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A Gazeta (ES)

Ufes luta para acompanhar os novos tempos do Estado

Publicado em 26 fevereiro 2005

Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), buscando manter a sintonia com os novos tempos que acenam para o chamado "salto para o futuro" do Espírito Santo, está empenhada em duas lutas que são, a um só tempo, duras e estimulantes: a busca de condições para o seu desenvolvimento na área de pesquisa e a criação de novos cursos de pós-graduaçao, medidas consideradas fundamentais para o desenvolvimento do País.
Com relação à área de pesquisa, importantes passos já foram dados. Em 25 de junho do ano passado, o Diário Oficial do Estado (DJO) publicava a lei complementar 290, criando a Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Fapes).

Rumos
A medida visava tirar o Estado da condição de uma das unidades da Federação que menos recebem estímulo à área de pesquisa, já que só através de uma fundação como a Fapes é que o Governo Federal tem meios de repassar esses recursos às universidades federais.
Para exemplificar, a Fapesp, de São Paulo, existe há anos, e sua atuação têm indiscutível peso no desenvolvimento científico e tecnológico daquele Estado.
Se a criação da Fapes, pelo governo Paulo Hartung, encheu de esperanças a comunidade acadêmica do Espírito Santo, que já dispõe de 600 doutores, de lá para cá empolgação deu lugar a algum desencanto.
Para a comunidade, a chegada de um órgão de amparo e fomento à pesquisa, como a Fapes, veio ao encontro de antigas aspirações e significaria um divisor de águas, mas, passados t oito meses o processo ainda não foi concluído, uma vez que a diretoria da Fundação não foi indicada.

Expectativa
"Mantemos nossa confiança em que o governador Paulo Hartung, a bancada capixaba, especialmente o deputado Renato Casa grande (PSB), que têm compreendido tão claramente a necessidade de estruturarmos melhor a Universidade na área de pesquisa, possam seguir nos auxiliando a dotar a Fapes de condições reais de funcionamento", acredita o pró-reitor de Pesquisa e pós-graduação da Ufes, Francisco Guilherme Emmench.
Outro aspecto importante para o setor, ainda segundo Emmerichnch, é que a Secretaria  de Estado de Ciência de Tecnologia possa ter condições de desempenhar um papel mais efetivo, neste importante momento em que passa o Espírito Santo em termos de desenvolvimento.
"E um assunto de interesse e de responsabilidade de toda a comunidade capixaba, cada um em sua área de influência e com seu grau de responsabilidade", acentua o pró-reitor. Ainda de acordo com Emmerich, a comunidade ressente-se também da falta de repasses regulares do duodécimo, Constitucionalmente devido pelo Estado ao Fundo Estadual de Ciência e Tecnologia (Funcitec). Embora esses repasses devessem ser da
ordem de R$ 10 milhões anuais, estão previstos, no orçamento do Estado, apenas R$ 2 milhões.
Um fato mantém acesa a esperança da Ufes quanto ao duodécimo: a proposta de repasse de 0,5% dos recursos do ICMS para ciência e tecnologia, formulada em 1989, aprovada e inserida na Constituição do Estado, autoritária do então estadual Paulo Hartung, hoje governador do Estado.
Em nível federal, a Ufes comemora a decisão do Ministério da Ciência e Tecnologia, de acatar seu pedido de participar dos editais para o fomento ao setor junto aos estados da Região Nordeste, e não mais junto aos do
Sudeste. Na prática, isso significa que as chances da Ufes aumentam concretamente.

Pós-Graduação
Outra frente de luta da Ufes se dá junto à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (Capes), o organismo do Governo Federal que faz a análise de cada projeto. A Universidade empenha-se hoje, sem descanso, afirma Emmerich, para ver aprovados mais cinco projetos de cursos de pós-graduação: Química filosofia, Direito, Clínica Odontológica e Oceanografia, que viriam se juntar aos outros 19 já existentes. Para o pró-reitor a instituição enfrenta alguns pré-requisitos até descabidos.
"Estamo numa luta muito grande, em nível de recursos, porque o MEC está colocando exigências que não foram colocadas quando os cursos foram abertos, nas décadas de 70, 80 e 90, e são difíceis de superar. Exemplo: um nível de publicação extremamente elevado, que a gente só consegue atingir com a pós-graduaçao. Em relação a um dos cursos, eles dizem que e um grupo de jovens doutores sem experiência em pós-graduação. Ora, só se pode ter experiência em pós-graduação trabalhando nisso. Estamos lutando muito,
vamos brigar para fazer valer uma coisa fundamental. O que estamos enfrentando é como se fosse uma reserva de mercado. Quem abriu, abriu."
Com a aprovação desses cinco novos pleitos, a Ufes teria 24 cursos de mestrado e cinco de doutorado. Como se trata de um processo dinâmico, a instituição pretendo dar entrada, no ano que vem, em mais cinco projetos, nas áreas de Comunicação, Artes, Arquitetura , Educ Física; Matemática e Ciências Médicas.