Notícia

A Gazeta (Cuiabá, MT)

UFSCar cria papel a partir de plástico

Publicado em 24 fevereiro 2009

Criar papel a partir de películas plásticas é uma tecnologia amplamente conhecida, mas exige sempre o uso de matéria-prima virgem para a confecção das folhas sintéticas. O método desenvolvido na universidade do interior paulista, no entanto, permite fazê-lo a partir de lixo, como potes plásticos de sorvete, garrafas pet, vasilhas, embalagens de CD, restos de canetas ou cartões bancários.

Este material é triturado e, depois, submetido a um tratamento químico desenvolvido pela universidade. O resultado é a produção de uma película de alta qualidade, similar às películas produzidas com matéria-prima virgem. Financiado pela FAPESP, o projeto desenvolvido pela Universidade de São Carlos foi adotado em caráter experimental pela fabricante de papel sintético Vitopel.

 A empresa espera comercializar as folhas feitas a partir de plástico reciclado para aplicações industriais, em situações em que o papel precisa ser resistente à água, por exemplo. Assim, é possível imprimir rótulos para garrafas, outdoors, tabuleiros de jogos, etiquetas, livros escolares e cédulas de dinheiro. Cadernos para estudantes também estão sendo produzidos com o método, já que a película aceita bem a tinta de canetas esferográficas. A produção de folhas sintéticas de baixo custo diminui a demanda por celulose, o que na prática poupa a derrubada de florestas para produzir papel a partir de matéria prima orgânica.

Devido à sua capacidade de ser moldado, o plástico tem sido utilizado na produção de uma grande variedade de artigos de formas diversas. O consumo de plásticos no Brasil vem crescendo com o desenvolvimento econômico e acompanha o ritmo da instalação, no mercado nacional, de empresas fabricantes de resinas sintéticas. Em 1993, o mercado brasileiro produziu cerca de 2,3 milhões de toneladas de plásticos - polietileno de alta densidade (PEAD), polietileno de baixa densidade(PEBD), polipropileno (PP), poli(cloreto de vinila) (PVC) e poliestireno (PS). Observa-se que o plástico mais consumido é o PEBD, seguido do PVC.

O consumo anual per capita de plásticos no Brasil gira em torno de 10 Kg, sendo relativamente baixo, comparado com o índice de 72 kg, verificado nos EUA, e de 53 kg, no Japão. Observa-se, desta forma, um potencial de crescimento para esse setor no país. O mercado de embalagens representa cerca de 25% do consumo aparente de plásticos.

Portal do Meio Ambiente