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UFSCar desenvolve sensores mais eficazes no reconhecimento de substâncias tóxicas e doenças neurodegenerativas

Publicado em 28 janeiro 2013

Pesquisas realizadas no campus Sorocaba da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) atuam no desenvolvimento de dispositivos que identificam herbicidas e pesticidas que oferecem risco à saúde do homem e causam impactos ecológicos. Coordenados pelo professor Fábio de Lima Leite, do Departamento de Química, Física e Matemática (DQFM), os estudos contam com a participação de alunos de graduação e pós-graduação e apresentam publicações em revistas internacionais.

Os estudos realizados no campus Sorocaba contribuem para o desenvolvimento de ferramentas e processos capazes de detectar pequenas quantidades de herbicidas e pesticidas químicos de forma rápida e eficaz com a utilização de enzimas. O professor Leite explica que a utilização de nanobiossensores é uma excelente alternativa na análise de substâncias, mesmo quando presentes em baixas concentrações. No último mês de dezembro, as pesquisas de iniciação científica da UFSCar foram premiadas na "II Conferência USP de Nanotecnologia", realizada no mês de dezembro na cidade paulista de Itirapina. Os trabalhos "Enzymatic Nanobiosensors Based on Chemically Modified Cantilevers as a Useful Tool for Herbicides Detection", escrito Ariana de Souza Moraes, e "Development of Nanobiosensors for environmental application in detecting pesticides", de autoria de Bárbara Brito de Souza Pereira, foram contemplados com os prêmios de melhores pôsteres do evento. Sob orientação do docente Fabio de Lima Leite, os trabalhos fazem parte do projeto de "Desenvolvimento de Cantilévers Inteligentes para Aplicações na Detecção de Herbicidas" e são desenvolvidos pelo grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica (GNN), com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). "Os trabalhos premiados vêm promovendo o desenvolvimento de novos nanodispositivos para utilização em sensores ambientais e estudos de doenças neurodegenerativas como a Esclerose Múltipla. A premiação representa uma radiografia das linhas de pesquisa de nosso grupo, prestando um reconhecimento ao trabalho que vem sendo desenvolvido na UFSCar. A motivação dos alunos é peça fundamental para colocar em prática o processo de transpiração e inspiração que a ciência exige de um jovem cientista. Um aluno engajado com os objetivos alcança as respostas de forma mais eficiente", afirma o professor.

O professor Leite explica que os nanobiossensores são desenvolvidos com a utilização de sondas, conhecidas como cantilévers, que são empregadas na Microscopia de Força Atômica (AFM). A obtenção de imagens por AFM é baseada nas forças de atração e repulsão que ocorrem entre a sonda e a amostra. "Baseando-se nesse princípio, a sonda do AFM pode ser transformada em um poderoso nanossensor se a força de interação entre a sonda e a amostra for modulada. A força de interação observada, também chamada de força de adesão, pode ser cerca de até 200% maior quando se emprega o nanobiossensor, em relação à utilização da sonda não modificada, o que permite a detecção da amostra química", explica. Atualmente, o grupo trabalha no desenvolvimento de outros nanobiossensores, com a utilização de diversas enzimas e anticorpos para possibilitar a detecção de outros herbicidas e estudar doenças autoimunes e degenerativas.

O professor Leite coordena o grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica (GNN), com estudos em áreas fundamentais da ciência como a Física, a Biologia, além de conteúdos da Neurociência, a Nanociência e a Nanotecnologia. Além dos estudantes da UFSCar, o grupo de pesquisa também conta com a participação de graduandos de outras instituições em Biologia, Física, Farmácia, Medicina, Química, Engenharias e Tecnológicos. Na opinião do professor Leite, a interação entre pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, o contato com pesquisas realizadas em outros países e a dedicação nos estudos contribuem para a formação direcionada tanto às demandas do mercado de trabalho quanto à produção acadêmica de qualidade. "Nossos membros são fortemente encorajados a interagir com áreas multidisciplinares e de fronteira. Esse perfil permite-os interpretar resultados e tendências de problemas complexos com maior grau de sucesso. Devido ao caráter interdisciplinar do grupo, os estudantes de iniciação científica possuem um perfil bastante peculiar, com alto grau de independência e maturidade e com uma excelente performance acadêmica, além da forte perspectiva de cursar uma pós-graduação. O perfil transdisciplinar e ousado do GNN permite criar uma equipe coesa, disciplinada, dinâmica e com novas perspectivas para o mercado de trabalho", aponta Leite.

Mais informações sobre as pesquisas do grupo de Pesquisa em Nanoneurobiofísica da UFSCar podem ser obtidas no endereço eletrônico www.nanoneurobiophysics.net ou pelo e-mail fabioleite@ufscar.br.

Escrito por Redação