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Diário de Pernambuco

UFRPE amplia pesquisa do genoma da cana

Publicado em 19 julho 2000

Com presença do ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sandenberg, será inaugurado oficialmente amanhã o laboratório de Seqüenciamento de DNA da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). Apesar da cerimônia, marcada para as 9h, o laboratório está trabalhado desde o último dia 5 de junho no projeto Genoma da Cana-de-açúcar, que tem. objetivo de identificar as funções, de 300 mil seqüências de DNA que formam os genes da planta. O primeiro conjunto de fragmentos trabalhado no Estado 96 ao todo foi identificado no início do mês e já está na Universidade de Campinas (Unicamp), em São Paulo, onde a pesquisa é centralizada. A unidade teve investimento de R$ 460 mil das fundações de Amparo à Ciência de São Paulo (Fapesp) e de Pernambuco (Facepe). "Com os equipamentos instalados, podemos fazer seqüenciamento em larga escala, trabalhando 96 fragmentos simultaneamente", explicou a coordenadora do Laboratório da UFRPE, Giana Carvalheira. O seqüenciamento é uma das primeiras fases do Genoma e consiste apenas em identificar a ordem em que os nucleotídeos - substâncias que formam o DNA - estão organizadas. Vinte e dois laboratórios - sendo 21 em São Paulo e o da UFRPE - atuam etapa do projeto. A expectativa nesta mínima de cada laboratório é identificar quatro mil seqüências por ano até que todos os laboratórios envolvidos alcancem a meta de 300 mil objetivo final do trabalho. "Mas isso pode ser ultrapassado facilmente. O esperado era que em julho atingíssemos 70 mil seqüências e até agora já conseguimos 170 mil", afirmou Giana. GARIMPAGEM - O etapa final do trabalho proposto pelo projeto Genoma • que identifica em que características da cana-de-açúcar cada uma das seqüências influi - é realizado por grupos chamados Data Mining (garimpagem de dados), em São Paulo. Mas em breve, Pernambuco também deverá participar desta fase. Quatro grupos de pesquisa do Estado - sendo um da UFRPE, dois da UFPE e outro do IPA (Empresa Pernambucana de Pesquisas Agropecuárias) -já foram aprovados pela Fapesp para atuar no Dota Mining. Os grupos têm reunião marcada em São Paulo no próximo dia 27. Por enquanto, 12 pessoas trabalham no laboratório de seqüenciamento da UFRPE e outras 10 no processamento de dados, na UFPE. No IPA, são nove profissionais aguardando a montagem do laboratório. A partir da conclusão do projeto Genoma da Cana-de-açúcar, poderão ter início os estudos para o melhoramento genético da planta, para torná-la mais produtiva, mais resistente às pragas e à seca, por exemplo. Hoje, a cultura é responsável por 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos em todo o País, que é maior produtor mundial da planta, com 27% da produção total. CAMINHO PARA NOVOS ESTUDOS Na opinião do presidente da Facepe, José Carlos Cavalcanti, o grande benefício do projeto Genoma da Cana-de-açúcar é deixar o Pernambuco com estrutura e conhecimento para realizar outras iniciativas semelhantes. "Com o domínio sobre a tecnologia do DNA, poderemos realizar mapas genéticos de qualquer outro produto da agropecuária. Ou até mesmo fazer pesquisas voltadas para a saúde humana", afirmou. Isso porque, além de inaugurar oficialmente o primeiro laboratório de seqüenciamento de DNA de Pernambuco, o ministro Ronaldo Sandenberg (Ciência e Tecnologia) fará também a inauguração simbólica de outro um laboratório de seqüenciamento genético - desta vez a ser instalado na sede do IPA e mais os laboratórios de Biologia Molecular e de Bioinformática da UFPE e o laboratório de Genética da UPE. Segundo Cavalcanti, a implantação do laboratório de seqüenciamento de DNA já coloca o Estado em uma nova fase da pesquisa genética. Até então, as pesquisas relacionadas ao assunto tinham que ser feitas em cada gene individualmente. "O laboratório possibilita o trabalho com milhares de genes ao mesmo tempo. E o genoma consiste especificamente em mapear todos os genes, toda a bioquímica de um determinado organismo". CENTRO NUCLEAR TEM EDITAL LANÇADO O edital para a construção do Centro Regional de Ciências Nucleares (CRCN) também será lançado amanhã pelo ministro Ronaldo Sardenberg, juntamente com o governador Jarbas Vasconcelos e o vice-presidente Marco Maciel. O prazo de execução da obra está previsto em 30 meses e deverão ser investidos R$ 20 milhões. A nova sede terá 80 mil metros quadrados de área e oito blocos, onde funcionarão laboratórios de apoio logístico, caracterização química, gerenciamento de rejeites, manutenção, metrologia, radiofarmácia e segurança radiológica. Com sede provisória na sede do Dnocs, o CRCN será transferido para o campus da UFPE. Isso vai permitir a ampliação de atividades de apoio e supervisão de técnicas radiológicas ou nucleares no Norte e no Nordeste, transformando as regiões em pólo de referência nas áreas industrial, médica e de pesquisa. O centro vai avaliar o impacto radiológico das operações de instalação do ciclo de combustível nuclear, mineração e beneficiamento.O CRCN também contará com uma fábrica de sementes de lodo, utilizado no tratamento do câncer de próstata. A fábrica de verá entrar em funcionamento em 2003. Há ainda a expectativa de que sejam liberados mais R$ 20 milhões para a compra de um ciclotron e um acelerador de partículas para a produção de radioisótopos - usados na medicina nuclear.