A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por meio do Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital Escola (HE-UFPel), integrou o estudo que embasou a aprovação, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), da vacina brasileira contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. O imunizante é o primeiro no mundo capaz de oferecer proteção com apenas uma dose.
A aprovação representa um marco para a saúde pública do país. O modelo de dose única facilita a maior adesão da população, campanhas mais simples de organizar, cobertura vacinal mais rápida em emergências sanitárias, além de reduzir atendimentos ambulatoriais, hospitalizações e mortes relacionadas à dengue. O imunizante deverá ser incorporado ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
Embora o protocolo da vacina tenha começado há cerca de uma década, a UFPel foi incorporada à etapa final da pesquisa, em 2022, participando do Estudo de Consistência de Lotes. Nessa fase, 335 voluntários foram randomizados. Os dados coletados na Instituição foram analisados quanto à consistência entre lotes, segurança e eficácia do produto. Os participantes que receberam placebo durante o estudo já foram posteriormente vacinados, conforme previsto pelo protocolo.
Na pesquisa, o imunizante foi estudado em pessoas de 12 a 59 anos. Em fevereiro de 2026, a UFPel dará início a uma nova etapa, em parceria com o Instituto Butantan, para avaliar a vacina em idosos acima de 60 anos, faixa etária com maior mortalidade por dengue e que ainda não conta com nenhum imunizante aprovado no mundo.
A pesquisa na UFPel foi coordenada pela professora e pesquisadora Danise Senna Oliveira, investigadora principal do Centro de Pesquisa do HE-UFPel.
A instituição destaca que sua participação reforça o compromisso com a ciência pública e colaborativa, contribuindo para uma solução nacional em uma das maiores emergências sanitárias do país. Além disso, ressalta que a aprovação da vacina representa um avanço significativo no enfrentamento da dengue e demonstra a importância da pesquisa realizada em universidades públicas brasileiras.
Em comunicado, a Universidade agradeceu aos voluntários que participaram da etapa final do estudo que apoiou a aprovação do imunizante brasileiro. “Cada voluntária e voluntário que dedicou seu tempo, sua confiança e sua disposição para contribuir com a ciência tornou possível este avanço histórico para a saúde pública no Brasil. Graças a esse gesto de responsabilidade social, o país passa a contar com uma vacina nacional, de dose única, produzida pelo Instituto Butantan”, diz.