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Ultrassom robótico que trata câncer de próstata com menor risco de impotência será apresentado em Simpósio do A.C.Camargo .

Publicado em 30 agosto 2011

Por Moura Leite Netto

Técnica capaz de queimar o câncer de próstata sem atingir os tecidos e órgãos mais próximos, diminuindo os riscos de impotência e incontinência urinária, chega neste mês de setembro ao Brasil e será apresentada em vídeo-conferência direto da Alemanha

Uma nova técnica capaz de queimar o câncer de próstata sem atingir os tecidos e órgãos mais próximos, diminuindo os riscos de impotência e incontinência urinária, chega neste mês de setembro ao Brasil. Trazido pelo Hospital A.C.Camargo - que dias 2 e 3 de setembro realiza o Simpósio Internacional de Tratamento de Câncer Urológico, em São Paulo, onde a técnica será detalhada a especialistas - o HIFU robótico -- um ultrassom de alta intensidade -- tem a precisão de um míssil teleguiado e foi desenvolvido para atacar alvos diminutos e destruí-los sob uma temperatura de 90 graus. A novidade será apresentada em vídeo-conferência na sexta-feira, dia 2, às 14h30, pelo cirurgião e diretor Emérito do Departamento de Urologia da Klinikum Harlaching, na Alemanha, Stefan Thurrof.

A nova técnica beneficiará principalmente pacientes com câncer no estágio inicial (o que representa 10% dos casos) ou quando ocorre recidiva depois de radioterapia (20% do total). No primeiro caso, o risco de incontinência urinária é de 3% para pacientes tratados com HIFU robótico, enquanto nos casos cirúrgicos o risco chega a 5%, além de 30% de impotência. Já em pacientes com recidiva, o risco de incontinência urinária é de 5% e de impotência é de 50% com o uso da nova tecnologia, mas esse número pode subir para 30% e 100%, respectivamente, em casos cirúrgicos.

Em uso desde 1990, o HIFU robótico nunca foi uma unanimidade entre os especialistas. Nos primeiros aparelhos, os feixes de ultrassom são controlados manualmente pelo médico. Pequenas movimentações do paciente durante o procedimento, como uma tosse ou uma respiração mais profunda, podem fazer com que o médico perca o alvo. É o que pode acontecer em até 10% dos casos, com danos, sobretudo, na bexiga e no reto. Com a nova versão o procedimento passou a ser totalmente automatizado.

"O urologista deve apenas programar a máquina e uma sonda automática se encarrega de controlar a emissão do ultrassom", destaca o cirurgião e diretor do Núcleo de Urologia do Hospital A.C.Camargo, Gustavo Cardoso Guimarães. Ainda segundo ele, se o paciente, sedado, se mexe ou se os feixes se aproximam de outras áreas que não a doente, o HIFU robótico desliga automaticamente. "Em média o processo dura apenas duas horas, sendo que a alta é dada já no dia seguinte. Em seis meses o tecido tumoral necrosado é absorvido pelo organismo", completa.

Atualmente, o câncer de próstata faz 52.300 novas vítimas por ano e é o tumor maligno mais comum entre os homens brasileiros depois do câncer de pele. Quando o câncer de próstata é diagnosticado em fase inicial as chances de cura são de 95%. O Simpósio abordará também novas abordagens terapêuticas para tumores de rim, pênis, testículo e bexiga. A programação completa está disponível em http://www.accamargo.org.br/simposiourologia2011

Mais comum em homens de 15 a 35 anos, câncer de testículo tem 95% de chance de cura quando descoberto em fase inicial

Diferente do câncer de próstata que costuma acometer homens com mais frequência após os 50 anos, o tumor testicular é mais comum em homens jovens. Embora agressivo, índice de mortalidade é baixo principalmente quando ocorre diagnóstico precoce. Simpósio em SP discutirá de 2 a 3 de setembro os avanços no tratamento da doença

Levantamento realizado pelo Núcleo de Urologia do Hospital A.C.Camargo junto a 940 pacientes diagnosticados com câncer de testículo e atendidos pelo serviço desde sua fundação em 1953 até 2009 mostra que, quando descoberta em fase inicial, a doença tem cura em até 95% dos casos. Em quadros avançados, que podem incluir a metástase — quando células cancerosas do tumor original migram para outras partes do corpo, formando tumores secundários —, as chances de cura se reduzem, mas continuam maiores que 70%.

Esta experiência no tratamento de câncer de testículo será um dos temas do Simpósio Internacional de Tratamento de Câncer Urológico, promovido pelo A.C.Camargo, entre os dias 2 e 3 de setembro no Hotel Pullman, em São Paulo. Serão discutidas questões terapêuticas relacionadas à doença como linfadenectomia, quimioterapia, radioterapia, estratégias para preservação de fertilidade e como amenizar efeitos colaterais do tratamento. Simpósio abordará também os tumores de próstata, rim, pênis e bexiga. As inscrições estão abertas e a programação completa está disponível em http://www.accamargo.org.br/simposiourologia2011.

