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Brasil Econômico

UFMG tem mais patentes, mas fica atrás na comercialização

Publicado em 19 abril 2011

Por Amanda Vidigal Amorim

Apesar de ter ultrapassado a Universidade de Campinas (Unicamp) em pedidos de patente no ano passado, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), maior e mais importante instituição de ensino superior do estado, ainda engatinha no que diz respeito à inovação e incentivo à pesquisa. Mesmo tendo depositado 61 pedidos de patentes em 2010, ultrapassando os 52 realizados pela Unicamp, a universidade mineira fica bem atrás da paulista no balanço dos licenciamentos.

"Não nos preocupamos com o número de pedidos de patente, o que conta são os licenciamentos que conseguimos, é a comercialização de uma ideia desenvolvida no laboratório", afirma Roberto Lotufo, diretor executivo da Incamp, incubadora da Unicamp.

Desde 2004, quando foi criada a lei de inovação, que fomenta a pesquisa em ambientes acadêmicos, a Unicamp contabilizou 215 licenciamentos, de 376 patentes depositadas. Ou seja, um número alto em relação à UFMG que conta com apenas 41 licenciamentos desde 2003.

O professor Ado Jorio de Vasconcellos, coordenador de transferência tecnológica e inovação da UFMG, afirma que a universidade está se estruturando e organizando seu centro de pesquisa. "O fato de termos ultrapassado a Unicamp em pedidos de patente mostra que estamos crescendo, mas sabemos que por vários fatores ainda estamos atrás da universidade paulista. Até mesmo pelo incentivo financeiro que ela recebe do estado", afirma.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) recebe 1% sobre a receita tributária do estado, já a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) recebe 1%do Produto Interno Bruto (PIB) do estado. No ano passado, só de repasse do governo, a Fapesp recebeu R$ 754 milhões. A Fapemig recebeu no ano passado R$ 284 milhões provenientes do Tesouro estadual.

O primeiro pedido de patente feito pela universidade mineira foi em 1992. A Inova, a incubadora da instituição, foi criada em 2003, e desde então formou 45 empresas. O número é baixo e o que impressiona é que a incubadora é responsável por 20% das empresas de base tecnológica de todo o estado.

A prioridade hoje, segundo Vasconcellos, é a construção de um espaço específico para a Inova, que ocupa algumas salas da universidade. "Tínhamos a expectativa de conseguir o financiamento este ano para a construção da sede, mas alguns cortes no orçamento foram feitos e provavelmente teremos que adiar os planos", afirma o coordenador. A futura sede da Inova terá disponibilidade para incubar 48 empresas ao mesmo tempo.

RECURSOS

1% da receita tributária do estado de São Paulo é destinada à Fapesp, enquanto, em Minas Gerais, a verba tem como parâmetro o PIB estadual, do qual a Fapemig recebe o equivalente a 1%.

INCUBADORA

48% empresas poderão ser incubadas simultaneamente na Inova da UFMG quando a futura sede estiver disponível. Por enquanto, a incubadora ocupa algumas salas de aula da universidade.

TECNOLOGIA

20% das empresas de base tecnológica de Minas Gerais têm como procedência a UFMG, que formou apenas 45 companhias desde 2003.