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UFPE E USP SÃO CARLOS DESENVOLVEM LASER PARA MONITORAR POLUIÇÃO

Publicado em 03 maio 2000

São Paulo - Um novo sistema de monitoramento de gases e particulados pode simplificar o controle da poluição por órgãos ambientais ou mesmo permitir que as indústrias façam o auto controle de suas emissões. O sistema funciona à base de raios laser e será capaz de distinguir dezenas de gases diferentes dispersos na atmosfera e suas respectivas concentrações. O primeiro protótipo está em fase de testes e calibração na Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, que a pesquisa junto com a Universidade de São Paulo, USP, campus São Carlos. "Fazemos uma varredura de raios laser e depois analisamos as freqüências adsorvidas ou espalhadas: cada poluente, cada particulado, cada substância tem uma ressonância diferente, então podemos inferir quais estão presentes na atmosfera, mesmo que dezenas estejam misturadas", explica Frederico Dias Nunes, da UFPE, que trabalha no sistema com José Manuel Martins, da USP, desde 1998. Juntos, eles orientam 3 teses de mestrado sobre o tema, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo. FAPESP, e do Programa de Núcleos de Excelência do Ministério da Ciência e Tecnologia, Pronex, além de bolsas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, da ordem de 50 mil reais em 2 anos. "O sistema deve permitir o monitoramento da poluição ambiental a longa distância", acrescenta Welson Siqueira e Silva, mestrando que trabalha na análise e calibração do sistema, definindo padrões de resposta para cada poluente a ser monitorado. "Hoje, a Companhia Pernambucana de Controle da Poluição Ambiental e de Administração dos Recursos Hídricos, CPRH, colhe amostras de gases em um local restrito, mas com este novo sistema podemos verificar o nível dos gases poluentes em uma área bem maior, com longo alcance e maior riqueza de informações". O sistema também poderá medir os índices de particulados: poeira, fuligem ou materiais grosseiros em suspensão, como o gesso extraído na região do Araripe, PE, que causa doenças nos trabalhadores e prejudica a fotossíntese da vegetação na caatinga. Outra possibilidade é o controle do amadurecimento de frutas armazenadas. "As frutas liberam etanol e alguns aldeídos quando em fase de maturação", diz Dias Nunes. E estas substâncias também podem ser captadas pelo sistema a laser, ajudando a determinar com mais precisão o tempo de estocagem e a diminuir as perdas de agricultores e exportadores.