A evolução no tratamento do câncer de testículo ao longo das últimas décadas é um dos fatores para o baixo índice de mortalidade. "Na década de 1970, a taxa de cura nos casos em estágio inicial era de apenas 60%", afirma Gustavo Cardoso Guimarães, cirurgião oncológico e diretor do Núcleo de Urologia do Hospital A.C.Camargo. "Isso se deve à introdução de uma terapia multidisciplinar, que aumentou muito as chances de cura". Mais do que a retirada do tumor, em muitos casos os pacientes devem complementar o tratamento com quimioterapia, radioterapia e até mesmo uma nova cirurgia para retirar resíduos de massa tumoral.

O câncer de testículo é mais comum em homens jovens, principalmente na faixa entre 15 e 35 anos. Estima-se que no Brasil a doença atinja 8.300 homens e mata 350 por ano. A doença atinge mais homens brancos (a incidência é de 6,5 casos em cada 100 mil homens, enquanto para negros essa taxa é de 1,3). Os principais fatores de risco são o histórico de câncer na família e criptorquídia, condição em que o testículo não desce para o escroto após o nascimento.

Autoexame - Um importante instrumento para o diagnóstico precoce é a realização do autoexame, para tanto, o homem pode ficar de pé, de preferência em frente ao espelho, e verificar a existência de alterações em alto relevo na pele do saco escrotal. Com os dedos indicador, médio e polegar, deve-se examinar cuidadosamente cada testículo para saber se há algum nódulo, tomando cuidado para não confundir com o epidídimo, canal localizado atrás do testículo e responsável por coletar e carregar esperma. Os tumores - geralmente pouco maiores do que uma ervilha - estão localizados com mais frequência nas laterais dos testículos e menos na parte de baixo.

Serviço

Simpósio Internacional de Tratamento de Câncer Urológico

Realização: Hospital A.C.Camargo

Data: 2 e 3 de setembro de 2011

Horários: dia 2 (13h30 às 18h) e dia 3 (8h30 às 16h)

Local: Hotel Pullman - Ibirapuera

Endereço: Rua Joinville, 515, Vila Mariana, São Paulo - SP

Informações: http://www.accamargo.org.br/simposiourologia2011

Sobre o Hospital A.C.Camargo - Instituição filantrópica criada em 1953 por Antônio e Carmen Prudente, o Hospital A.C.Camargo é um dos maiores centros de tratamento oncológico da América Latina. De forma integrada e multidisciplinar, atua na prevenção, diagnóstico e tratamento ambulatorial e cirúrgico dos mais de 800 tipos de câncer identificados pela Medicina, divididos em mais de 40 especialidades. A cada ano identifica e trata 14 mil novos casos da doença, com pacientes de diversas partes do país e exterior, totalizando mais de 950 mil atendimentos (consultas, exames laboratoriais e por imagem, internações, cirurgias, quimioterapia e radioterapia, entre outros). Seu corpo clínico é composto por uma equipe fechada de 403 médicos especialistas, a maior parte com mestrado e doutorado. A dedicação e interação destes profissionais em atividades interdisciplinares resulta em um tratamento com melhores índices de sucesso, só comparáveis aos observados nos maiores centros oncológicos do mundo.

Na área de ensino, o A.C.Camargo criou a 1ª Residência em Oncologia do país, em 1953, tendo formado em 2010 o seu milésimo residente. É também responsável pela formação de um em cada três oncologistas em atividade no Brasil. Sua pós-graduação, criada em 1997, é a única em um hospital privado reconhecida pelo Ministério da Educação e foi avaliada com nota máxima durante toda essa década pela CAPES, tornando-se assim, entre escolas públicas e privadas, a melhor do país em Oncologia e uma das duas melhores em Medicina. Tem a maior produção científica da área, com mais de mil trabalhos publicados na última década nas principais revistas internacionais de alto impacto. Centralizou em 2000 o Genoma do Câncer no Brasil, financiado pela FAPESP e Instituto Ludwig.

Em 2009, o Hospital foi apontado pela edição 500 Melhores Empresas da revista Istoé Dinheiro como uma das melhores em Saúde pelo terceiro ano consecutivo. No mesmo ano foi eleito pelo Guia Você S/A Exame como uma das Melhores Empresas para Você Trabalhar e pela segunda vez consecutiva está entre as 10 melhores empresas de serviços médicos do Brasil na Gestão de Pessoas, de acordo com o anuário Valor Carreira. Mais informações www.accamargo.org.br