o acervo está no "semi-abandono". "Me desgostei muito do tratamento que nos foi dado. Senti até uma certa irreverência, molecagem, que atingiu os brios próprios de um cidadão ofendido. A partir daí, não fiz mais nada para tentar solucionar o problema", reclama Adílson César. Na verdade, o presidente do IHGGS ainda buscou recursos via universidade ou entidades como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp. Mas de acordo com ele, para se conseguir essa verba é necessário título de doutor e a elaboração de um projeto detalhado. "Existe uma série de trâmites legais para se obter esse recurso. Como não tenho título de doutor, não haveria como pleitear tal benefício. Com isso, o acervo do museu está correndo sérios riscos", avisa. Na época em que ele fez a reivindicação através da Linc, o valor estipulado foi de R$ 39.809,23. Esse valor seria suficiente para restaurar o acervo fotográfico, reformar e adaptar alguns dos ambientes do IHGGS e para adquirir equipamentos como computadores, programas, câmera, TV, vídeos e mesa, entre outros, além da compra de uma Mapoteca (arquivo de vídeos). "O que nos foi concedido - cerca de R$ 21 mil - não cobria os custos. Era um dinheiro para custear, por exemplo, os encartes e envelopamentos das fotos", explica. Atualizando os valores, Adílson Cézar acredita que hoje seria necessário perto de R$ 50 mil para efetivar o restauro completo do acervo. Para ele, o fato demonstra o profundo desinteresse do poder público para com um dos mais importantes patrimônios históricos da cidade. "Aquele material que está lá, pertence à comunidade sorocabana. Poderá servir para estudos, pesquisas, consultas de historiadores interessados em contar a nossa história. Portanto, não posso aceitar o descaso com que ele está sendo tratado", revolta-se. Entre outras preciosidades do acervo, segundo o presidente, estão todos os negativos feitos pelo historiador e fotógrafo Rogich Vieira, aparelhagem do antigo Cine Votorantim, fotos de época, além de filmes que registram inaugurações e posses importantes desde a década de 30. De acordo com ele, todo este material está se deteriorando pela ação do tempo e organizado de forma precária, dificultando, inclusive, consulta de estudantes e pesquisadores. "São oito anos de abandono e descaso", diz inconformado. Adílson Cézar ressalta que é necessário que os responsáveis pela cultura da cidade se sensibilizem e salvem esse material riquíssimo. "Nesses 350 anos da cidade, é necessário haver uma mobilização do poder público, das autoridades, para reverter essa situação", avisa. Na sua opinião, a secretaria da Cultura até tem boas intenções mas as dificuldades esbarram quando chegam na esfera executiva. "Além da boa intenção é necessário força de vontade e sensibilidade dos políticos para compreenderem o real valor desse material. Acho que agora a iniciativa deve partir das autoridades. Não vou esmolar!", finaliza. O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Sorocaba conta hoje com doze colaboradores e, teoricamente, cem sócios efetivos que deveriam colaborar com uma mensalidade de R$ 10. Segundo Adíson Cézar, 90% deles estão inadimplentes.